A síndrome de Munchausen por procuração


A síndrome de Munchausen é uma doença psiquiátrica em que o paciente, de forma compulsiva, deliberada e contínua, causa, provoca ou simula sintomas de doenças, sem que haja uma vantagem óbvia para tal atitude que não seja a de obter cuidados médicos e de enfermagem.

A síndrome de Munchausen "by proxi" (por procuração) ocorre quando um parente, quase sempre a mãe (85 a 95%), de forma persistentemente ou intermitentemente produz (fabrica, simula, inventa), de forma intencional, sintomas em seu filho, fazendo que este seja considerado doente, ou provocando ativamente a doença, colocando-a em risco e numa situação que requeira investigação e tratamento.

Às vezes existe por parte da mãe o objetivo de obter alguma vantagem para ela, por exemplo, conseguir atenção do marido para ela e a criança ou se afastar de uma casa conturbada pela violência. Nas formas clássicas, entretanto, a atitude de simular/produzir a doença não tem nenhum objetivo lógico, parecendo ser uma necessidade intrínseca ou compulsiva de assumir o papel de doente (no by self) ou da pessoa que cuida de um doente (by proxy). O comportamento é considerado como compulsivos, no sentido de que a pessoa é incapaz de abster-se desse comportamento mesmo quando conhecedora ou advertida de seus riscos. Apesar de compulsivos os atos são voluntários, conscientes, intencionais e premeditados. O comportamento que é voluntário seria utilizado para se conseguir um objetivo que é involuntário e compulsivo. A doença é considerada uma grave perturbação da personalidade, de tratamento difícil e prognóstico reservado. Estes atos são descritos nos tratados de psiquiatria como distúrbios factícios.

A síndrome de Münchausen por procuração é uma forma de abuso infantil. Além da forma clássica em que uma ou mais doenças são simuladas, existem duas outras formas de Munchausen: as formas toxicológicas e as por asfixia em que o filho é repetidamente intoxicado com alguma substância (medicamentos, plantas etc) ou asfixiado até quase a morte.

Frequentemente, quando o caso é diagnosticado ou suspeitado, descobre-se que havia uma história com anos de evolução e os eventos, apesar de grosseiros, não foram considerados quanto a possibilidade de abuso infantil. Quando existem outros filhos, em 42% dos casos um outro filho também já sofreu o abuso (McCLURE et al, 1996). É importante não confundir simulação (como a doença simulada para se obter afastamento do trabalho, aposentar-se por invalidez, receber um seguro ou não se engajar no serviço militar). Alguns adolescentes apresentam quadro de Munchausen by self muito similares aos apresentados por adultos.

A doença pode ser considerada uma forma de abuso infantil e pode haver superposição com outras formas de abuso infantil. À medida que a criança se torna maior há uma tendência de que ela passe a participar da fraude e a partir da adolescência se tornarem portadores da síndrome de Münchausen clássica típica em que os sintomas são inventados, simulados ou produzidos nela mesma. Ao contrário do abuso e violência clássica contra crianças as mães portadoras da síndrome de Münchausen by proxy não são violentas nem negligentes com os filhos.

O problema, descrito a primeira vez por Meadow em 1977, é pouco conhecido pelos médicos e sua abordagem é complexa e deve envolver além do médico e enfermagem, os especialistas na doença simulada, Psicanalistas/Psiquiatras/Psicólogos.

Descontruindo

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Depois de um tempo clínico começamos a perceber certas coisas importantes nos ensinamentos teóricos mais confortáveis a nossa maneira de contrução psíquica. É natural certas reações e comparações sobre o ortodoxo e o contemporâneo, mas é notável as diferenças e sentidas as percepções.
De início, havia a preocupação de entender, de encaixar uma coisa na outra, de “dar um sentido” ao emaranhado de sem sentidos que parece ser a teoria psicanalítica. Mas depois de caminhar, depois de vislumbrar as paisagens que se esboçavam as fronteiras da  Psicologia, compreendo as cruciais diferenças entre as áreas co-irmãs. Sendo nós profissionais teorizadores ou teorizantes, em um dia qualquer destes, nos pegaremos perambulando cobertos de ouro e prata, no meio do deserto do Sinai, embora enriquecidos, não nos salvará a vida profissional tais riquezas. 
Meu encontro com a Psicanálise Contemporânea não representa necessariamente algo sugestivo para ninguém, embora tenha sido significante para mim, para você, pode não ser nada questionador.
Para ser sincero, li e reli alguns discursos contemporãneos e, não entendi absolutamente nada. Era como se uma barreira se interpusesse entre mim e eles. Algo me impedia de penetrar a experiência que se tentava transmitir naquele texto. Nada se fixou em minha memória. Sabia apenas que se aludia a algo parecido com a experiência do artista, interrogando os ouvintes sobre qual era  sua própria construção artística.
 Passado algum tempo, me percebi nesta frases “Nenhuma narrativa com pretensões de ser uma exposição de fatos (...) merece, realmente, enquadrar-se na categoria de ‘descrição factual’ do ocorrido”.
“Não se atribue à memória a importância que comumente lhe é conferida”.  O motivo é simples: as distorções involuntárias, que a própria Psicanálise aponta como inevitáveis, tornam improvável qualquer relato factual. A memória seria, portanto, “tão somente é uma comunicação pictórica, de uma experiência emocional” uma formulação verbal de imagens sensoriais. 
Talvez, para alguns, esta possa parecer uma constatação inocente e óbvia, mas, a meu ver, ela desestabiliza todo o saber, pois insere à base de qualquer formulação verbal a desconfiança de que aquilo seja apenas uma representação interna e, em última análise, um expediente para fugir da angústia do vazio que rodeia nossa ignorância. 
A ilusão de ter captado o real, o factual seria neste caso apenas uma tentativa psicótica de fugir do desafio que o factual nos impõe. Pois, na realidade, o que se quer evitar é de entrar em contato com a turbulência emocional que se situa à base da ignorância acerca do fato.
A turbulência emocional à qual me refiro, constata que o ser humano abomina o vazio. Por esta razão, “ele vai tentar preenchê-lo encontrando alguma coisa que entre naquele espaço que foi revelado pela sua ignorância”
O problema, de fato, é saber tolerar a frustração, o senso de vazio e a angústia que a ignorância nos impõe. Neste sentido, se a frustração não for suportada, todo saber “teórico-científico” pode se tornar um simples tapa-buraco. Isto me levou a perceber, desde o primeiro dia em que me deparei com a complexa trama do pensamento psicanalitico contemporâneo, que, por trás, havia não apenas uma simples teoria, mas uma postura existencial desafiadora.
 Compreender tornou-se, portanto, um desafio a não querer “possuir” o meu pensamento, aceitar a minha ignorância, o meu não saber psicanalítico. 
É dificil por muitas vezes aceitar, mas é correto afimar que um bom analista deve saber ser tolerante à frustração, sabendo “suspender” sua memória e seu desejo. 
“Não há lugar para o desejo na análise; não há lugar para a memória (...). O desejo de ser um bom analista é um obstáculo para que se seja um analista”.
Embora bastante conhecida e citada, esta frase, não deixa de ser paradoxal e desafiadora. Isto significa, por exemplo, que o analista deve prescindir na análise do desejo de “cura”, mesmo porque o conceito de cura implica no conceito de sanidade e na tentativa de encaixar o paciente num esquema teórico de sanidade. 
A presença do desejo também cria uma ranhura, excluindo tudo o que não se encaixa no desejo do analista, e reduzindo assim o campo da escuta. 
Existe depois a tentação de encaixar o que o paciente está dizendo nas teorias aprendidas, disparando, a seguir, em cima dele, uma “interpretação” cientificamente correta, baseada em alguma memória.
 Perceba nesta frase “à idéia de que a Psicanálise é uma tentativa de fazer uma abordagem científica da personalidade humana”. Mas, será que o analista lembra que está lidando com gente de carne e osso (real people). 
Nada pode ser descartado, tudo precisa ser observado e examinado com muito cuidado, caso contrário o analista poderá “jogar fora a necessária centelha vital”, que se encontra escondida no meio dos escombros. Será esta fagulha, a capacidade de reverie (reverter) do analista, que pode fazer com que as cinzas de uma relação analítica se tornem uma fogueira, favorecendo a transformação dos elementos Beta em elementos Alfa, em algo que pode ser pensado pelo paciente. 
 Esta capacidade de escuta do analista, não apenas limitada ao contexto verbal, onde muitas vezes a presença dos objetos rompidos, se capt apela simples presença de uma mudança física no paciente, uma mudança sutil, às vezes na respiração, no tom muscular, no olhar, na maneira de sentar-se.
Isto é muito importante, pois há no paciente psicótico uma grande dificuldade em relação à linguagem verbal, por exemplo.
Para concluir é importante fazer a diferenciação entre o que é right (certo) e o que é true (verdadeiro). 
De acordo com a conteporâneidade Psicanalítica, o que caracteriza o pensamento psicótico é a onisciência, que substitui a discriminação entre  verdadeiro e o falso “por uma afirmação ditatorial de que uma coisa é moralmente certa e outra errada”.
Haveria portanto “um conflito em potencial entre afirmar-se que algo é verdadeiro e afirmar-se que algo é moralmente superior”, isto porque “a pretensão de uma onisciência que negue a realidade, seguramente faz com que a moralidade, que nessas condições se forma, seja uma função da psicose”
Diante disso é interessante aqui frisar a impossibilidade ou, pelo menos, a dificuldade para o  ser humano de ter acesso ao Ser. Resta de fato a grande questão de saber se o que é real para mim é também real para o outro, ou, dito de outra forma, se o que eu considero real não é apenas uma alucinação do real. 
Isto nos joga  na necessidade de estar constantemente aberto para discernir o que é verdadeiro daquilo que é falso, sabendo porém que nunca poderá afirmar com certeza que aquilo que é verdadeiro,  para ele é também o certo.



Glossário de Sentimentos

SAUDADE é quando, o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue;
LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo;
ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego;
PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento;
INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa;
CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára;
INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido;
PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista;
VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora;
ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;
INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento;
SENTIMENTO é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado;
RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;
TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração;
FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma;
AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros;
CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas geralmente não podia;
LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário;
RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato;
VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele;
PAIXÃO é quando apesar da palavra «perigo» o desejo chega e entra;
AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
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Violino, Violão ou Violoncelo?

Hoje é inquestionável o poder da informação instantânea e de como este fator já faz parte de nossa vida. Pensando assim, hoje resolvi escrever atendendo um pedido especial, pois o conhecimento é um dos poucos bens que possuimos, em que adquirimos muito mais, quando o dividimos.
Antes de entrar própriamente no tema, é importante lembrar que este não é um artigo formal e seria muitissimo "chato" e de difícil compreensão se assim o fosse, portanto, este post é uma humilde tentativa de tradução de um problema que nos cerca, sem muitas vezes percebemos: 
O BDD (Body Dysmorphic Disorder) ou TDC (Transtorno Dismórfico Corporal).

Viram como não tem graça alguma ficar citando nomes?? Mas por responsabilidade isso é necessário.
Lembrando que estou tentando fazer uma "tradução" intelível, vamos lá:

Este transtorno é incluso entre os transtornos hipocondríacos, e este boa parte das pessoas conhece, mas pensem que a hipocondria é um enfermidade mental em que há depressão e preocupação obsessiva com o próprio estado de saúde: O individuo, por efeito de sensações subjetivas, julga-se preso a condições péssimas (sendo na realidade inexistentes) e passa a procurar, permanentemente, tratamentos que, além de descabidos, são muitas vezes perigosos (medicações, intervenções cirúrgicas, etc.:
Pois é, muitas pessoas acreditam que isso acontece na maioria nas mulheres, mas isso não é verídico. As proporções são iguais em homens e mulheres, sendo manifestados normalmente na terceira década de vida. O começo, alguns estudos demonstram que a clinicamente se dá na adolescência, época em que o indivíduo está mais preocupado de sua autoimagem na vida social.

Existem dois picos: Um na adolescência no inicio da idade adulta e outro, somente em mulheres, durante a menopausa.

É um transtorno crônico, intensidade variável, com oscilações e altos e baixos dos sintomas
Biológicamente falando, existe certa alteração na na fisiopatología da serotonina, ou seja certos remédios denominados inibidores da recaptação da serotonina são úteis no tratamento.  A serotonina atua mantendo idéias e pensamentos sob controle.
Seguimos a "saga de não cair na chatice", mas afinal Cleber, que fatores psicológicos desencadeiam isso? Bom, meninas e meninos...Os ansiosos, perfecionistas, tristes, são mais suscetíveis de desenvolver este transtorno. Calma lá, quase todos nós somos ansiosos, muitos se acham perfecionistas e triste podemos ficar...Não vista os sintomas, por favor...A desproporcionalidade é a causadora. Algumas experiências emocionais vividas, principalmente na infância (em algumas épocas não sabiamos o que era Bullying, lembram), são de certo modo a origem de personalidades suscetíveis, com baixa auto estima, insegurança introversão, dificuldade de relacionamento interpessoal, pessoas tendentes à solidão, insociabilidade, introspeção e má adaptação à realidade exterior etc.
Sei que este tópico vai ficar "gigante", mas lembrem-se que é apenas um resumo e estou tentando ao máximo, reduzir os temos, mas não podemos deixar de fora os fatores sociais e culturais, como: Apelos publicitários nos meios de comunicação que propagam a compra de cremes, loções, aparelhos para tornar o corpo esbelto. Os defeitos que são objeto de preocupação são diferentes dependendo do país e cultura, e isso nunca é recordado. O corpo da Brasileiro nunca será igual ao da Americana e muito menos da Chinesa, tomando a mulher como público-alvo, deste anúncios.

A localização escolhida é variável, mas geralmente são: 
As características faciais; pele: rugas, cicatrizes, acne, manchas, palidez, varizes vasculares,  excesso de pelos faciais, perda excessiva de cabelo, pelo demasiado fino..Na verdade a mania por pelos (Tricolomanía) é comum tanto em homens como em mulheres. Alguns sintomas fazem referência a mal estar peniano ou testicular. Em ocasiões aparece o antecedente de negação pela parceira sendo que na mulher surgem problemas com a vulva que é a parte externa dos órgãos genitais femininos, que inclui grandes e pequenos lábios, vestíbulo vaginal, etc.Mas como vocês já devem imaginar, a maior indicência de atenção distorcida fica realmente localizada no abdomem, seios e nádegas.

Propositalmente não entrei na questão dos disturbios psicoalimentares ( Bulimia, anorexia, etc) .


Para finalizarmos, de importância crucial, falarmos sobre a VIGOREXIA, que em pessoas dedicadas ao culturismo , assíduos freqüentadores de academias de ginástica e de halteres, amiúde se consideram fracos, apesar de ter uma musculatura mais desenvolvida que os demais indivíduos. Se tornam além de fanáticos pela prática de desenvolvimento muscular, praticantes de rígidos regimes alimentares, com suplementos dietéticos. Inclusive alguns tomam anabolizantes para ganhar massa muscular. O uso destes começam freqüentemente nas escolas. O uso de anabolizantes é problemático e causam além problemas psiquiátricos a curto prazo, com condutas agressivas e maníacas, e a depressão, obviamente degeneração de alguns órgãos, principalmente pela sobrecarga do fígado, rins e obvio o coração, não sendo comuns AVC (Acidentes Vasculares Cerebrais) pelo aumento da pressão sanguinea arterial. Alguns desistem de suas carreiras de advogado, médico, empresário etc pela necessidade de ter mais tempo para freqüentar a academia. É incrivel, mas verdadeiro.

Espero ter vencido (ao menos em parte) a "chatice" de ler algo tão formal, mas se conseguirmos atentar ou esclarecer apenas uma pessoa, já terá valido muito a pena.

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Um grande Domingo a todos e uma belíssima semana!! 





Você é o humor que tem...

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Venenoso ou ingênuo, ele hoje é avaliado
não apenas como uma característica individual,
mas como uma ferramenta determinante nas
relações pessoais e no ambiente de trabalho

Otavio Dias
VIREI O JOGO A MEU FAVOR
Quando criança, o paulista Artur Leite, de 27 anos, era alvo de piadas por ser o gordinho da turma. Ele decidiu inverter o jogo e fazer graça de si mesmo. "Ninguém me dava apelidos. Eu mesmo fazia isso pelos outros e conquistava a amizade do grupo", diz. Até hoje Leite usa a mesma estratégia – com as mulheres: "Posso não ser um adônis, mas sou muito divertido"

O humor, assim como a beleza, é fácil de identificar, mas difícil de definir. Seria ele "o repouso da alma", como escreveu Santo Tomás de Aquino? Ou "a maior bênção da humanidade", como queria o escritor americano Mark Twain? Por muito tempo, a definição de humor usada pelos psicólogos que estudam o assunto foi aquela criada por Sigmund Freud, o inventor da psicanálise. Em seu Os Chistes e a Sua Relação com o Inconsciente, Freud escreveu que o humor é o maior mecanismo de defesa do ser humano, um instrumento que permite equilibrar as emoções e elaborar as frustrações. Hoje, a psicologia prefere enxergar o humor menos sob a ótica individual e mais à luz de sua capacidade de influir nos relacionamentos. O tipo de humor que uma pessoa pratica é um componente forte na percepção que os outros têm dela, na definição que se dá à sua personalidade. Essa é uma das conclusões principais de um dos mais completos estudos já realizados sobre o humor, o livro The Psychology of Humor (A Psicologia do Humor), recém-lançado nos Estados Unidos. Seu autor é o psicólogo Rod Martin, da Universidade de Western Ontario, no Canadá. Segundo Martin, o humor não é um estado de espírito único – ele tem quatro variantes principais, cada uma delas com suas implicações específicas nas relações pessoais e profissionais de cada ser humano.

Lailson Santos
SOU A POLIANA, SIM
A estudante Renata Beltrame, de 22 anos, está sempre de bom humor porque procura ver o lado positivo das coisas. Com 1 ano, ela teve 70% do corpo queimado num acidente. "Hoje sei separar os problemas reais de simples chateações", diz ela
Não é difícil associar pessoas conhecidas – ou a si próprio – aos quatro tipos de humor compilados por Rod Martin. Aquele menino gordinho e desajeitado que todos desprezam na escola e que, de repente, se torna o mais engraçado da turma, capaz de juntar uma dezena de amigos em torno de si, pratica o humor autodepreciativo. Ele usa as próprias imperfeições para fazer graça. O humor autodepreciativo é característico do diretor de cinema Woody Allen e do apresentador de TV João Gordo, por exemplo. Quem faz observações venenosas que não poupam ninguém e prefere perder o amigo à piada pratica o humor corrosivo. O humor agregador identifica as pessoas que se dão bem com todo mundo e surpreendem a todos com suas tiradas. Em geral, são figuras populares. Já quem passa por dificuldades mas sempre enxerga um lado positivo em tudo, como a personagem da literatura infanto-juvenil Poliana, pratica o humor do tipo de bem com a vida. "Até pouco tempo atrás, os estudos sobre o humor se resumiam a medir como as pessoas reagem a ele, qual o impacto das situações engraçadas, charges e piadas em cada indivíduo", disse a VEJA outro acadêmico especialista em humor, o sociólogo Robert Weiss, da Universidade do Oregon. "Na verdade, o humor é uma ferramenta social como outra qualquer", ele completa.

Ernani D`Almeida
NÃO POUPO NINGUÉM
O técnico em radiologia Robson Silva, de 47 anos, faz piadas mesmo quando seria melhor ficar calado. Já perdeu vários amigos por causa de seu humor, que não perdoa ninguém. "Quero cativar as pessoas e quebrar o gelo, mas muita gente se choca", ele diz
Como ferramenta nas relações sociais, o humor fornece ótimas oportunidades para conhecer os valores e as opiniões alheias. "Uma piada é capaz de revelar mais sobre alguém do que perguntas diretas, principalmente em assuntos polêmicos como política, religião e sexo", disse Rod Martin a VEJA. O humor ainda costuma ser um aliado no jogo da sedução. Uma cantada bem-humorada, pondera Martin, pode até não dar resultado, mas é garantia de que a conversa não será interrompida bruscamente, com constrangimento para ambas as partes. A tentativa pode terminar em boas risadas e abrir as portas para um segundo encontro entre o casal, nem que seja como bons amigos. "A mensagem contida na cantada nunca fica totalmente clara, o que permite colocar as idéias numa espécie de jogo de tentativa e erro", diz Martin. "Pode-se mudá-la, se preciso, dizendo que foi apenas uma piada." O humor também é uma arma eficiente na manutenção das normas sociais e da hierarquia. Ao satirizar, mesmo com humor do tipo corrosivo, as atitudes e os traços de personalidade de alguém, os integrantes de um grupo comunicam implicitamente as regras para fazer parte da turma.

Ernani D`Almeida
O CHEFE DOS SONHOS
O italiano Fabrizio Giuliadore, dono de dois restaurantes no Rio de Janeiro, mantém o bom humor mesmo na hora de dar bronca nos funcionários. "Assim, dou um recado sutil sem desgastar a relação com eles", diz.
Uma pesquisa citada no livro de Martin mostra que, no ambiente de trabalho, quem ocupa os cargos mais altos usa o humor em proporção 40% maior do que os funcionários em posições inferiores. O discurso bem-humorado dos chefes quase sempre contém mensagens críticas ou admoestações disfarçadas. Funcionários com menos status, ao contrário, costumam rir das piadas dos chefes para agradá-los ou chamar a atenção para si. Aproximar parceiros é outro grande benefício do humor, principalmente se ele for dos tipos agregador ou de bem com a vida. "Quando as pessoas riem juntas, elas se tornam cúmplices, dividem as mesmas emoções e têm atitudes mais positivas em relação a outra", diz Hildeberto Tavares, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Estudos feitos na Universidade do Colorado indicam que, quanto mais uma pessoa está satisfeita com o próprio casamento, mais ela valoriza o senso de humor – seja de que tipo for – do parceiro. Os mineiros Virgínia Alves, de 41 anos, e Marcel Niri, de 34, ambos professores de educação física, estão casados há catorze anos. O segredo, dizem, é o bom humor. "Percebi que ela seria a mulher da minha vida no primeiro encontro. Caímos na risada e nunca mais nos separamos", diz Marcel. "Ele é brincalhão, vive cercado de amigos e ri dos problemas", diz Virgínia.
Todo mundo abriga em si, em maior ou menor grau, os quatro tipos de humor – os comportamentos a que eles estão associados fazem parte da natureza humana. A forma e a intensidade com que se pratica cada tipo de humor é que faz a diferença nos relacionamentos. A princípio, pode parecer que os tipos de humor autodepreciativo e corrosivo são negativos, enquanto os tipos agregador e de bem com a vida são positivos. Não é bem assim. Uma pessoa considerada agregadora geralmente utiliza o humor para reunir pessoas e formar grupos. "Mas, dependendo de como ela age, o senso de humor pode servir para excluir quem não lhe convém", diz Robert Weiss. O humor corrosivo também pode servir a outros propósitos que não seja a humilhação. Ele pode funcionar como reação a um ambiente hostil. Empregados que sofrem com um chefe tirano costumam tornar o ambiente de trabalho mais ameno ao falar mal do chefe pelas costas em tom ácido e jocoso.

Virgínia e Marcel, casados há catorze anos: "Quando nos conhecemos, caímos na risada e nunca mais nos separamos", diz ele


Embora não haja formas boas ou ruins de humor, o tipo de bem com a vida é considerado pelos psicólogos o mais saudável. "Quem está sempre bem-humorado apesar dos contratempos dificilmente fica ansioso por longos períodos e isso mantém o organismo sob controle", diz Rod Martin. Um estudo da Universidade de Wisconsin mostra que o humor do tipo de bem com a vida tende a fortalecer as defesas do organismo. Os pesquisadores verificaram que quem costuma ter comportamento pessimista apresenta uma atividade maior na parte frontal direita do córtex cerebral. Isso altera os neurotransmissores produzidos nessa região e reduz a produção de células de defesa do organismo. Pessoas que tendem a sempre olhar o lado positivo das coisas ativam com maior freqüência o lado esquerdo do cérebro e parecem desenvolver melhor capacidade imunológica. Quem não pratica o humor do tipo de bem com a vida não precisa se preocupar. Ter qualquer tipo de humor é melhor do que não ter humor algum.

O TRUQUE DO SORRISO
A risada é considerada uma expressão explícita do bom humor. Não se pode dizer o mesmo do sorriso. O psicólogo americano Dacher Keltner, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, analisou numa pesquisa milhares de faces sorridentes e concluiu que existem dois tipos de sorriso. Nem sempre é fácil identificá-los. Um deles revela que a pessoa está realmente achando graça em algo ou demonstrando felicidade. O outro mostra que ela apenas se esforça para parecer simpática. Enquanto a risada é involuntária, alguns músculos necessários para sorrir podem ser controlados. Um deles é o zigomático maior, que puxa os cantos do lábio para cima. Ao contraí-los, forma-se o que Keltner chama de "sorriso de aeromoça", em alusão à expressão automática dos comissários de bordo. É um sorriso que expressa mais delicadeza do que alegria. "É esse sorriso que o funcionário esboça quando o chefe conta a piada que ele já ouviu centenas de vezes ou que uma pessoa utiliza quando cumprimenta outra e ambas movem os lábios num movimento quase simultâneo", diz Keltner. Os músculos responsáveis pelo sorriso verdadeiro não podem ser controlados por 95% das pessoas. Um deles é o orbicular ocular, que fica ao redor dos olhos. Quando esse músculo se contrai, formam-se pequenas rugas do tipo pé-de-galinha, o olhar ganha um leve brilho, as bochechas se elevam e pequenas bolsas se formam embaixo dos olhos. Essas são as características do sorriso espontâneo – aquele que os bebês, nos primeiros meses de vida, dirigem apenas à mãe. Veja nas duas fotos abaixo o mesmo rapaz, fotografado com um sorriso "de aeromoça" e outro de verdade. 

Fonte: http://veja.abril.com.br/151106/p_116.html

SER ou TER



Ainda esses dias acabei comentando sobre a tentativa frustrada de muitos de mensurar ou rotular certos tipos de sentimentos, logo não é isso que farei aqui. Seria no mínimo discrepante.
O que pretendo, sob a minha única e exclusiva ótica, é a luz sobre um assunto polemizante: O Ciume. 
Conforme também já comentei, não me apego a "bandeiras" machistas, feministras ou qualquer outra, então, se quiseres compreender e não apenas ler...tente fazer o mesmo.
Bom, depois destas breves considerações, vejo o ciúme (seja ele masculino ou feminino) como um conflito de algo que não podemos suportar. Sim..isso mesmo...não sentimos ciúmes de outra pessoa ou coisa...sentimos ciúmes de nós mesmos por não SER ou TER determinada personalidade, aparência física, consição financeira etc...Certo Cleber, entendi até este ponto, mas e como isso se reflete sempre no outro?
Pense comigo: "Já que eu não consigo resolver este conflito que criei por N motivos, o que vou fazer com algo que me causa dor, sofrimento, angústia, raiva etc...Vou tratá-lo sozinho ou sozinha? O que é mais fácil e IMEDIATO?....Hum tive uma idéia...vou REPASSAR PARA O OUTRO!!"
Parece uma obviedade e não a generalizaremos, mas é  normalmente isso que acontece com Maridos e esposas que sentem ciúmes exagerados que sentindo um desejo por outra pessoa, e na eminência de reprimir este sentimento, acabam repassando esse conflito ao parceiro ou parceira.




Muitos atribuem a insegurança e concordo plenamente, mas é interessante que quando pensamos na tal "Insegurança" a primeira coisa que nos vem a mente é incapacidade de competir e "É AI QUE MORA O PERIGO" pois não se trata de rivalidade externa e sim INTERNA fundida com um enorme sentimento de culpa.
Não me proponho a seguir manuais, muitos menos a dar "dicas" elas honestamente só enriquecem aos autores que publicam lá seus livros e certamente os respeito, mas discordo desta fórmula...mas a título de certo valor utilitário, sugiro que quando transbordar teu cíume, seja pelo que for, tente perguntar-se 
"Qual minha responsabilidade, por estar sentindo isso"?
Não precisa introjetar e ter isso como verdade..Muito menos assumir o lugar vitimizatório, isso não vai te levar a lugar algum...apenas respire e tente...Quem sabe você se surpreenda!

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A força da Culpa

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"Seja em que se situação for, somente encontrarás algo parecido com a felicidade, quando conseguires mensurar o real tamanho de sua culpa."