Nossos laços...

Em meio as minhas colagens, bobagens, chistes e estudos acabei catalisando algumas associações, para fazer esta reflexão sobre nossos laços, mesmo aqueles em que se apagou, expurgou, excluiu, desovou, vaporizou, subtraiu etc e que nesta "altura do campeonato" não faz a menor diferença.
O que realmente faz toda a diferença são os laços que se cria.
É importante destacar que a fonte de sofrimento mais penosa para nós é resultante de nossas relações com os outros.
Mas afinal o que é laço...não é um nó que se desata sem esforço??
Quando se dá um presente a alguém se dá com laço para que seja provisório, frágil e incapazes de amarrar todo o real presente ou caso contrário se daria um nó muito apertado...

O Mal-estar que sempre ronda toda as formas de laço é o preço que pagamos pela eminente perda do "inferno-paradisíaco” da falta de compromisso.

Ao optar pela linguagem...o ser humano renunciou à possibilidade de acesso ao real, que se tornou para nós, impossível de ser completamente acessado.
É interessante que se criou o "mal-estar dos laços", portanto o mal-estar da linguagem, que não é capaz de dar conta de todo o real por pura falta de habilidade de cada um.

Este emaranhado de palavras juntas podem não fazer sentido como um discurso, mas a linguagem do discurso vai muito além da fala e da compreensão...é aquele "saber oco" que nos interessa...e esse saber que acredito muitos tenhamos e que devemos compartilhar, não como forma narcisística de saber..mas como forma altruista de ajudar.



Se colocarmos alguem na terceira pessoa (seja lá qual for) faremos  um exercício fabuloso de acreditar que ele será mais ele, se eu for realmente "EU".

Texto difícil? Tenho certeza que não... Na voz que damos ao nosso "EU", ainda perceberemos o sabor da ligadura das palavras e linhas de raciocínio...emfim, esta união não são nós e sim laços...deixa-a deslizar e não fique "cutucando" com a unha, como se tenta desatar um nó.

Diante da "briga ferrenha" que travo para não ser "chato" e ao mesmo tempo não ser um "prepotente teórico", ainda me permito opinar sobre o que chamamos normalmente de projeção.
Nossos projetos (também sejam eles quais forem) devem se fundamentar nesta fusão de desejos e de necessidades, de laços e de nós. O que realmente importa ao presente e o que precisamos apertar para que não seja desfeito. Permita-se

Ao usar nosso conhecimento (forjado muitas vezes aguardando o trânsito desengarrafar) em teu próprio benefício, acabará por beneficiar quem também pode precisar desta sua forja e não tem forças para pedir...

Reflita comigo:
Muitas pessoas ao invés de escrever ,tentando ajudar animais de estimação que precisam de espaço e voz por exemplo....Como seria se estas pessoas escrevessem, sobre as príorias experiências bacanas quando crianças?
Como seriam estes textos?
Será que eles viriam recheados de histórias com a amigas e amigos?
Será que eles seriam voltados ao choque entre a cidade grande e a cidade  pequena?
Será que eles contribuiriam para minimizar o sofrimento de alguma criança ou pai que os lê?

Neste momento, vem a pergunta: "Que raios o Cleber está tentando me dizer"?..
Bom, a resposta nem eu mesmo sei...porém fica a pergunta:

- "Será que ajudando a educar estas crianças leitoras (sejam elas meus filhos ou não)  para que saibam o real valor de seus amiguinhos, não serei mais eficiente e feliz?

Ajudando aos outros, ajudamos a nós mesmos...
Espero que tenham compreendido esse emaranhado de nós...que chamei propositalmente de "Nossos laços", pois caso você não tenha percebido, acabamos de criar um:
Eu escrevendo e você me presenteando com sua atenção.

Wilfred Bion

Ontem em uma das minhas jornadas de estudo, junto ao CBP/RS, tive uma visão diferente sobre a comunicação e de todo processo psicanalítico. A transferência de Bion e se tornou vínculo,  que é aquele lugar nebuloso aonde se situam as pulsões do paciente e do analista desde que desprovido de memórias e percepções sensoriais. Neste sentido o vinculo não se cria...se produz, com o material em que o paciente não consegue sofrer, perdendo completamente a visão de atribuir exclusivamente ao paciente a fragilidade mental ou de incutir nele a interpretação da defesa como ataque a projeções de partes más, inclusive quando o analista se defronta com estas situações clínicas e reage com teorias clássicas, estando  ELE mais perto da fragilidade psicótica do que imagina, recorrendo a estas teorias existentes para reprimir ou fugir da situação de perturbação do compreender. Desta forma Bion criou a teoria da comunicação também para psicóticos (antes desprezados pela impossibilidade de análise). Esta teoria e foco de observação clínica, mostrou coerencia nos pacientes psicóticos como uma forma de transmissão de dados sendo que estes pacientes privilegiam a ação e não o pensamento conexo. O lugar da interpretação é tensa a fragilidade analítica, aonde o profissional poe a algo de mnemonico ou perceptivo, no lugar compreensico, para evitar o seu sofrimento eminente de não conexão ou falta de compreensão intelígivel.

O discurso do canalha

Diante de certos ambientes não é muito simples ser conversado ou escrito coisas que habitam o campo do erotismo, do amor, da sexualidade e da satisfação enquanto tal. Isto percorre o mais íntimo de nosso ser e se inscreve como sendo o que há de mais particular de um individuo. Diante disso, não é de todo raro lermos, ouvirmos ou até mesmo sentirmos mulheres realmente identificadas com o "discurso do canalha". O discurso da canalha é quando alguém se faz passar por aquele que acredita saber qual é o bem do outro, que diz qual é o teu desejo, o que você deve fazer, ou seja, é quando alguém se apropria de um lugar indevido para ditar os caminhos de um desejo que é irremediavelmente particular. É quando alguém diz o certo e o errado, a verdade sobre o verdadeiro, o que você deve fazer e escolher. Sempre amputando as contingências de sua própria vida. Lembram daquela sensação de "Ele vai resolver tudo para mim?" ou "Ele sabe como lidar com isso.." "Ele é um imbecil, mas tem pegada"
Afinal, moça, permita-se responder: O que realmente você quer? O que é "pegada"?
Fizemos nossas opções e arcamos com o ônus de nossas escolhas.
De início, é preciso dizer que a sexualidade (não necessáriamente genital) está presente em todas as dimensões da vida familiar, social, econômica, política. Tudo depende da sexualidade, pois ela é estrutura de linguagem, está presente em suas palavras, nas entrelinhas daquilo que é dito ou não, em seu olhar, na sua voz, nos seus comportamentos. Ao optarmos pelo canalha, pagamos um preço, é lógico! Enfrentarmos tropeços e impasses frente às nossas escolhas, responsabilidades, ordenamento de lei. Nesse sentido, o privado funda o público, quer dizer, você precisa ter a ciência de este mesmo canalha, compartilhará outras vidas, já que ele necessita delas, como o próprio ar para sobreviver.
Sim, não é tão fácil manter viva uma relação a dois, suportá-la, administrá-la, contornar suas impossibilidades. Cumplicidades! Mais difícil ainda é poder suportar a magistral exuberância de uma relação com várias sombras a sua volta.
Tenha isso como fetiche, nunca como alvo de "adoração" sexual, pois as sequelas podem não ter o mesmo gosto doce-acido da fantasia. Ele pode se tornar uma droga muito mais forte, muito mais poderosa que a cocaína, você sabia? Ele pode se tornar um vício hediondo, incurável, um prazer sexual fantasiado de algo que você apenas se atrai, mas não conheçe. Seria lutar contra algo invisivel.
Diante disso, tenha em mente que o canalha, pode ser uma saída sintomática, não uma escolha, uma opção de desejo; e dessa forma você acabará se distanciando tanto da relação com o outro sem conseguir mais retornar à realidade de uma vida amorosa. Tente fazer este retorno e transformar quem lhe toma ou tomou a vida em algo experiente..um estágio..um aprimoramento, pois se pensar desta forma, você certamente estará preparada para quando o "verdadeiro homem" chegar não somente para o "macho parasita" que surgiu em algum momento de sua vida.

Neurose Histérica

A estrutura de uma neurose histérica é a que mais se aproxima daquilo designado como normal; nela o controle do ego é derrubado, ocorrendo ações a que o ego não visa. A denominação histérica vem do grego “hysteron” que significa útero e como foi percebida entre as mulheres naqueles tempos, denominou-se histéricas as mulheres que apresentavam quadro de sintomas comuns. Os principais sintomas são a teatralidade, sugestionabilidade, necessidade de atenção constante e manipulação emocional das pessoas ao seu redor. O neurótico histérico pode desmaiar, ficar paralítico, sem fala, trêmulo, e desempenhar todo tipo de papel de doente.
A estrutura histérica ocorre com mais freqüência nas mulheres do que nos homens, devido ao fato de apresentarem uma maior complicação no desenvolvimento sexual, a menina se sente castrada e por isso é levada a passividade.



O primado genital mostra-se evidente, o indivíduo histérico apresenta fixações à fase fálica, guardando fortes componentes orais que jamais se tornarão organizadores.  A formação dessa estrutura se dá pelo modo que se supera o complexo de Édipo; Os investimentos objetais mostram-se facilmente móveis e variados. Os indivíduos histéricos ou jamais superaram a sua escolha objetal primitiva ou nela se fixam de tal forma que ao surgir alguma frustração posterior, retornam ao objeto.
A força do componente erótico é a principal característica do modo de estruturação histérica, toda sexualidade representa o amor incestuoso infantil, então o desejo de reprimir o complexo de Édipo faz com que haja repressão da sexualidade, as idéias reprimidas continuam inalteradas no inconsciente, exercendo influência, mesmo que o individuo adulto apresente quadro normal ou acima da média social, sexualmente falando. 
Os histéricos têm medo de não serem amados e assim tentam influenciar diretamente as pessoas que os cercam a fim de dissuadi-los de fazer as coisas que eles temem.
O histérico passa da realidade para fantasia, substitui objetos sexuais reais por representantes infantis; processo denominado introversão; e a somatização se dá com a tradução de fantasias específicas em linguagem corporal diretamente.
Na histeria, a angústia é expressa através do corpo; pode apresentar os sintomas da seguinte forma: manifestações agudas; grandes ataques, crises menores, quadros dissociativos e quadros funcionais duradouros; como paralisias, anestesias e transtornos sensoriais, crises de chouro, solidão, etc...tendo como característica principal a forma exagerada que se apresentam esses sintomas. O caso de Anna O. foi o mais famoso, não somente pelo "Arco Muscular" formado pela paciente, mas sim pelo estudo em conjunto de Charcot, Breuer, Freud.
Na neurose histérica encontram-se dois grupos: a neurose histérica de conversão no que se caracteriza pela necessidade do neurótico em chamar a atenção sobre si, de vislumbrar e de conquistar a piedade dos outros, usando para isso, doenças com utilização de órgãos alvo, usa de comportamentos frágeis e delicados para atrair os outros e a neurose histérica de angústia que evidencia a projeção da personalidade que é frustrante, em outra que agrade o indivíduo ou seja uma pessoa infeliz e insatisfeita, pode ser representada por um individuo aparentemente, forte, feliz e seguro de suas açoes, utilizando-a assim no lugar daquela geradora de angústia e de ansiedade. Para chegarmos o processo de AB-REAÇÃO é necessário o rememoramento do evento traumático, que normalmente se deu de forma passiva, caso contrário a patologia seria outra.

30 anos de procura do "Eu"

Nesta idade muitos já estão formados e inseridos no mercado de trabalho, alguns solteiros outros casados. Alguns moram com os pais ou com namorados, adminstrando o seu próprio ganho.
Sentem-se com autonomia para gerir suas vidas, principalmente os que não vivem com os pais.
Percebem que agora alguns sonhos e desejos, podem ser realizados.
Quase não dependemente financeiramente, tem liberdade para decidirem sobre sua vida amorosa, social e profissional.
Coisas que vinham sendo adiadas, para adquirir, ou exercer, como esportes mais sofisticados, profissões que sempre ambicionaram, ascenção no trabalho, estão mais perto de suas mãos.
Por que não?


Começam a se questionar, sobre o fizeram até então, esta é minha verdadeira aptidão para a profissão que escolhi, consigo me adaptar neste trabalho, será que gosto mesmo deste namorado ou marido, irei casar ou ter filhos??
Parece que, tudo o que aconteceu em suas vidas, não foi escolha sua. Então teria sido de quem?
Nesta fase, ficam inseguros, entram em conflito consigo e podem manifestar sintomas, de pânico, depressão, mania, chegando a despersonalização.
Questionam-se sobre sua verdadeira capacidade, temem que ao mudar alguma coisa podem perder tudo.
Muitas dívidas e inseguranças, que parecem pertencer a uma outra fase do ciclo de vida, a adolescência.
Um outro tipo de adolescência, pós adolescência, uma fase que os leva a re constituir e rever a contrução de seu Eu.
Ao se depararem com estes impasses, começam a manifestar sintomas psicossomáticos e buscam ajuda médica e psicológica.
No decorrer de seu tratamentos, vão percebendo como se sentem fragilizados diante desta passagem, do mundo adolescente para o mundo adulto.
Não associam à principio seus sintomas com seus conflitos emanados do mundo externo, refletindo no seu mundo interno.
Não me parece uma questão pontual, um problema localizado num aspecto, pessoal, social ou profissional.
Parece ser um momento de reelaboração de questões primárias, infantis, que ainda permanecem em suas mentes adolescentes.
Como a saída de casa destes jovens está sendo cada vez mais tarde, e as demandas do mundo externo estão cada vez mais árduas, diante das incertezas quanto ao sucesso, maior se torna a exigência de contar com um Eu estruturado.
Um Eu que possa negociar o rompimento com os os pais da infância, questionar valores, expectativas familiares, ou de grupos adolescentes, e começa a re valorizar conceitos, costumes, atitudes, mais próprias.
Todo este processo tem as vezes um alto preço, mas justamente nesta fase de desafios, estes jovens querem pagar este preço.
Sofrem porque querem mudar, porque estão em movimento de vida.
Como psicanalistas temos tentado compreender as reações deste jovens, diante deste mundo globalizado em contantes mudanças.

Agressividade Transferencial


A agressividade transferencial esta diretamente relacionada ao grau de regressabilidade do paciente. Quanto mais atuantes forem as partes arcaicas do Psiquismo, mas agressivo o sujeito se mostra, tendendo a sugestões ou críticas como hostis e pessoais, porém é esta mesma regressividade controlada que permite ao paciente o reajustamento em nível mais adulto. So poderemos corrigir os erros cronologicos via a analise desta regressão.
Os sintomas e os respectivos conflitos só podem ser superados, revivendo então os problemas de ódio e de amor nas relações parentais e as rivalidades em relação entre irmãos.

As diferenças de Agressividade normal e Agressividade neurótica basicamente segundo Bergler são:

A agressividade normal só é usada em defesa própria, enquanto a neurótica é usada indiscriminadamente, quando se repete uma pauta Infantil.
Na agressividade normal o objeto é um inimigo real...Na agresividade neurótica o objeto da agressão é um inimigo "imaginário" ou artificialmente criado. A agressividade normal não é acompanhada de sentimento de culpa inconscientes...O sentimento de culpa consciente sempre acompanha a agressividade neurótica.
A agressividade normal é proporcional a provocação. Na neurótica a menor provocação pode dar origem a maior agressão. Na transferencia negativa ou ambivalente sempre é exercida a agressividade neurótica.

O paciente Obssessivo-Compulsivo comunica as suas fantasias agressivas inclusive as mais ferozes não unicamente  com facilidade, mas sim com certa vaidade. O Obssesivo não cai em Silencio, fala sempre, mesmo em seu estado de resistência, porém ISOLA seus afetos de suas IDÉIAS. As associações são difusas tanto quanto sua obssesão em grande escala...




PSICANÁLISE INFANTIL.

Nestes últimos dias, por inumeras situações, o assunto "Psicanálise Infantil" vem a discussão e troca de idéias. Rememorando alguns aspectos, autores e teses, resolvi postar alguns esclarecimentos anotados por alguns mestres, para quem sabe, trazer uma visão mais externalista da questão, ajudando assim a quem, por algum motivo pessoal, necessita destas informações.
Este post, não tem (nem nunca terá nenhum outro) caráter diagnóstico, mas o exercício do conhecimento, por vezes nos faz melhores e menos aceitadores de "fórmulas miraculosas".





Nos dias atuais, a violência marginal, doméstica e a decorrente do trânsito tem sido cada vez mais constante nas manchetes de jornais. E, o resultado disso é um número cada vez mais crescente de famílias desfilhadas, angustiadas e desestruturadas.

No meio de tudo isso, a criança se torna vítima direta ou indiretamente dessa violência, seja por que, perdeu entes queridos e próximos, seja por que ela mesma foi vítima por meio de abusos psicológicos, físicos e/ou sexuais, numa grande maioria das vezes, provocados por seus familiares mais próximos.

É fato, porém, que estas crianças não são vítimas apenas desse tipo de violência. Muitas são as crianças que se sentem indesejadas por não terem sido planejadas por seus pais; e, ainda, há o problema da ausência dos pais em razão de seus trabalhos que os mantém muito tempo longe de suas casas e de seus filhos, os quais, acabam sendo criados em creches, ou por avós ou babás, resultando em famílias totalmente desestruturadas, tendo seus filhos como principais vítimas de toda essa falta de estrutura.

A primeira análise realizada com uma criança foi a do Pequeno Hans (Sigmund Freud, em 1909) e teve grande importância por demonstrar que os métodos psicanalíticos podiam ser aplicados também às crianças. Naquela ocasião, Freud já mencionava que a criança é psicologicamente diferente do adulto, não possuindo ainda um Superego estruturado.
Para ele, as resistências internas que combatemos no adulto ficam substituídas
na criança por dificuldades externas.
Ego deve a sua origem, bem como as suas características adquiridas mais importantes, aos seus contatos com a realidade, com o mundo externo. Daí os estados patológicos do Ego — nos quais se reaproxima do Id — resultarem da cessação ou afrouxamento com o mundo externo (...). O Ego pode tornar-se o seu próprio objeto, dispensando a si mesmo o tratamento que dispensaria aos demais... (KARL WEISSMANN).

Em relação aos fatores externos, o Ego cumpre essa função registrando, reagindo aos estímulos que lhe vem de fora, acumulando experiência em relação aos mesmos [pela memória], evitando excessos de estímulos [pela fuga], lidando com os estímulos moderadamente [via adaptação], e, finalmente, operando mudanças apropriadas no mundo externo em seu benefício [via atividade] (WEISSMANN, 1976).

Fazendo citação a Freud, diz que o Ego não é impulsionado apenas pelas forças do Id; explicando que Freud admitia que o Ego era também alimentado por outras forças, além das instintivas. E que, segundo ele, todos os conceitos de Ego e de Id relacionam-se aos pais e à nossa longa infância, eroticamente fixada aos mesmos, gerando as complicações do complexo de Édipo. E, diz que da identificação, mais ou menos problematizada, com os progenitores e com as figuras que são representantes da série materna e paterna, resulta a formação do Ideal do Ego, também chamado Superego. As perturbações sofridas nesse processo resultam as notórias crises de identidade, bem como os fenômenos de múltipla personalidade, e complicações de outra ordem.
À medida que vai se desenvolvendo, a criança se vê diante de certas demandas do meio que persistem sob forma de normas e regras estabelecidas. Estas regras e normas pertencentes ao mundo externo acabam por se incorporar em sua estrutura psíquica, constituindo assim seu Superego, representando uma espécie de resposta automática do “certo” e do “errado”, que surge na pessoa diante das várias situações, nas quais deve tomar uma decisão.

O Superego se equacionou ao medo dos pais incorporado à consciência inconsciente do indivíduo. A mais ou menos temida autoridade parental que era externa e passou a ser interna, transformada na voz interior que repete monotonamente os velhos mandamentos familiares.
Dessa forma, o Superego trata-se de uma representação internalizada dos valores e costumes da sociedade.

Mas, para que haja um bom equilíbrio, surge a necessidade da existência de um Ego fortalecido, de um Superego moderado e do conhecimento da natureza e dos impulsos do Id.


Nesta altura da leitura é importante lembrar que O complexo de Édipo se deve ao tabu do incesto e à ignorância acerca de sua repressão subsequente” (...) e “costuma ser o mais fortemente responsável pelos dissídios no matrimónio e incompatibilidades nas relações conjugais e problemas conexos, como prostituição, limitação de prole, etc. no individuo maduro.  A experiência analítica tem mostrado quão dificilmente uma mulher com forte fixação paterna consegue a felicidade no casamento, como por sua vez, um homem fixado eroticamente na pessoa materna. Não é, por certo, muito lisonjeiro à vaidade feminina, e nem tão pouco à masculina, o ensinamento segundo o qual os sentimentos do homem para com a mulher, responsáveis pela sua escolha matrimonial ou pelas ligações extraconjugais, são, independentemente de um complexo de Édipo em grau patológico, sempre influenciados por sua ligação remota com a mãe”. (...)  
Com as devidas restrições, podemos concordar com o ponto de vista de Maxwell Gitelson, para quem o complexo de Édipo (desde que não atinja um nivel muito patológico) não constitui unicamente a causa nuclear das neuroses, mas também base para a formação de um caráter normal e de uma maturação sadia”. 



Os problemas, no entanto, centram-se na castração nos homens, e na inveja do pênis, nas mulheres. Outro importante foco de distorções evolutivas nesse período deriva-se dos padrões de identificação desenvolvidos sem a resolução do complexo de Édipo. A influência da ansiedade de castração e a inveja do pênis, as defesas contra ambas, e os padrões de identificação que surgem na fase fálica são os determinantes primários do caráter humano. Também incluem e integram os resíduos de estágios psicossexuais anteriores, de modo que as fixações ou conflitos derivados de quaisquer estágios precedentes podem contaminar e modificar a resolução edípica (KAPLAN & SADOCK )

NEUROSE INFANTIL

É de fácil constatação a neurose de abandono numa criança quando seu pai ou mãe se afasta por alguns instantes. O desespero que esta demonstra parece nos dizer o quanto tem medo de que venha a ser abandonada por estes.

Pergunta-se: estaria isso ligado a incerteza de não ser amada”? Um outro fator que poderíamos considerar seria se esta criança é filha de pais, que por razões variadas, acabam se tornando muito ausentes. E, ainda deve ser considerado o próprio trauma do nascimento, ocasião em que se deu a expulsão do útero, que num parto não tão tranqüilo seria mais agravado talvez ocasionando essa neurose de abandono. Muitas são as possibilidades, mas é fato a evidência dessa neurose em muitas crianças.



AVALIAÇÃO DAS NEUROSES INFANTIS, SEGUNDO ANNA FREUD

De acordo com Anna Freud, a presença ou a ausência de sofrimento não pode ser tomada como fator decisivo quando se decide acerca de um tratamento de uma criança. E, alega que há muitos distúrbios neuróticos sérios que as crianças suportam com ânimo firme; além de outros menos sérios que provocam sofrimento.

Segundo ela, somente quando os sintomas da criança são conturbadores para o meio em que vive e, afetam diretamente os pais, há uma probabilidade maior destes procurarem um profissional da psicanálise para tratar de seus filhos.

E, completa dizendo que os pais se mostram mais preocupados, por exemplo, com os estados de agressividade e de destrutividade dos filhos do que com as inibições; os atos obsessivos são considerados mais leves do que as crises de ansiedade, embora, na verdade, representem eles, um estágio mais avançado do mesmo distúrbio; os estágios iniciais da passividade feminina nos meninos, embora freqüentemente decisivos para sua futura anormalidade, são quase que invariavelmente deixados despercebidos.
Em virtude disso, Anna Freud sugere que o analista avalie a seriedade de uma neurose infantil, não em virtude da criança de uma forma especial qualquer, ou em um dado momento, mas em virtude do grau em que não permita à criança o seu desenvolvimento posterior.



CRIANÇA E SEU LUGAR EQUIVOCADO NO SEIO FAMILIAR

Ocorre que muitas mães não se desvincularam de seu papel de filha e ainda não assimilaram sua condição materna; por conseqüência, o filho acaba por não ter espaço para ser filho. Essa situação traz um desconforto e também um certo prazer, visto que o filho passa a desempenhar uma função de companheiro. Prazer porque lhe é agradável tal posição e, desprazer, justamente por não lhe ser dado o direito de desempenhar sua condição de filho.
Com isso o filho acaba por se tornar objeto da mãe, um vínculo que para ser
quebrado depende da atuação paterna forte, desempenhando seu papel de pai e marido.

São inúmeras as razões que levam pais ou responsáveis a procurar terapia
para suas crianças, dentre as quais, destaco:
Baixo rendimento escolar.
Comportamentos agressivos,
Timidez.
Enurese noturna.
Hiperatividade.
Dificuldades de interagir com outras crianças ou familiares.
Depressão.

É importante que o analista observe por meio de uma atenção flutuante os sintomas apresentados pela criança, o que significa dizer que deve procurar captar tudo que o analisando quer dizer sem se focar num único tema.

Ainda na hora de analisar os sintomas apresentados pela criança, o analista deverá abster-se de pré-julgamentos, a fim de, seja possível uma interpretação condizente ao caso e, deverá ter o cuidado de nunca ver seu paciente como a um filho, além é claro, de atentar para o fato de que as crianças possuem grande sensibilidade para assumirem os sintomas e a angústia específica de seu grupo familiar e, os confrontará juntamente com seus próprios conflitos.



DIFERENÇAS DO TRATAMENTO ANALÍTICO (ADULTO / CRIANÇA),
SEGUNDO ANA FREUD

Segundo Ana Freud, a análise de crianças exige um período preparatório que não se verifica na análise de adulto. E esse período nada tem haver com o trabalho analítico, visto que, não se trata ainda de tornar conscientes os processos inconscientes ou de exercer influencia analítica sobre o paciente. Trata-se simplesmente de buscar estabelecer um laço entre o psicanalista e a criança.

Ela considerava as crianças muito frágeis para submeterem a uma análise e não acreditava que elas pudessem desenvolver a transferência e nem tão pouco associar livremente, devido a sua imaturidade psíquica. E dizia que o Complexo de Édipo não deveria ser examinado muito profundamente em função da imaturidade do Superego. E, também com base nesse raciocínio, ela defendia que a abordagem psicanalítica deveria vir associada a uma ação educativa (pedagogia psicanalítica).

E, em uma de suas exposições forneceu um balanço dos elementos através dos quais se pode apreender o inconsciente infantil. Ela esclarece que os melhores e mais adequados expedientes da análise de adultos não se aplicam à analise de crianças, e que devemos nos afastar de muitas exigências impostas pela teoria cientifica e lançar mão de nosso material onde quer que o encontremos – de maneira muito parecida com a de que lançamos mão habitualmente, quando pretendemos penetrar na vida privada de uma determinada pessoa. A criança, segundo Ana Freud, mostra-se menos apta a extrair material inconsciente.

Ela adverte que o analista deve se esforçar-se por se colocar no lugar do Ego- Ideal da criança por toda a duração da análise; não deve principiar sua tarefa analítica de liberação até que se tenha assegurado de que a criança esteja ávida por seguir seu comando.

Segundo ela, o analista precisa ser apto a controlar o relacionamento entre o Ego da criança e os seus instintos e, esclarece que o Superego da criança é fraco; visto que, as exigências do Superego, assim como a neurose, acham-se em dependência do mundo exterior, esclarece ainda, que a criança é incapaz de controlar os instintos liberados e de que o analista em pessoa precisa dirigi-los.