Os mistérios da Dislexia.


Cientistas de vários centros de pesquisa dos EUA identificaram um novo gene relacionado à dislexia, distúrbio que interfere no aprendizado das palavras e da leitura e que afeta de 10% a 15% da população mundial.

Batizado de DYX2, o gene está localizado no cromossomo 6, área que há cerca de 20 anos tem despertado o interesse dos pesquisadores que tentam descobrir como funciona a hereditariedade do problema.

A pesquisa foi publicada no periódico científico Pnas (http://www.pnas.org), da Academia Nacional de Ciências dos EUA, e tem como um dos autores o cientista Shelley Smith, que em 1983 mostrou pela primeira vez que um dos principais genes relacionados com o distúrbio estaria localizado num braço do cromossomo 15.

Essa descoberta trouxe mais comprovações para a tese de que a dislexia tinha uma origem genética e que poderia ser passada de geração para geração.

Desta vez, para chegarem ao DYX2, os pesquisadores estudaram 153 famílias de classe média, moradoras do Colorado (EUA).

Dessas, 34 tinham um filho com o problema; 94 tinham dois; 19 delas tinham três. Em 6 famílias, o distúrbio aparecia em 4 filhos. Os estudantes pesquisados tinham de 8 a 18 anos.

Por meio de estudos de DNA e de análises neurológicas, eles observaram que nos integrantes dessas famílias o gene DYX2 tinha seu funcionamento comprometido, o que lhes permitiu concluir que ele aumentaria a suscetibilidade para o desenvolvimento da dislexia.

Além disso, os pesquisadores apontaram para uma relação entre o funcionamento do sistema nervoso central e a questão genética, apontando para uma interação entre a existência desse cromossomo e o modo como cada área do cérebro funciona.

"São autores que estudam o risco genético da dislexia há muitos anos. Agora, eles ressaltam o papel de um novo gene em uma região que já está sendo estudada, que é a do cromossomo 6.

Outros genes desse mesmo cromossomo já foram identificados e apontados como tendo relação com a dislexia", afirma a fonoaudióloga Simone Aparecida Catellini, pesquisadora do Ambulatório de Neurologia Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ela faz parte de um grupo de pesquisa formado por cientistas da Unesp de Botucatu e da USP de Bauru que pretende descobrir qual o grau de comprometimento provocado por cada um desses genes já identificados na linguagem e na capacidade de leitura e escrita das crianças.

"Trabalhamos com dez famílias. O nosso objetivo não é só achar o gene, porque já existem vários genes relacionados, de mais de um cromossomo, que chamamos de genes candidatos, mas saber a importância deles e em que grau eles afetam as crianças", explica.

De acordo com ela, as pesquisas precisam incluir pelo menos três gerações de uma mesma família, o que no Brasil se torna mais difícil, pois nas famílias de muitas das crianças identificadas com o problema os avós eram analfabetos, o que impossibilita o diagnóstico.

Pesquisas como as do grupo americano, que reuniu, entre outras, as Universidades de Yale, de Nebraska, do Colorado, de Connecticut e do Alabama, podem ajudar cada vez mais quem trabalha com distúrbios de aprendizagem.

Isso porque, tendo comprovada a relação familiar, fica mais fácil identificar uma criança disléxica de outra com dificuldades provocadas por outros fatores.

"Sabendo que uma criança com dificuldades para ler e escrever tem outro irmão, ou pais, ou tios, com o problema, o diagnóstico fica mais fácil", diz a pesquisadora.

Atualmente, sabe-se que quando os pais são disléxicos, há cerca de 50% de chance de os filhos terem o problema. A porcentagem é a mesma para o caso de irmãos. Pesquisas apontam que a hereditariedade atinge de 44% a 75% dos casos.

Pesquisas científicas neurobiológicas recentes concluiram que o sintoma mais conclusivo acerca do risco de dislexia em uma criança, pequena ou mais velha, é o atraso na aquisição da fala e sua deficiente percepção fonética. Quando este sintoma está associado a outros casos familiares de dificuldades de aprendizado - dislexia é, comprovadamente, genética, afirmam especialistas que essa criança pode vir a ser avaliada já a partir de cinco anos e meio, idade ideal para o início de um programa remediativo, que pode trazer as respostas mais favoráveis para superar ou minimizar essa dificuldade.

A dificuldade de discriminação fonológica leva a criança a pronunciar as palavras de maneira errada. Essa falta de consciência fonética, decorrente da percepção imprecisa dos sons básicos que compõem as palavras, acontece, já, a partir do som da letra e da sílaba. Essas crianças podem expressar um alto nível de inteligência, "entendendo tudo o que ouvem", como costumam observar suas mães, porque têm uma excelente memória auditiva. Portanto, sua dificuldade fonológica não se refere à identificação do significado de discriminação sonora da palavra inteira, mas da percepção das partes sonoras diferenciais de que a palavra é composta. Esta a razão porque o disléxico apresenta dificuldades significativas em leitura, que leva a tornar-se, até, extremamente difícil sua soletração de sílabas e palavras. Por isto, sua tendência é ler a palavra inteira, encontrando dificuldades de soletração sempre que se defronta com uma palavra nova.

Porque, freqüentemente, essas crianças apresentam mais dificuldades na conquista de
domínio do equilíbrio de seu corpo com relação à gravidade, é comum que pais possam submete-las a exercícios nos chamados "andadores" ou "voadores". Prática que, advertem os especialistas, além de trazer graves riscos de acidentes, é absolutamente inadequada para a aquisição de equilíbrio e desenvolvimento de sua capacidade de andar, como interfere, negativamente, na cooperação harmônica entre áreas motoras dos hemisférios esquerdo-direito do cérebro. Por isto, crianças que exercitam a marcha em "andador", só adquirem o domínio de andar sozinhas, sem apoio, mais tardiamente do que as outras crianças.
Além disso, o uso do andador como exercício para conquista da marcha ou visando uma maior desenvoltura no andar dessa criança, também contribui, de maneira comprovadamente negativa, em seu desenvolvimento psicomotor potencial-global, em seu processo natural e harmônico de maturação e colaboração de lateralidade hemisférica-cerebral.

Na Primeira Infância:

1 - atraso no desenvolvimento motor desde a fase do engatinhar, sentar e andar;
2 - atraso ou deficiência na aquisição da fala, desde o balbucio á pronúncia de palavras;
3 - parece difícil para essa criança entender o que está ouvindo;
4 - distúrbios do sono;
5 - enurese noturna;
6 - suscetibilidade à alergias e à infecções;
7 - tendência à hiper ou a hipo-atividade motora;
8 - chora muito e parece inquieta ou agitada com muita freqüência;
9 - dificuldades para aprender a andar de triciclo;
10 - dificuldades de adaptação nos primeiros anos escolares.

A Partir dos Sete Anos de Idade:

1 - pode ser extremamente lento ao fazer seus deveres:
2 - ao contrário, seus deveres podem ser feitos rapidamente e com muitos erros;
3 - copia com letra bonita, mas tem pobre compreensão do texto ou não lê o que escreve;
4 - a fluência em leitura é inadequada para a idade;
5 - inventa, acrescenta ou omite palavras ao ler e ao escrever;
6 - só faz leitura silenciosa;
7 - ao contrário, só entende o que lê, quando lê em voz alta para poder ouvir o som da palavra;
8 - sua letra pode ser mal grafada e, até, ininteligível; pode borrar ou ligar as palavras entre si;
9 - pode omitir, acrescentar, trocar ou inverter a ordem e direção de letras e sílabas;
10 - esquece aquilo que aprendera muito bem, em poucas horas, dias ou semanas;
11 - é mais fácil, ou só é capaz de bem transmitir o que sabe através de exames orais;
12 - ao contrário, pode ser mais fácil escrever o que sabe do que falar aquilo que sabe;
13 - tem grande imaginação e criatividade;
14 - desliga-se facilmente, entrando "no mundo da lua";
15 - tem dor de barriga na hora de ir para a escola e pode ter febre alta em dias de prova;
16 - porque se liga em tudo, não consegue concentrar a atenção em um só estímulo;
17 - baixa auto-imagem e auto-estima; não gosta de ir para a escola;
18 - esquiva-se de ler, especialmente em voz alta;
19 - perde-se facilmente no espaço e no tempo; sempre perde e esquece seus pertences;
20 - tem mudanças bruscas de humor;
21 - é impulsivo e interrompe os demais para falar;
22 - não consegue falar se outra pessoa estiver falando ao mesmo tempo em que ele fala;
23 - é muito tímido e desligado; sob pressão, pode falar o oposto do que desejaria;
24 - tem dificuldades visuais, embora um exame não revele problemas com seus olhos;
25 - embora alguns sejam atletas, outros mal conseguem chutar, jogar ou apanhar uma bola;
26 - confunde direita-esquerda, em cima-em baixo; na frente-atrás;
27 - é comum apresentar lateralidade cruzada; muitos são canhestros e outros ambidestros;
28 - dificuldade para ler as horas, para seqüências como dia, mês e estação do ano;
29 - dificuldade em aritmética básica e/ou em matemática mais avançada;
30 - depende do uso dos dedos para contar, de truques e objetos para calcular;
31 - sabe contar, mas tem dificuldades em contar objetos e lidar com dinheiro;
32 - é capaz de cálculos aritméticos, mas não resolve problemas matemáticos ou algébricos;
33 - embora resolva cálculo algébrico mentalmente, não elabora cálculo aritmético;
34 - tem excelente memória de longo prazo, lembrando experiências, filmes, lugares e faces;
35 - boa memória longa, mas pobre memória imediata, curta e de médio prazo;
36 - pode ter pobre memória visual, mas excelente memória e acuidade auditivas;
37 - pensa através de imagem e sentimento, não com o som de palavras;
38 - é extremamente desordenado, seus cadernos e livros são borrados e amassados;
39 - não tem atraso e dificuldades suficientes para que seja percebido e ajudado na escola;
40 - pode estar sempre brincando, tentando ser aceito nem que seja como "palhaço" ;
41 - frustra-se facilmente com a escola, com a leitura, com a matemática, com a escrita;
42 - tem pré-disposição à alergias e à doenças infecciosas;
43 - tolerância muito alta ou muito baixa à dor;
44 - forte senso de justiça;
45 - muito sensível e emocional, busca sempre a perfeição que lhe é difícil atingir;
46 - dificuldades para andar de bicicleta, para abotoar, para amarrar o cordão dos sapatos;
47 - manter o equilíbrio e exercícios físicos são extremamente difíceis para muitos disléxicos;
48 - com muito barulho, o disléxico se sente confuso, desliga e age como se estivesse distraído;
49 - sua escrita pode ser extremamente lenta, laboriosa, ilegível, sem domínio do espaço na página;
50 - cerca de 80% dos disléxicos têm dificuldades em soletração e em leitura.




Fonte:  “O Estado de SP”:

O Papel da Psicanalise.

O mundo nunca é o mesmo para nós depois de estudamos química, fisica, biologia, astronomia, geologia etc.. As ondas da praia, o gelo, a terra, as rochas sobre nossos pés, assim como a Via Láctea sobre nossas cabeças, tudo é novo e diferente assim como era antes. Do mesmo modo a Psicanálise permite-nos compreender mais sobre as pessoas que nos rodeiam do que o podíamos. Dá-nos uma nova dimensão em nossa visão do mundo de seres humanos como nós.
Por suas descobertas, a psicanálise permite-nos ter um quadro mais apurado, mas completo e mais acabado da vida mental e comportamental do homem - do homem enquanto pessoa. Da física, sabemos que um objeto físico é o que parece ser aos nossos sentidos desarmados. Do mesmo modo. sabemos, pela psicanálise, que cada pensamento, cada ação, é determinado de modo bem mais complexo de que se podia imaginar antes que Freud delineasse o método psicanalítico de investigação emocional. 
Sabemos que tudo que fazemos ou pensamos, está moldado , em partes, pelas forças do ID (inconsciente), isto é, pelo legado dos desejos instintivos da infância, em parte pelas defesas contra esses desejos (Ego), em parte pelas exigências morais (o superego), em partes pelas circunstâncias externas, correntes, assim como pelas oportunidades de gratificação que nos oferecem.



Na psicanálise, pode-se ver como é grande o papel exercido na motivação humana pelos impulsos e pelos conflitos que se originam. KRIS (1947) escreveu que a psicanálise é o comportamento humano visto como conflito - um epigrama totalmente psicanalitico, que exprime uma profunda compreensão interna (insight) da natureza humana. O homem é um criatura cujos apetites animais, molados pelas experiências na infância, constituem as principais motivações que o impelem a agir por toda a vida.
Os impulsos, as funções do EGO que atuam como seus executantes, ou como defesas contra ansiedades, culpas, conflitos, e o grande papel exercido pelos processos inconscientes da vida mental, são todos partes da perspectiva psicanalitica do homem. 
É sem dúvida, a perspectiva mas compreensivel que se tem até o momento a respeito do tratamento clinico das patologias mentais e obviamente da cura destas patologias.

Psicose Paranóide.

Hoje realmente é um dia triste. 
As 8:30 da manhã do dia de hoje um doente mental entrou em uma escola no RJ e atirou em 28 pessoas e em si mesmo, levando a óbito ,até o momento, 11 delas. Diante das repercussões e dos fatos, vejo um quadro clínico severo desse individuo. 
A meu modesto sentir, trata-se de um caso de Psicose Paranóide, por todas as circunstâncias envolvidas. Obviamente isto não é um diagnóstico e sim apenas a minha posição a respeito. Diante dessa tragédia, resolvi postar o que realmente significa esta enfermidade para leigos. Percebam:

O termo paranóide, que designa este tipo de personalidade deriva de paranóia, por sua vez resultante da expressão grega “para nous”.

A descrição clássica das personalidades paranóides comporta quatro elementos principais: a hipertrofia do eu é o traço principal que se exprime pelo orgulho, a certeza de ter razão, o desprezo, desqualificação ou exploração dos outros, rigidez e intolerância que roçam o fanatismo.

A desconfiança domina as relações com os outros e vai desde o sentimento de ser incompreendido, não estimado ou isolado, à suspeita activa e à interpretação das atitudes do outro sentidas como hostilidade sistemática.

Os erros de julgamento que não põem em causa a inteligência, mas que se compreendem a partir da submissão do pensamento lógico às posições afectivas, alimentam atitudes megalómanas, de perseguição, de ciúme, erotomaníacas, etc.

Por fim, a inadaptabilidade é a resultante social destas atitudes psicológicas. As dificuldades relacionais nos domínios familiar, profissional e pessoal levam a um isolamento social e a uma retirada do investimento no próprio, o que acentua ainda mais os outros grupos.

Estas pessoas são geralmente litigantes, com tendência para exagerar as dificuldades, hipervigilantes, tendendo a evitar a culpa mesmo quando é justificada.

Revelam extrema dificuldade em aceitar críticas dirigidas a si próprios, evitam a intimidade, ostentando uma necessidade excessiva em serem auto suficientes.



CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO DE PERTURBAÇÃO DA PERSONALIDADE PARANÓIDE

A. Tendência persistente e injustificada, começando no início da idade adulta e presente em vários contextos, para interpretar as acções dos indivíduos como aviltantes ou ameaçadoras, como indicado por pelo menos quatro das seguintes manifestações:

1- Expectativas, sem fundamento, de ser explorado ou ofendido pelos outros;

2- Dúvida, sem fundamento, da lealdade e fidelidade dos amigos e conhecidos;

3- Leitura de significados ameaçadores ou aviltantes em acontecimentos inocentes, por exemplo, suspeitar que o vizinho deita fora o lixo para o irritar;

4- Suporta com má vontade e nunca se esquece de insultos ou lapsos alheios;

5- Tem relutância em confiar nos outros por um medo injustificado de que a informação seja usada contra ele;

6- Descamba fácil e rapidamente para reacções de raiva ou contra-ataque;

7- Dúvida, sem fundamento, da fidelidade do cônjuge ou do parceiro sexual.

8- Ocorre não exclusivamente durante a evolução de Esquizofrenia ou de outra Perturbação Delirante."

TDC - Transtorno Dismórfico Corporal.


A dismorfofobia tem sido estudada há décadas na Europa e Japão enquanto que nos Estados Unidos da América do Norte tem sido menos tratada.

O transtorno dismórfico corporal (TDC) se refere a preocupação excessiva por um defeito corporal mínimo o por defeitos corporais imaginários.

Hoje a obesidade não a mórbida isto é obesidade patológica mas aquela de Ter o corpo esbelto vem senso também um transtorno dismórfico corporal (TDC) ocasionando o quadro de anorexia que é a redução ou perda de apetite; patológico atingindo feições psiquiátricas.

O TDC ( Transtorno Dismórfico Corporal) foi introduzido no DSM-III com a denominação de Dismorfofobia e no CIE-10 inclui o TDC dentro dos transtornos hipocondríacos, sem fazer diferença das preocupações físicas das estéticas. O DSM-IV estabelece os critérios diagnósticos do TDC (Transtorno Dismórfico Corporal), com modificações relacionada com o DSM-III-R. Este último o descreve como um transtorno somatomorfico não delirante, numa pessoa com aparência normal. Ambas definições são modificadas pelo DSM-IV.

DIAGNÓSTICO DO TDC(Transtorno Dismórfico Corporal)
A - Preocupação por algum defeito imaginário do aspecto físico. Quando ha leves anomalias físicas, a preocupação do indivíduo é excessiva.

B - A preocupação provoca mal estar clinicamente significativo e a desintegração social, profissional ou de outras áreas importantes da atividade do indivíduo.

C - A preocupação não se explica de forma mais nítida pela presença de outro transtorno mental (por.exemplo a insatisfação com o tamanho e a silhueta corporal na anorexia nervosa.

COMO SURGE A HIPOCONDRIA NO TDC

A hipocondria é a afecção mental em que há depressão e preocupação obsessiva com o próprio estado de saúde: o doente, por efeito de sensações subjetivas, julga-se preso a condições mórbidas na realidade inexistentes e passa a procurar, permanentemente, tratamentos que, além de descabidos, são muitas vezes perigosos (medicações, intervenções cirúrgicas, etc.:

No TDC:

A- Existe preocupação por medo de ter uma enfermidade grave baseada na má interpretação dos sintomas corporais.

B- Persiste apesar de uma avaliação médica adequada e de comentários que tranqüilizam o paciente.

C- A crença não é de tipo delirante e não se limita a preocupações sobre o aspecto físico.

D- Provoca uma alteração clínica significativa ou alteração das funções sociais, profissionais ou de outras áreas na atividade do indivíduo.

E- Deve ter uma duração mínima de 6 meses.

F- Não acontece durante o curso de um transtorno de ansiedade generalizada, transtorno obsesivo-compulsivo, transtorno de angustia, episódio depressivo ansiedade por separação ou outro transtorno somatomorfo.

QUEM ESTÁ SUJEITOS AO TDC 

Aparece em proporções iguais em homens e mulheres, sendo a idade de aparecimento a terceira década de vida, sendo a idade média de inicio os 17 anos. Alguns estudos demonstram que a clinicamente começa na adolescência, época em que o indivíduo está mais preocupado de sua autoimagem na vida social.

Existem dois picos: Um na adolescência no inicio da idade adulta e outro, somente em mulheres, durante a menopausa.

É um transtorno crônico, intensidade variável, com oscilações e altos e baixos dos sintomas

CAUSAS DO TDC

Fatores biológicos. Com a fisiopatología da serotonina:. Os fármacos denominados inibidores da recaptação da serotonina são usados com êxito nos transtornos obsessivos compulsivos, e são úteis no TDC. (Transtorno Dismórfico Corporal) Existem áreas do cérebro que se vêm atuadas por esta medicação. A serotonina atua mantendo idéias e pensamentos sob controle.

Fatores psicológicos.: Indivíduos ansiosos, perfeccionistas, tristes, são mais susceptíveis de desenvolver este transtorno. A isto tem que se acrescentaras experiências vividas criando-se personalidades suscetíveis com baixa auto estima, insegurança introversão. dificuldade para as relaciones interpessoais, tipos esquizóides que são as pessoas de constituição mental em que se observa tendência à solidão, insociabilidade, introspeção e má adaptação à realidade exterior. ,tipos neuróticos que são pessoas com um de vários tipos de distúrbio emocional cuja característica principal é a ansiedade, e em que não se observam nem grandes distorções da realidade externa, nem desorganização da personalidade; nevrose,. obsessões., narcisismo pessoas com ; amor excessivo a si mesmo., pais críticos e severos e traumas infantis.

Fatores sociais e culturais.: São muitos os apelos publicitários nos meios de comunicação que propagam a compra de cremes, loções, aparelhos para tornar o corpo esbelto. Os defeitos que são objeto de preocupação são diferentes dependendo do país e cultura.

LOCALIZAÇÃO DO TDC

A localização é variável podendo aparecer preocupações sobre as características faciais; pele: rugas, cicatrizes, acne, manchas, palidez, varizes vasculares, enrubescimento facial, arranhar a pele, ou ter obsessão- com cravos, provocando cicatrizes ao tentar arranca-lo, inclusive com gilete; excesso de pelos faciais, perda excessiva de cabelo, pelo demasiado fino. A tricolomanía(mania por pelos) é comum. tanto em homens como em mulheres. Tamanho do nariz, orelhas, forma da face. assimetria facial. sintomas orais, dor bucal, tumefação da língua, sensação de queimação nos lábios. sintomas venereológicos, fazem referência a mal estar peniano ou testicular. Em ocasiões aparece o antecedente de contato sexual com o conseqüente temor ao contagio de alguma enfermidade venérea. na mulher surgem problemas com a vulva que é a parte externa dos órgãos genitais femininos, que inclui grandes e pequenos lábios, vestíbulo vaginal, etc. Também se focalizam problemas de TDC(Transtorno Dismórfico Corporal) nos seios, nádegas, órgãos sexuais.

Estas pessoas recorrem ao médico clínico para solicitar ajuda sobre seus possíveis defeitos, assim como pedir indicações de dermatologistas e cirurgiões plásticos. Em torno de 2% a 7% dos pacientes que se dirigem a cirurgia plástica são portadores de TDC.

Dismorfia muscular ou Vigorexia:

Os homens dedicados ao culturismo , assíduos freqüentadores de academias de ginástica e de halteres, amiúde se consideram fracos, apesar de ter uma musculatura mais desenvolvida que os demais indivíduos. Se tornam além de fanáticos pela prática de desenvolvimento muscular, praticantes de rígidos regimes alimentares, com suplementos dietéticos. Inclusive alguns tomam anabolizantes para ganhar massa muscular. O uso destes começam freqüentemente nas escolas. O uso de anabolizantes é problemático e causam problemas psiquiátricos a curto prazo, com condutas agressivas e maníacas, e a depressão. O médico e psicólogos deverão suspeitar abuso de esteróides ao olhar o corpo do paciente. Interfere com o normal funcionamento do adolescente e provoca um isolamento social. Alguns desistem de suas carreiras de advogado, médico, empresário etc pela necessidade de ter mais tempo para freqüentar a academia.

Alguns homens com o complexo de Adonis terminam preocupando-se com a gordura e começam a desenvolver problemas alimentares. A bulimia que é o distúrbio mental que predomina em mulheres e que começa, geralmente., na adolescência ou no início da fase adulta, caracterizando-se por episódios de ingestão de grande quantidade de alimento, que culminam com o aparecimento de dor abdominal, ou vômito provocado pelo próprio indivíduo, que, consciente de que o fenômeno é anormal, teme não ser capaz de detê-lo voluntariamente, e passa a experimentar autocondenação e depressão, com vômitos provocados e abuso de laxantes, sendo menos freqüente em homens do que em mulheres. Entretanto a voracidade para comer se dá igualmente nos dois sexos.

OUTROS TRANSTORNOS QUE GERAM O TDC

Preocupações fisiológicas pela imagem corporal; consomem menos tempo, não interferindo na vida do indivíduo. São menos intensas.

Transtorno de personalidade narcisista ou histriônico. No indivíduo histriônico que é a pessoa sem conteúdo e superficiais o desejo de perfeição da imagem corporal se baseia na obtenção de êxito com o sexo oposto.

Traços de caráter.

Hoje resolvi escrever e exemplificar um assunto que acredito ser de grande importância para  o desenvolvimento psicológico do indivíduo: Os traços de caráter.
Desde já é importante salientar que a palavra caráter está diretamente relacionada as características emocionais de cada sujeito.
É quase unanimidade entre os profissionais, que, uma das tarefas mais difíceis de nossa profissão é classificar o que é "normal" do que é patológico. Em função da enorme gama de possibilidades, posso resumidamente explicitar que o traço normal de caráter tudo que é uma fonte de prazer para o indivíduo, sem que seja autoprejudicial e que se apresente como socialmente aceitável.

Freud com o apoio de outros psicanalistas desenvolveram uma nomenclatura de tipos carcteriológicos derivada da ligação entre um traço de caráter e uma fase particular do desenvolvimento da Libido (Orais, Anais e Fálicos).
Em sua maioria os traços de caráter predominante, normalmentente surgem na fase Anal da Libido infantil, pela mesma razão, encontra traços em sujeitos desorganizados, sujos ou relaxados com sua aparência ou com tendências de chocar através dela (assim como seus opostos).
A auto-segurança, o Otimismo e a generosidade (assim como seus opostos), tem sido igualmente descritos em pacientes como traços de caráter orais.
A ambição, a necessidade de reconhecimento e admiração (assim como seus opostos) tem sido rotuladas de traços de caráter fálicos. Esta teoria cracterizou a primeira fase do desenvolvimento da psicanálise.

Para melhor ilustrarmos o descrito, daremos o exemplo de uma mulher de vinte e cincos anos, cujo estilo de vida a caridade era o traço de caráter predominante. A paciente procurou o Analista em função de sintomas neuróticos severos. No Curso do tratamento percebeu-se que sua caridade estava tão intimamente relacionada aos conflitos da infância quanto seus sintomas neuróticos ( embora fosse classificada com traços de caráter normal, pois os mesmo não afetavam diretamente a sua busca de prazer e por consequencia eram mais que aceitáveis em sociedade).



Numa fase remota da infância, a paciente ficou separada da mãe por longos períodos de tempo. As circunstãncias dessas separações tornavam-se claras que mesmo quando juntas, sua relação com a mãe deve ter sifo bastante insatisfatória e frustrante. Os laços de grande ambivalência entre ela e a mãe, e os conflitos gerados eram de primordial importância nos sintomas neuróticos da paciente, além disso eram os principais determinantes de sua caridade. Desde muito cedo, fora a protetora dos irmãos mais novos, crianças tão desamparadas quanto ela mesma, e como ela, sujeitas ao temperamento e comportamento imprevisível da mãe. Embora fosse apenas alguns anos mais velha que os irmãos, defendia-os, sustentava suas causas, tentava protege-los dos castigos e consoláva-os em suas tristezas, como se fosse mais sua mãe do que sua irmã. Na vida adulta, sentiu e viveu a a mesma necessidade de ajudar os "pequeninos" pobre e maltratados, devotando-se com ardor as obras de caridade e instituições de proteção animal, a qual ajudava com empenho e grande esforço. Junto a generosidade para com os oprimidos, havia o desprezo e o ódio, igualmente fortes, contra os opressores - O establishment (ordem ideológica).
Aqueles a quem socorria eram inconscientemente comparados a ela e aos irmãos quando crianças. Os que odiava eram inconscientemente aquilo que a mãe fora para eles na infância. A força vingativa, voltava-se contra os opressores tanto quanto estava diretamente relacionada com a imagem da mãe assim o ETERNO ANSEIO DA PACIENTE POR UMA MÃE AMOROSA E ESTÁVEL. Eis aqui um exemplo de traço de caráter normal que deriva, sem dúvida, nas necessidades instintivas e nas frustrações da infância primitiva do paciente.
Espero com este POST ter ilustrado basicamente as devidas importâncias dos processos infantis bem como a relevância de que traços normais de caráter podem ainda assim, as respostas a neuroses da vida adulta.

A Libido.

O termo libido aparece primeira nas cartas enviadas de Freud para Fliess. Nestas cartas ele teoriza
"...a tensão sexual física aumenta até certo ponto de despertar a libido psíquica."
ou seja uma força quantitativa que poderia servir de medida dos processos e das transformações que ocorrem no campo da excitação sexual. É bem explicito na obra "Além do principio do prazer - 1920" que coube a Freud explicar tendência a repetição sexual, que por ele suposta só poderia ser explicada como a energia psíquica ou força a serviço da união. Em 1921 Freud recorre entao a mito de Eros do filósofo Platão para perceber que em sua função, origem e relação com o amor sexual, este mito coincide perfeitamente com a teoria psicanalítica da Libido. Surge os termos: Erótico, Erotização etc..
É importante salientar que o principio do prazer, serve de bússula ao ID (inconsciente) em sua luta contra a libído - força que introduz disturbios nos processos de vida. Desta colocação podemos extrair que, a Libido,  ao mesmo tempo que vem de uma força de reunir, ligar (Eros)  que traz a desordem, o conflito ao se ligar a outro individuo diferente.
Diante disso fica mais fácil entender algumas de nossas tendências de buscar o prazer psíquico/físico. A Libido é energia, busca a satisfação, é móvel (se investe e se desinveste de certos objetos) e se desloca, portanto nossas satisfações podem estar diretamente relacionadas com nossas insatisfações pois como vimos existem processos inconscientes que agem contra a nossa a Libido, sendo este um processo normal pois não interferem na capacidade do individuo de sentir prazer nem mesmo em sua habilidade de evitar graves conflitos com seu ambiente.

Psicanálise e a arte.

" As criações, obras de arte, são imaginárias satisfações de desejos inconscientes, do mesmo modo que os sonhos, e, tanto como eles, são, no fundo, compromissos, dado que se vêem forçadas a evitar um conflito aberto com as forças de repressão. Todavia, diferem dos conteúdos narcisistas, associais, dos sonhos, na medida em que são destinadas a despertar o inteesse noutras pessoas e são capazes de evocar e satisfazer os mesmos desejos que nelas se encontram inconscientes. À parte isto, fazem uso do prazer perceptivo da beleza formal, aquilo a que chamei um prémio-estímulo. Aquilo que a psicanálise foi capaz de fazer consistiu em captar as relações entre as impressões da vida do artista, as suas experiências causais e as suas obras e, a partir delas, reconstruir a sua constituição e os impulsos que se movem dentro dele. Não se deve julgar que o salaz que procura uma obra de arte se anule pelo conhecimento obtido pela análise. A este respeito é possível que o profano espere acaso demasiado da análise, mas deve advertir-se que ela não esclarece os dois problemas que são, provavelmente, os mais interessantes para ele: não esclarece quanto à natureza dos dotes do artista, nem pode explicar os meios de que o artista se serve para trabalhar a técnica artística. " Freud