Psicanálise Clínica

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Tentando compreender o sentimento de Luto



Os sentimentos de perda afetam todas as pessoas durante a vida.


A sensação de perda (luto) é um sentimento que, inegavelmente, mais cedo ou mais tarde todos experimentarão, pois todos se defrontam com a morte de alguém querido durante a vida. Talvez pelo fato desse sentimento aparecer habitualmente com certa surpresa, a possibilidade das perdas não costuma habitar a consciência das pessoas afetivamente bem. Dessa forma, o mais comum é que as pessoas estejam despreparadas para a perda.
Fisiologicamente a angústia ocorre após qualquer tipo de perda, entretanto ela é mais forte depois da morte de alguém que amamos. O luto não é apenas um sentimento, mas uma série de sentimentos característicos e que levam certo tempo para passar, além de não se poder apressá-los.
Apesar das diferenças entre as pessoas, a ordem em que estes sentimentos aparecem durante o luto é bastante semelhante. A tristeza é o sentimento mais comumente experimentado após a morte de alguém apreciado, geralmente há algum tempo. A exceção à regra ocorre em pessoas que tiveram abortos espontâneos ou natimortos, ou naquelas que perderam os bebês ainda muito precoces. Nesses casos, apesar de não apreciarem a pessoa perdida há algum tempo, sofrem uma experiência semelhante de luto necessitam do mesmo tipo de atenção.

1. – Dormência Emocional
Em poucas horas após o conhecimento da morte de alguém querido, a maioria das pessoas sente uma espécie de atordoamento emocional, como se não pudesse acreditar que realmente aconteceu. Esse sentimento existe, ainda que em grau geralmente diminuído, mesmo que a morte estivesse sendo esperada. Apesar de fisiológica, essa sensação de irrealidade pode se tornar um problema se durar por muito tempo.
Compreensivamente, se a pessoa emocionalmente dormente se confrontar com o corpo da pessoa falecida poderá começar a ultrapassar esta fase de entorpecimento. Em geral, o enterro ou a cerimônia funerária são ocasiões em que a realidade do que aconteceu realmente começa a firmar-se. De fato, pode ser angustiante ver o corpo ou a assistir ao funeral, mas estas são maneiras de tomar pé da realidade e mentalmente dizer adeus à pessoa querida. Apesar de essas coisas parecerem demasiadamente dolorosas, se não forem realizadas poderão resultar em um sentimento de profundo pesar nos próximos anos.

2. – Inquietação ansiosa 

Logo, porém, esta dormência emocional desaparece e pode ser substituída por uma terrível sensação de inquietação, de suspiros e sensação de querer ter a pessoa morta de volta, mesmo que isso seja claramente impossível. Essa sensação torna difícil relaxar ou concentrar-se e pode dificultar dormir adequadamente. Os sonhos podem ser extremamente perturbadores.
Nesta fase algumas pessoas sentem vontade de "ver" sua pessoa amada onde quer que estejam - na rua, no parque, ao redor da casa, principalmente nos lugares que passaram juntos. A fase de inquietação ansiosa pode ser dividida em outras sub-fases:
Raiva
Muitas vezes as pessoas sentem raiva nesta fase do luto – principalmente dos médicos, enfermeiros e outros profissionais que não impediram a morte, até de amigos e parentes que não fizeram o suficiente para evitar a morte, ou mesmo da pessoa “deixou-se” morrer.
Culpa
Outro sentimento comum é a culpa. As pessoas reviram mentalmente tudo o que gostariam de ter dito ou feito para a pessoa falecida. Entre o que poderia ter sido feito, algumas pessoas chegam a considerar algumas coisas capazes de ter evitado a morte. A pessoa enlutada pode precisar ser lembrada do fato da morte ser, geralmente, inexorável. A culpa também pode surgir diante da sensação de alívio emocional que se sente depois de alguém morrer, geralmente depois de uma doença crônica, demorada e dolorosa. Este sentimento de alívio é muito natural, extremamente compreensível e comum.

3. – Tristeza ou Depressão 

Este estado de agitação é mais forte cerca de duas semanas após a morte, e é geralmente seguida por tristeza ou depressão, reclusão e silêncio. Estas mudanças súbitas de emoção podem parecer confusas para amigos ou parentes, mas são partes da trajetória normal do luto.
Na medida em que a inquietação ansiosa diminui, os períodos de depressão tornam-se mais freqüentes e atingem o seu auge entre quatro e seis semanas mais tarde. Crises de aflição podem ocorrer a qualquer momento, comumente desencadeadas por pessoas, lugares ou alguma coisa capaz de mobilizar lembranças da pessoa morta.
Normalmente as pessoas enlutadas podem surpreender as outras quando, de repente, explodem em lágrimas sem uma razão imediata aparente. Nesta fase, pode ser indicado manter a pessoa em luto afastada de outras que não a compreendem ou compartilham do sofrimento.
Tem sido considerado benéfico tentar voltar às atividades normais após duas semanas. Quando isso não acontece pode aparecer aos outros que a pessoa enlutada passa muito tempo sentada, quieta e sem fazer nada. Essa apatia e desinteresse refletem, na verdade, pensamentos recorrentes sobre a pessoa perdida.
Com o passar do tempo, o sofrimento do luto feroz cede e começa a dissipar-se. Diminuem os sintomas depressivos e a pessoa sente ser possível começar a pensar em outras coisas, a olhar novamente para o futuro. No entanto, a sensação de ter perdido uma parte de si mesmo costuma demorar muito tempo ainda ou nunca desaparecer totalmente.
Estas diferentes fases do luto, muitas vezes se sobrepõem e se mostram de maneiras diferentes em pessoas diferentes. A maioria se recupera de um grande luto dentro de um ou dois anos. A fase final do luto é um "abrir mão" da pessoa que morreu e início de um novo tempo de vida. A depressão pode desaparecer completamente, o sono e a energia voltam ao normal. Sentimentos e funções sexuais podem ter desaparecido por algum tempo, mas voltam nesta fase final.
Mesmo considerando a fisiologia dessas fases do luto, isso não quer dizer que haja um modelo “standard” de luto. As pessoas são diferentes e diferentemente reagem à vida, tanto nos momentos bons como nos sofrimentos.
Também as pessoas de variadas culturas lidam com a morte de maneiras distintas. Desde a pré-história nossos ancestrais vêem lidando de maneiras diferentes com a morte nas mais diferentes épocas e culturas. Ao longo dos séculos as pessoas em diferentes partes do mundo elaboram suas próprias cerimônias para lidar com a morte.
Em algumas comunidades a morte é vista apenas como uma etapa de um ciclo contínuo e não como um 'ponto final' da existência. Os rituais e cerimônias de luto tanto podem ser de natureza pública e demonstrativa, como privados e íntimos. Em algumas culturas o período de luto é fixo, em outras não se reconhece um tempo determinado, mas de qualquer forma os sentimentos vivenciados pelas pessoas enlutadas podem ser semelhantes nas mais diferentes culturas. Não se deve confundir a qualidade desses sentimentos relativos às perdas, muito semelhantes entre os seres humanos, com suas mais diversas formas de expressão.

Luto em Crianças 

Embora as crianças não possam compreender o significado da morte antes dos três ou quatro anos, eles podem sentir a perda de parentes próximos da mesma forma que os adultos, podem chorar e sentir uma grande angústia. Porém, em crianças, diferentemente dos adultos, as fases do luto podem transcorrer mais rapidamente. Em idade escolar as crianças podem experimentar o sentimento da culpa mais intensamente, podem se sentir responsáveis pela morte de um parente próximo e, dessa forma, necessitar de uma atenção mais especial.
Os jovens podem não falar ou se queixar de sua dor, com medo de adicionar sofrimentos adicionais aos adultos à sua volta. Assim, um apelo especial se faz sobre o sofrimento das crianças e adolescentes e de suas necessidades diante do luto. Em geral a recomendação psicológica é para que escolares e adolescentes devam ser naturalmente incluídos na cerimônia funeral.

Solidariedade Terapêutica 

Familiares e amigos podem ajudar passando algum tempo com a pessoa enlutada. Nesses casos, não tanto pelas palavras de conforto necessárias, mas sim a presença solidária durante o tempo de sua dor e de sua angústia. Um ombro amigo, compreensivo e mesmo silencioso expressará grande apoio quando as palavras não são suficientes. É importante dar para as pessoas tempo suficiente para se lamentarem.
Ajudar com a limpeza, compras ou cuidar de crianças pode aliviar o fardo inicial de estar sozinho. Idosos enlutados podem precisar de ajuda com as tarefas que o falecido companheiro fazia - lidar com contas, cozinhar, doméstico, ficando o carro à oficina e assim por diante.
Ter alguém do lado é importante quando as pessoas enlutadas sentem vontade de chorar ou falar sobre seus sentimentos de dor e sofrimento. Embora os sentimentos do luto acabem passando com o tempo, antes disso muitas pessoas pesarosas precisam falar e chorar. Quando não se sabe o que dizer para a pessoa enlutada é importante ser honesto e dizer isso para ela. Isto lhe dará a chance dela própria dizer o que quer.
As pessoas muitas vezes deixam de mencionar o nome da pessoa que morreu para a pessoa em luto por medo de que seja perturbador. No entanto, para a pessoa enlutada isso pode parecer que os outros estão se esquecendo de sua perda. Alguns podem achar difícil entender por que a pessoa enlutada quer continuar no mesmo lugar, na mesma casa em que viva com a pessoa querida antes da morte, mas isso é parte do processo de resolução da dor e não deve ser desencorajado.
Também deve ser lembrado que ocasiões comemorativas (não só da morte, mas também aniversários e casamentos) são particularmente dolorosas quando amigos e parentes fazem um esforço especial para estar junto. Nessas ocasiões a pessoa enlutada deve resolver o que será melhor para si.
Existem pessoas que não parecem sofrer tanto e impressionam a todos. São pessoas que não choram no funeral, evitam qualquer menção de sua perda e voltam à sua vida normal com rapidez impressionante. Isso pode não significar falta de sofrimento, mas sim uma forma particular de lidar com perdas e danos, um mecanismo de defesa contra o sofrimento. Algumas pessoas não se permitem lamentar com franqueza seus sentimentos, outras não têm essa oportunidade devido às pesadas exigências de cuidar de uma família ou de uma empresa. Outras pessoas podem manifestar sentimentos mais exuberantemente e até mesmo sofrer estranhos sintomas físicos de origem emocional ou quadros de depressão que se repetem ao longo dos anos seguintes.
Devido as reações vivenciais não-normais (veja na coluna ao lado) alguns enlutados podem começar a desenvolver um luto crônico e persistente. As sensações iniciais de choque e de descrença podem durar anos, com notável dificuldade em acreditar que a pessoa amada está morta. Outros podem continuar incapazes de pensar em outra coisa além da perda, muitas vezes fazendo o quarto da pessoa morta uma espécie de santuário para a sua memória.
A depressão, comum a quase todos os lutos, pode tornar-se muito mais grave, e um sinal disso pode ser quando a comida e a bebida são recusadas, assim como quando pensamentos de suicídio aparecem. Ocasionalmente, noites insones podem continuar por muito tempo e tornar-se um problema sério. Se a depressão continua por muito tempo, fugindo à norma da fisiologia do luto normal, pode haver necessidade de tratamento médico à base de antidepressivos e psicoterapia por algum tempo.
O luto vira o mundo da pessoa de cabeça para baixo e é uma das experiências mais dolorosas. Pode ser estranho, terrível e avassalador. Apesar disto, é uma parte da vida que todas as pessoas estão fadadas e geralmente não requer atenção médica. Entretanto, ao perceber-se agravamento do quadro depressivo, notadamente em pessoas com antecedentes de transtorno afetivo ou do humor, recomenda-se pronta intervenção terapêutica.


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Bibliografia:
Ballone GJ - Lidando com o Luto - 1985
Postado por CLEBER MARTINS

Algumas curiosidades sobre nossos sonhos.



Qual ser humano nunca sonhou ? Os sonhos fazem parte de nossa vida por mais que não lembremos de todos, há aqueles inesquecíveis, alguns por terem sido bons outros por terem sido muito ruins.




  Como é o sonho de Cegos ?

Pessoas que ficam cegas depois do nascimento podem ver imagens em seus sonhos. As pessoas que nascem cegas não vêem quaisquer imagens, mas também têm sonhos vívidos envolvendo seus outros sentidos: audição, olfato, tato e emoção. É difícil para uma pessoa que vê imaginar, mas a necessidade do corpo para o sono é tão forte que é capaz de lidar com praticamente todas as situações físicas para que isso aconteça.

  Você esquece 90% dos seus sonhos

Dentro de 5 minutos após acordar, metade do seu sonho já foi esquecido. Minutos depois 10, 90% já se foi. O famoso poeta, Samuel Taylor Coleridge, acordou uma manhã depois de ter tido um sonho fantástico, ele colocou a caneta no papel e começou a descrever sua "visão de um sonho" no que se tornou um dos poemas mais famosos do Inglês: Kubla Khan. Enquanto escrevia seu poema ele foi interrompido.Ao voltar para seu poema não conseguiu mais lembrar do resto do sonho. O poema tem 54 linhas e nunca foi concluído.

  Todo mundo sonha

Todo ser humano sonha (exceto em casos de extrema desordem psicológica) mas homens e mulheres têm diferentes sonhos e diferentes reações físicas. Homens tendem a sonhar mais com outros homens, enquanto as mulheres tendem a sonhar igualmente com homens e mulheres. Além disso, se o sonho é de natureza sexual; homens costumam ter ereções e as mulheres aumentam o fluxo de sangue vaginal.

Sonhos influem em seu desempenho psicológico


Em um recente estudo, os estudantes que foram acordados no início de cada sonho, mas ainda continuaram as suas 8 horas de sono, enfrentaram dificuldade de concentração, irritabilidade, alucinações e sinais de psicose depois de apenas três dias. Quando finalmente foi permitido seu sono REM o cérebro do estudante compensou o tempo perdido, aumentaram consideravelmente e o percentual de sono e passaram na fase REM.

Nós só sonhamos o que  sabemos

Nossos sonhos estão frequentemente cheios de estranhos - você sabia que sua mente não está inventando esses rostos - eles são rostos reais de pessoas reais que você viu durante sua vida, mas pode não saber ou lembrar ? O assassino do seu último sonho pode ser o cara que abasteceu o carro de seu pai quando era apenas uma criança. Todos nós já vimos centenas de milhares de rostos durante nossas vidas, por isso temos uma infinidade de personagens para o nosso cérebro utilizar durante nossos sonhos.

  Nem todas as pessoas sonham em cores

Há 12% da população que sonha exclusivamente em preto e branco. O restante sonha em cores. As pessoas também tendem a ter temas comuns em sonhos, que são situações relacionadas à escola, sendo perseguido, correndo devagar / no lugar, experiências sexuais, caindo, chegando tarde demais, uma pessoa que está viva morta, dentes caindo, voar, não passar em um teste, ou um acidente de carro. Desconhece-se se o impacto de um sonho relacionado à violência ou morte é mais emocionalmente para uma pessoa que sonha em cores do que para aquela que sonha em preto e branco.

  Sempre há algo mais a se comparar

Os sonhos falam em uma linguagem profundamente simbólica. A mente inconsciente tenta comparar seu sonho a algo mais, que é semelhante. Seu inconsciente pode escrever um poema  dizendo que um grupo de formigas eram como máquinas que nunca param. Mas você nunca compara algo a ele mesmo, por exemplo: "Aquele belo pôr do sol era como um belo pôr do sol". Assim, qualquer símbolo de seu sonho que seu inconsciente pega, ele assemelha a outras coisas.
Desistentes têm sonhos mais vívidos
Pessoas que fumaram por um longo tempo e pararamm, relataram ter sonhos mais vívidos do que o normal. Além disso, de acordo com o Journal of Abnormal Psychology: "Entre os 293 fumantes em abstinência nas 1 e 4 semanas, 33% relataram ter pelo menos um sonho sobre fumar. Na maioria dos sonhos, os fumantes sentiram fortes emoções negativas, como pânico e culpa. Sonhos sobre fumar foram o resultado da retirada do tabaco do organismo, sua ocorrência foi significativamente relacionado com a duração da abstinência. Suas experiencias foram classificados como mais vívidas do que os sonhos de costume e eram tão comuns como a maioria dos principais sintomas de abstinência do tabaco. "
Estímulos externos invadem nossos sonhos
Isso é chamado de Incorporação ao Sonho e é a experiência que a maioria de nós tivemos onde um som do mundo real é ouvido em nosso sonho e incorporado de alguma maneira. Um exemplo similar que também acontece seria quando você está fisicamente com sede e sua mente incorpora esse sentimento no seu sonho. Minha própria experiência deste inclui repetidamente beber um grande copo de água no sonho que me satisfaça, esse ciclo se repete muitas vezes até eu acordar e ter uma verdadeira bebida. 
  Você está paralisado enquanto dorme
Acredite ou não, seu corpo está virtualmente paralisado durante o sono - com maior probabilidade de impedir que seu corpo venha a agir em aspectos dos seus sonhos. De acordo com o artigo da Wikipedia sobre sonhar ", glândulas começam a secretar um hormônio que ajuda a induzir o sono e neurônios enviam sinais para a medula espinhal, que causam o relaxamento do corpo e mais tarde torna-se praticamente paralisado."

Curiosidades extras: 
1. Quando você está roncando, você não está sonhando. 
2. Crianças não sonham sobre si mesmo até por volta dos 3 anos. Da mesma idade, as crianças normalmente têm muitos mais pesadelos do que os adultos até a idade de 7 ou 8. 
3. Se você for despertado fora do REM (Rapid Eye Movement), você fica mais propenso a lembrar o seu sonho de uma forma mais viva do que você lembraria se tivesse acordado de uma noite de sono completa.
Postado por CLEBER MARTINS

Austismo e as contribuições de Laznik

Hoje no CBP/RS tivemos a presença de Gabriela Xavier Araújo (CRIA - Universidade Federal de São Paulo) em uma noite de reflexões, nos trouxe as contribuiçoes de Marie-Christine Laznik.


Em 1911 a definição de época para o termo Autista retratava uma variação de Esquizofrenia, que foi logo transformado na "Inaptidão para reger suas relações com sujeitos normais".

Logo  o tão comentado TGD (Trantorno Globais de Desenvolvimento) no DSM-IV dará lugar ao TEA (Transtorno de Espectros Autistas) justamente para evitar a generalização, bem como a diagnosticalização exagerada e irresponsável.


Em uma das sessões de Laznik conseguimos evidenciar muito claramenta a idéia da Intersubjetividade ou seja incapacidade de partilhar e expressar  os objetivos do bebê com outros. O olhar ou a falta de olhar é explícito no Bebê que já demonstra sinais de alerta falhando assim os protocolos de seu desenvolvimento. 


Laznik acredita em uma interrupção no Circuito Pulsional composto por 3 etapas:


- Objeto Oral (Amamentação)
- Objeto Auto Erotico (Bebê suga o dedo)
- Objeto do outro (Bebê procura o dedo da mãe e ou oferece o seu para ser sugado)




Para este que escreve, fica evidente o papel Materno como "Fabricante Autista" pois todas as pesquisas , mesmo com vários Bebês de mesma mãe, apontam a falta de atenção a estes circuitos pulsionais. Dentro do prazo de plasticidade cerebral do Bebê (15 meses) Laznik ainda consegue a reversão destes objetos pulsionais se colocando na posição materna, mas chega a ser angustiando assistir as gravaçoes das sessões, visualizando alguns exemplos claros de sinalização autistas:


- Bebê é amamentado de lado... Bebê desvia o olhar que nunca é encontrado pelo olhar materno....etc


Hoje através do Governo Francês, Laznik consegue fazer a preparação dos pediatras para que atentem a estes claros sinais dados pela mãe e pelo bebê.


Não trazendo para este ensaio questões sócio-sexuais é evidente a importância iniciadora materna no processo austista, bem como estão relacionados os processos psicóticos infantis, com a paternidade. Espero eu que todas estas questões cheguem o mais rápido possivel no sistema público de saúde para detecção e diagnosticos de mães e bebês.
Postado por CLEBER MARTINS

Mecanismos do Sono

Processo ativo cuja periodicidade é determinada por ritmos biológicos, dormir é indispensavel para manter as boas condições psicofísicas e cognitivas.
Neurofisiologia - Revista American Scientific - por Ivana Gritti
Desde que o homem procurou interpretar o misterioso fenômeno do sono, as duas hipóteses dominantes seguiram direções opostas. Para alguns, o sono era análogo à morte, porque aparentemente suspendia as funções mentais. Para outros, representava - assim como a vigília - uma atividade mental particular. Foi por isso que Hesíodo, quase oito séculos antes de Cristo, chamou o sono de "irmão da morte", enquanto Hamlet, de Shakespeare, equiparava o sono ao sonho, uma ocasião para experimentar formas especiais de atividade mental. No começo do século XX, Sigmund Freud desenvolveu esse conceito, publicando uma série de trabalhos que influenciariam por décadas as pesquisas sobre o sono.
Em 1913, o fisiologista francês Henri Piéron definiu três particularidades do sono: é necessário periodicamente, tem ritmo relativamente independente das condições externas e caracteriza-se pela completa interrupção da percepção dos impulsos sensoriais e motores que ligam o sistema nervoso ao ambiente. A terceira característica, porém, não é completamente exata. Durante o sono, os impulsos sensoriais originários das extremidades do corpo (pernas e braços ou ouvido e retina, por exemplo), não atingem as áreas do córtex cerebral responsáveis pela elaboração desses dados, no entanto, os comandos motores emitidos pelo córtex alcançam, em fases particulares do sono, os respectivos neurônios da medula, mesmo se as informações que chegam estiverem ativamente inibidas. Mas a definição de Piéron conserva sua atualidade e levanta uma questão crucial: por que nosso sistema nervoso central é sujeito a variações de atividade tão profundas?
Ao longo da vida, o tempo utilizado para dormir é rigidamente controlado. O ciclo do sono e da vigília do recém-nascido é polifásico, isto é, sono e vigília - como bem sabem os pais - alternam-se. Na criança, torna-se bifásico; no adulto, monofásico e circadiano (do latim circa + dies, de aproximadamente 24 horas) e novamente bifásico no idoso. Esse ciclo representa também um ritmo orgânico interno, sincronizado com a alternância entre dia e noite e influenciado por fatores externos e sociais. Na ausência desses fatores, isto é, no isolamento, tende a passar de 24 para 25 horas, em média.
Existem provas experimentais da existência de mais de um relógio biológico. Quando as condições de referência não estão presentes (tais como o ciclo luz-escuridão), as diversas funções rítmicas - temperatura, excreção de urina e secreção de cortisol - comportam-se diversamente. A temperatura corporal varia segundo um ritmo circadiano, com um pico máximo no final da tarde e mínimo no início da manhã, durante o sono. Em condições normais, temperatura e ciclo sono-vigília são sincronizados.
Até os anos 50, pensava-se que o sono fosse um fenômeno passivo, devido à diminuição das informações provenientes dos diversos sistemas sensoriais, que consequentemente não conseguiam manter o indivíduo acordado. Em outros termos, o sono era considerado um cessar do estado de vigília. A idéia de que fosse um fenômeno ativo surgiu somente na década seguinte.
Hoje sabe-se que os estágios do sono são programados segundo uma sequência temporal relativamente preestabelecida e controlados por mecanismos fisiológicos e sistemas neuroquímicos cerebrais encadeados.
O controle do ciclo sono-vigília baseia-se em dois processos fundamentais: um ligado ao centro rítmico circadiano (C) e outro aos mecanismos que regulam especificamente o sono (S). A organização dos mecanismos circadianos é bastante conhecida. Mas só recentemente surgiram novos dados sobre a determinação ultradiana (referente aos ritmos que ocorrem em ciclos mais frequentes que a cada 24 horas) do processo sono-vigília e os mecanismos que controlam cada estado.
O processo C, organizador da alternância entre sono e vigília, é relativamente independente do S e ocorre no núcleo supraquiasmático, situado no hipotálamo anterior. O processo S, que regula e executa o ciclo, se distribui nas áreas bulboponto-mesencefálicas, diencefálicas, telencefálicas e corticais, e é influenciado pela temperatura e por fatores humorais, nervosos, genéticos, psicológicos, ambientais, socioculturais.
Atualmente considera-se o sono um estado global, cujos mecanismos de controle são identificáveis em todos os níveis da organização biológica: nos genes, mecanismos intracelulares e circuitos dos vários grupos de células nervosas, sistemas neuronais centrais responsáveis pelo controle do movimento, do ato de acordar, das funções autônomas, do comportamento e do estado mental.
Recentes descobertas genéticas indicam que os mecanismos moleculares e comportamentais que controlam os ritmos circadianos e determinam o estado de sono são inseparáveis do ponto de vista biológico mais profundo e foram mantidos ao longo história evolutiva das espécies, conferindo aos mamíferos ancestrais uma vantagem que se perpetuou até o presente. A privação de sono altera o controle da temperatura, o metabolismo e as funções imunológicas, podendo levar à morte.
No sistema nervoso central dos mamíferos, as instruções genéticas são transcritas e expressas até nos mais altos níveis - como o da transcrição de genes, da síntese protéica e da dinâmica dos neurônios, considerados individualmente ou em populações - para influir sobre o comportamento. Do ponto de vista molecular, os ritmos circadianos do sono são vinculados à interação de mecanismos de retroalimentação positiva e negativa dos genes ligados a esses ritmos e à regulação das proteínas que tais genes sintetizam nos neurônios do núcleo supraquiasmático, sujeito à luminosidade do ambiente. As informações circadianas são integradas aos dados homeostáticos, que regulam a necessidade de sono nos núcleos do hipotálamo anterior e interagem com os sistemas da vigília do hipotálamo posterior, prosencéfalo basal e tronco encefálico.
Durante o sono, um centro ultradiano situado no tronco encefálico controla a alternância regular do sono em ondas lentas com o sono REM (do inglês rapid eye movement, movimentos oculares rápidos). Os ciclos do sono são também acompanhados por influências reguladoras provenientes das estruturas encefálicas subcorticais e corticais com função específica na regulação do sono e dos estados de consciência comportamentais e cognitivos.
Ao contrário das hipóteses dos primeiros fisiologistas, sabenos que o cérebro todo participa (em diferentes graus) da organização, regulação e manutenção do sono. A história da pesquisa que desvendou seus vários mecanismos começa com Ivan Pavlov, que na década de 20, na então União Soviética, observou um animal de laboratório induzido ao sono por estimulação condicional repetida. Pavlov acreditava que o sono fosse um fenômeno ativo produzido por um estímulo sensorial repetitivo capaz de produzir uma área de inibição. A essa hipótese se contrapunha, nos anos 30, a do belga Frederic Bremer, cujos experimentos com gatos tornaram-se clássicos. Depois de produzir um corte no tronco encefálico de um felino, o fisiologista o induziu a uma espécie de sono permamente. Bremer considerava que o sono fosse um fenômeno passivo, produzido pelo desligamento dos sistemas sensoriais, responsáveis pela manutenção da vigília.


  • Fenômeno ativo
    Na década de 40, o fisiologista suíço Walter Hess descobriu que o sono podia ser induzido estimulando-se o tálamo medial, uma zona anterior àquela lesada por Bremer. Concluiu então que o sono era um fenômeno ativo. Mas eis que depois de alguns anos, Giuseppe Moruzzi e Horace V. Magoun, da Universidade de Chicago, Estados Unidos, demonstraram a possibilidade de acordar o animal adormecido, estimulando a substância reticular, um grupo de neurônios localizados no tronco cerebral. Se a mesma área fosse lesada, o animal adormeceria. O sono voltava a ser um fenômeno passivo presente quando os neurônios responsáveis pela vigília paravam de ativar-se.
    A mesma teoria reticular foi se complicando nos anos seguintes: pesquisadores do laboratório do sono da Universidade de Pisa, na Itália, entre os quais Mauro Mancia, conseguiram demonstrar que na substância reticular mais posterior já existiam neurônios em condições de produzir ativamente sono. Tal teoria permaneceu a única capaz de explicar a alternância rítmica de sono e vigília. Nos anos 70, foi demonstrado que outras estruturas, como as áreas hipotalâmicas anteriores e basais, intervinham no processo do adormecimento juntamente com os núcleos talâmicos. Essas estruturas representavam o verdadeiro núcleo do sono.
    Mas mesmo o cérebro mais antigo - constituído pelo sistema límbico, que inclui o hipocampo participa da organização do sono e, em particular, do sono REM. De fato, é justamente em algumas áreas do córtex cerebral e o hipocampo que, em consonância com o sono REM, aparecem ondas típicas do sono como expressão de uma ativação dessa importante estrutura. Portanto, é evidente que, contemporaneamente, o sono remete ao cérebro arcaico (tronco encefálico), ao cérebro antigo (sistema límbico) e ao cérebro moderno (sistema tálamo-cortical e o neocórtex).
    Paralelamente a esses fenômenos relacionados ao cérebro, há também sinais dirigidos à medula espinhal que alteram a atividade motora e do tônus muscular. A ação descendente inibitória dos neurônios localizados no tronco cerebral, por exemplo, é máxima durante o sono REM, o que justifica a queda a zero do tônus muscular. Além disso, os sinais enviados aos neurônios neurovegetativos na medula espinhal durante o sono REM são responsáveis por arritmias cardíaco-respiratórias e variações da pressão arterial.
    Importantes são também as relações entre os mecanismos do sono e os da termorregulação. Durante o sono, porém, a temperatura do corpo cai e esse comportamento pode ser visto como um tipo de adaptação homeostática. Esses mecanismos operam particularmente no sono sincrônico e cessam no REM.
    O estudo da vigilia, do sono e de suas fases foi possível graças à descoberta do eletroencefalograma (EEG) pelo fisiologista inglês Richard Caton. Em 1875, ao desenvolver pesquisas sobre o cérebro do coelho. Caton observou que, aplicando-se ao córtex alguns eletrodos ligados a um galvanômetro, registrava-se uma oscilação do potencial. As oscilações modificavam-se com a anestesia e desapareciam com a morte do animal. Mas foi preciso esperar o ano de 1929 para que o eletroencefalograma fosse testado no homem. O psiquiatra austríaco Hans Berger registrou as ondas elétricas cerebrais que se modificavam após estímulos sensoriais, sono ou durante crises epiléticas.
    Nas décadas seguintes, o eletroencefalograma encontrou mais aplicações que os primeiros experimentadores poderiam imaginar. Demonstrou ser um instrumento muito útil para distinguir as variações da atividade cerebral correspondentes ao ciclo sono-vigília. Atualmente essa análise é realizada por uma técnica mais sofisticada, a polissonografia, que faz o registro simultâneo de uma série de variáveis fisiológicas permitindo definir com precisão os estágios do sono e avaliar eventuais anomalias.
    No homem, o ciclo sono-vigília compreende três fases maiores: a vigília, o sono de ondas lentas, ou sem movimentos oculares (composto de quatro estágios), e o sono de movimentos oculares rápidos.



  • Monitoramento cerebral
    Quando o indivíduo está acordado e ativo, a polissonografia intercepta uma série de sinais que se revelarão preciosos para analise do ciclo sono-vigília. O exame de eletroencefalograma mostra uma predominância de ondas cerebrais de baixa voltagem alta frequência (beta e gama, de 15 a 60 ciclos por segundo) flutuações espontâneas da atividade que variam em cada região cerebral (visual, auditiva, sensorial, motora) conforme o tipo e estimulação sensorial (um sinal luminoso, um ruído, uma pluma que toca o braço), a atividade motora (um movimento, mesmo que apenas de um dedo, de uma extremidade ou de um grupo muscular), ou os diversos estados mentais da pessoa (a execução de um cálculo matemático, por exemplo).
    As variações espontâneas EEG podem ser analisadas por meio das mudanças de frequência e voltagem do traçado. Na maioria dos adultos normais, acordados e relaxados, prevalece uma atividade rítmica relativamente lenta, o ritmo alfa. Este pode variar entre as pessoas e tem uma frequência de 8 - 12 ciclos por segundo. Se o indivíduo estiver deitado com os olhos fechados e relaxado, a amplitude das ondas alfa é maior; se estiver em estado de alerta (por causa de um alarme que toca, por exemplo), envolvido em um processo mental, ou simplesmente para abrir os olhos, no traçado EEG aparece um ritmo mais rápido, pedominante nas regiões frontais e centrais. Essa atividade é denominada ritmo beta, tem uma frequência entre 15 e 30 ciclos por segundo e é descrita como rápida, de baixa voltagem. O método principal para determinar no homem os estados do sono é representado pelo EEG e/ou polissonografia. Ondas particulares que normalmente não são visíveis no EEG de um homem normal acordado aparecem no sono. A atividade alfa, predominante na vigília, desaparece e dá origem a outras ondas lentas que surgem durante estado de sono de ondas lentas (SWS, do inglês slow wave sleep). O eletroencefalograma muda progressivamente nessa fase. Essa é a razão pela qual ela foi subdividida em quatro estágios ( 1, 2, 3 e 4) caracterizados por uma atividade eletroencefalográfica de frequência progressivamente mais lenta e de voltagem crescente, correspondentes a níveis de sono sempre mais profundo.
    Quando uma pessoa adormece, seu EEG passa pelos estágios 1 a 4 do sono de ondas lentas no intervalo de 30 - 45 minutos e, em seguida, percorre os mesmos estágios na ordem inversa, no mesmo tempo. No sono de ondas lentas, os músculos antigravitários do corpo relaxam-se progressivamente, mas a atividade não é totalmente ausente. Uma pessoa dormindo muda de posição em média a cada 20 minutos. Nesse estágio, predomina a atividade parassimpática (atividade do sistema nervoso autônomo que sintetiza o neurotransmissor acetilcolina). A frequência cardíaca e a pressão arterial diminuem e a motilidade gastrintestinal aumenta. O limiar para o despertar do sono de ondas lentas é inversamente proporcional à frequência das ondas eletroencefalográficas, portanto o estágio 4 de ondas lentas é o mais difícil de interromper e é uma das fases mais restauradoras do sono.



  • Fase paradoxal
    Depois de aproximadamente 60 - 90 minutos do momento em que a pessoa adormeceu, verificam-se numerosas modificações fisiológicas. O EEG torna-se subitamente - e paradoxalmente - dessincronizado, com uma atividade rápida de baixa voltagem parecida, mas não idêntica, àquela registrada na vigília. Esse tipo de atividade cerebral é associado a um considerável grau de ativação simpática (isto é, associada a um aumento da secreção de noradrenalina, pelos nervos adrenérgicos e da secreção e emissão em circulação de adrenalina, pelas glândulas suprarenais). O sistema nervoso simpático é ativado em situações de ataque, emergência, fuga, stress e provoca também o aumento da frequência cardíaca e respiratória e da pressão sanguínea, bem como o bloqueio dos movimentos gastrointestinais. Tem-se uma considerável redução do tônus dos músculos antigravitários, com exceção dos músculos oculares e do ouvido médio. Como consequência, o ronco, quando presente, diminui. O indivíduo perde a capacidade de regular a temperatura corporal, que lentamente começa a aproximar-se daquela ambiental. Essa fase está presente em todos os mamíferos, e, em forma rudimentar, também nos pássaros.
    A primeira descrição desta fase do sono, também conhecido como sono paradoxal, deveria ser atribuída ao italiano Sante De Sanctis que, já em 1899, havia observado movimentos oculares sob as pálpebras do filho desacordado. O estudioso formulou a hipótese de que os movimentos oculares fossem os responsáveis pelo fenômeno onírico. Em 1957, William Dement, Nathaniel Kleitman e Eugene Aserinsky, da Universidade de Chicago, registraram em um paciente que estava próximo de uma fase de sono síncrono sem movimentos oculares uma fase de sono dessincronizado, aquele que em seguida foi definido sono REM.
    Nesse estado, o EEG se assemelha ao observado na vigília, mesmo que esteja presente uma atividade lenta - teta - muito mais regular do que aquela que aparece na fase inicial S 1 do sono. Além disto, justaposta a essa atividade rítmica, muitas vezes outra atividade muito rápida é visível, entre as ondas beta e gama (de 15 a 30 e de 31 a 60 ciclos por segundo), acompanhada por movimentos oculares rápidos. Tal atividade é considerada o corolário da atividade mental imaginária e dos processos que se realizam durante o sono com movimentos oculares rápidos: o sonho. A atividade eletroencefalográfica de alta frequência (beta e gama) que se registra durante o sono REM indica um estado de alerta, apesar de o perfil comportamental ser análogo àquele do sono.
    O despertar do sono REM pode ser induzido por estimulação sensorial, com limiar de resposta muito mais elevado que o da vigília. Além disso, observa-se uma subsequente queda das respostas a estímulos sensoriais e motores devido às influências inibitórias enviadas pelos neurônios localizados no tronco encefálico. Finalmente, a maior parte das pessoas que são acordadas durante o sono REM relata que estava tendo um sonho de conteúdo bizarro.



  • Necessidade de sono REM
    O sono noturno típico de um adulto normal apresenta períodos alternados de sono REM e de sono de ondas lentas. O estágio REM ocorre entre 4 e 6 vezes, em intervalos regulares. Depois do primeiro período REM, os intervalos entre os seguintes diminuem gradualmente, enquanto a duração dos episódios REM tende a aumentar. Em um adulto jovem, a duração do sono REM corresponde a aproximadamente 20 - 25% do tempo dormido. O estágio 2 do sono de ondas lentas ocupa quase a metade do tempo total de sono, enquanto os estágios 3 - 4 do sono de ondas lentas - que aparecem principalmente na primeira metade do período do sono - ocupam 15%.
    Os episódios de sono de ondas lentas mais superficiais e os períodos mais longos de sono REM verificam-se preferencialmente na segunda metade do período de sono e portanto, geralmente, nas primeiras horas da manhã, sendo normalmente caracterizados por despertares mais frequentes. O estágio 4 do sono de ondas lentas e o sono REM têm características particulares. O primeiro, aliás, é influenciado consideravelmente pela duração do período da vigília anterior, enquanto o estágio REM o é menos. Tanto o sono sincrônico sem movimentos oculares, quanto o dessincronizado - o sono REM - podem ser afetados pela ingestão de fármacos.
    Existem também fatores determinantes de natureza ontogenética e filogenética. No homem, a necessidade diária de sono REM diminui a partir da juventude, permanece estável na idade intermediária e, em seguida, cai na velhice. As variações mais singulares dizem respeito à amplitude do sono REM e do estágio 4 do sono de ondas lentas.
    A necessidade de sono REM começa ainda no útero: em um recém-nascido ocupa aproximadamente 80% do tempo total de sono; depois dos 10 anos, estabiliza-se em torno de 25%. Sua duração absoluta diária passa de 8 horas, no nascimento, a 60 - 90 minutos no adulto. A duração do estágio 4 do sono de ondas lentas, ao contrário, se reduz exponencialmente e desaparece completamente depois dos 60 anos. No idoso, a redução da duração do estágio 4 do sono de ondas lentas relaciona-se com o aumento do número de acordamentos normais espontâneos e, finalmente, com o retorno de um tipo de sono com um ritmo circadiano bifásico.



  • Camada de mielina
    A importância do desenvolvimento dessas variações singulares e sistemáticas do sono REM tem relação com o andamento do processo de mielinização dos circuitos neuronais cerebrais e com a teoria segundo a qual o sono REM, provocando uma intensa ativação desses circuitos, representa um estímulo indispensável para a correta maturação cerebral.
    Em 1970, Michel Jouvet desenvolveu uma teoria para explicar em particular o sono REM. Seus registros indicavam que nos símios antropomorfos esse tipo de sono assemelhava-se ao humano. O sono nos roedores, nos pequenos mamíferos e nas aves é caracterizado por dois estágios: um sono de ondas lentas e um ativo, análogo ao sono REM do homem. A presença de sono associada à dessincronização do eletroencefalograma não foi demonstrada com segurança nos répteis e nos anfíbios, mas os critérios para estabelecer as homologias entre tipos de sono podem ser aplicados somente às espécies dotadas de neocórtex. Jouvet sugeriu que o sono REM pode representar um desenvolvimento filogenético tardio, característico dos animais de sangue quente.
    No que se refere aos sonhos, é experiência comum que os sonhos da manhã são mais fáceis de lembrar. São aqueles com conteúdos psicológicos ligados à memória remota e a uma participação emocional mais elevada.
    Durante o sono noturno, com o suceder-se dos períodos de REM, nos quais os sonhos são mais vívidos, aumenta a intensidade das manifestações fisiológicas que os acompanham e, paralelamente, a frequência com a qual as imagens visuais aparecem na lembrança que temos do sonho.



  • Cegos congênitos
    Os sonhos têm principalmente conteúdos visuais, mas isso, obviamente, não é válido para os cegos congênitos, que sonham conteúdos auditivos, enquanto os indivíduos que perdem a visão gradualmente acabam perdendo também o conteúdo visual dos sonhos. A temporalidade nos sonhos não é comprimida. A duração e a estimativa do tempo de duração do sonho apresentam uma correlação positiva com a duração do sono REM, enquanto a atividade mental do sono de ondas lentas é lembrada com menor facilidade porque é menos organizada, do ponto de vista visual, mais conceitual e plausível, mas com menor conteúdo emocional. A maior parte dos pesadelos noturnos acontece durante os estágios 3 e 4 do sono de ondas lentas, caracterizados por sensações de dificuldade respiratória, paralisia e ansiedade.
    Todas as teorias que procuram explicar a função do sono podem ser consideradas válidas, mas nenhuma é capaz de justificar, sozinha, por que a privação total de sono leva à morte, apesar de as funções fisiológicas se manterem em níveis normais. Segundo a tese da recuperação, o sono teria uma função de reparo dos tecidos do organismo relacionados aos estágios de sono de ondas lentas, e de recuperação do sistema nervoso central ligado ao estágio REM. O sono REM desempenharia um papel na formação de novos contatos entre os neurônios, favorecendo a formação das vias neuronais do sistema nervoso central.
    A teoria da conservação da energia evidencia, ao contrário, o quanto acontece durante o sono síncrono, sem movimentos oculares. A atividade metabólica e a temperatura corporal diminuem, contrariamente ao que ocorre durante o sono REM. Isso faz pensar na presença de uma ligação entre os dois tipos de sono, em termos energéticos: a energia é conservada ciclicamente em função de sua utilização sucessiva. Esse fenômeno, pouco significativo no homem, adquire importância especial do ponto de vista evolutivo, pois a termorregulação endógena aparece com o sono síncrono.
    Com base na teoria evolutiva das presas e dos predadores, o desenvolvimento do sono sofreu a influência do ambiente, tendo, entre suas funções, a de favorecer a sobrevivência da espécie. Quando dormem, os animais permanecem imóveis e, portanto, não atraem a atenção dos predadores, apesar de serem mais vulneráveis. Os herbívoros dormem por breves períodos, para ter tempo de procurar alimento e esconder-se dos predadores. Os carnívoros empregam menos tempo para prover-se de alimento e, portanto, dormem mais. O animal que apresenta a maior quantidade de sono REM é o gato doméstico. Outros, como o golfinho, que controla voluntariamente a respiração mesmo durante o sono, descansam utilizando apenas um dos dois hemisférios cerebrais.
    No sono REM está presente uma intensa atividade dos neurônios dos sistemas límbico e cortical, encarregados dos processos de memorização. Nos filhotes dos mamíferos prevalece justamente essa fase do sono, na qual aumenta a síntese protéica, resultado final de um processo que permite armazenar as informações na memória por longo prazo. Ao que tudo indica, o sono REM parece ter um papel fundamental nos processos de aprendizagem e memorização.

    - Sleep. J. A. Hobson. Scientific American Library, 1989.
    - Neurofisiologia. M. Manda. Raffaelo Cortina Editore, 1993.
    - PrincipIes and practice of sleep medicine. M. K. Kriger, T. Roth, W. C. Dement. (orgs.), Saunders Company, 2002.

  • Postado por CLEBER MARTINS

    Estimulando o "pézinho"


    Este texto se presta a tentar jogar um pouco de luz a respeito da relação teórica da Psicanálise com relação as doenças Psicossomáticas.
     O objetivo é tentar levar ao conhecimento do leitor de uma maneira básica e inteligivel alguns aspectos importantes desta temática no campo analítico. 
    Muitos psicólogos/Psicanalistas, por desconhecerem as produções teóricas dos autores contemporâneos, permanecem reféns do conceito popular de doença psicossomática segundo o qual afecções dessa natureza são distúrbios orgânicos motivados por conteúdos de ordem psíquica. 
    Essa é uma definição  pouco útil e que não faz jus à complexidade e delicadeza do problema.
    É muito comum encontrar também não apenas leigos, mas estudantes e profissionais de psicologia e até mesmo psiquiatria que irrefletidamente pensam o sintoma psicossomático como sendo ocasionado apenas pelo fato de o indivíduo não poder se expressar pela fala. Como veremos, tal concepção não é de todo equivocada, mas requer maiores esclarecimentos para que não se seja levado ao absurdo de recomendar uma mera explicitação desordenada (catarse) como estratégia terapêutica para pacientes psicossomáticos. Caso não queiram ler o que virá a seguir, fixem na memória apenas a fórmula seguinte.:

    Sintoma psicossomático é diferente  de Histeria Conversiva (Fenichel 2005)

    Esperamos também que os conteúdos que aqui serão abordados possam auxiliar àqueles que efetivamente sofrem com sintomas psicossomáticos a discernirem melhor os fatores que podem ter levado ao desenvolvimento da enfermidade e motivá-los a buscar a ajuda de um psicanalista.


    Mesmo não entrando na profundidade teórica dos autores estudados, faremos a tentativa de compreensão, baseada na experiências clínicas destes autores, na qual experimentaram (e experimento) o
    contato com a psicossomática no interior do dispositivo analítico padrão,  na qual, começam a aparecer em em consultório , pacientes cujas manifestações mais proeminentes são de ordem orgânica, levando -os a buscar entender o significado desses fenômenos na clínica.

    Para tal entendimento, a maioria dos autores relata uma singularidade ao observarem em pacientes um modo peculiar de lidar com os próprios afetos. Tais indivíduos pareciam agir como se seus afetos não existissem. Seu discursos eram mecânico, sem vida e frente a acontecimentos intensos de sua existência eram capazes de reagir com toda a resignação do mundo. Ao mesmo, comportando-se dessa forma, faziam com que no analista brotassem os mais vivos afetos. 
    Diante destas observações se pode observar que a tríade se faz presente: O sintoma psicossomático, a Ausência de afetos e a Estimulação de afetos no analista.


    Buscando sustentação na obra de Freud a respeito ds afetos, se encontra a teoria clássica :

    "Os afetos são manifestações psíquicas do afluxo (movimento de eletricidade a um ponto; Chegada de grande quantidade) de energia pulsional" 
     
    Na medida em que o acúmulo dessa energia gera um afeto desprazeroso, o indivíduo deve empregar estratégias para descarregá-la. Todavia, como a descarga total é impossível, a saída é fazer essa carga energética (energia psiquica) circular entre representações  de modo a “drená-la”. 
    Essa é a estratégia utilizada pela maior parte de nós. 
    O que contemporâneamente poderemos entender é que este processo natural de "drenagem" dessa energia, se pode ser aprendida e  empregada se o indivíduo, ainda bebê, tiver experimentado um ambiente que utilizou essa mesma estratégia para com ele antes que tivesse capacidade para tal. 
    Sejamos mais claros:
    Logo ao nascer, o bebê não dá conta de drenar a energia psíquica pulsional que desde o nascimento já dá o seu ar da graça porque ele ainda não possui representações  para as quais drenar o afluxo energético. Mas a mãe as possui! E por possuí-las, ela deve exercer para o bebê a tarefa denominada por McDougall de “pára-excitação” a qual, em termos simples, significa fornecer ao bebê palavras, significantes, representações aos quais o bebê possa investir a energia pulsional e se libertar do poder ameaçador dela. Para dar um exemplo, as mães fazem isso sem saber quando brincam de nomear as partes do corpo da criança: 
    “Esse é seu pezinho; esse é seu narizinho” e durante as “conversas” com o bebê ainda quando esse não sabe falar. É importante lembrar que para que a palavra cumpra sua função de representação, o bebê não precisa enunciá-la, basta que ele a ouça. 



    Pois bem. Nem todo indivíduo conta com um ambiente que funciona adequadamente assim. E aí, quando o bebê não conta com essa função de para-excitação, ele é deixado na "cova dos leões pulsionais."
    Não é que a pulsão seja naturalmente má. É que ela é pulsão, ou seja, força ininterrupta que demanda trabalho. 
    Então, se não há ferramentas (representações) com as quais trabalhar, logo o indivíduo só tem contato com a força! E essa força excede a tal ponto as capacidades de resistência do bebê que passa a ser sentida por ele como uma angústia inominável, isto é, que não se tem palavras para descrever. 

    Desafetação

    Em tais casos, a única saída que resta para o bebê se constituir minimamente é se cegar para não ver a pulsão (energia de trabalho mental), o que se chamae de “ejetar o afeto do psiquismo” ou “desafetação”. 
    É óbvio que a pulsão continua presente, mas o indivíduo passa a viver como se ela não existisse, de modo que ele utiliza dela apenas o mínimo suficiente para se manter vivo, mas sem fazer dela uso libidinal  (desejo) algum, concebendo-a como potencialmente aniquiladora. 
    São esses os pacientes somatizantes que se encontra em clínica. É justamente por isso que eles aparentam não sentir nada. É que qualquer afeto um pouco mais intenso é sentido por eles como semelhante à situação de desespero que viveram quando bebês. Eles utilizam então a mesma defesa que outrora: ejetam do psiquismo o afeto, tornando-se desafetados.

    O problema é que o afeto que foi expulso do psiquismo não foi destruído, mas retornou a seu lugar de origem. Que lugar é esse? O próprio corpo. Entretanto, o corpo não é capaz de suportar tamanha carga energética, pois nós não somos apenas corpo. Somos corpo e psiquismo. Assim, boa parte dessa carga energética deveria ter sido distribuída entre as representações. Por não dar conta de comportar tamanho volume afetivo ressomatizado, o corpo irá sofrer prejuízos. Com efeito, quanto maiores forem as cargas afetivas ressomatizadas, maior impacto o corpo sofrerá e mais graves serão as lesões produzidas.

    Tratamento

    Acerca da estimulação de afetos no analista no tratamento de pacientes desafetados, trata-se de um fenômeno que ocorre não apenas na relação com o analista, mas também com outras pessoas do convívio do indivíduo. Se expressa pela tendência de pacientes desafetados em fazer com que o outro experimente os afetos que não lhes são possíveis de serem experimentados na esperança de comunicar ao outro o estado desesperador em que o indivíduo se encontra por não poder experimentar os próprios afetos. É como se o indivíduo estivesse dizendo: “Sinta por mim, já que eu não posso…”(L.Napoli).

     O fato de o paciente desafetado não ter contado com um ambiente que exerceu de maneira efetiva a função de para-excitação não significa que ele seja pobre em representações. Essas podem inclusive ser mais abundantes do que em pacientes neuróticos. A diferença é que no primeiro caso elas são pouco investidas afetivamente.





    baseado no texto de L. Napoli.
    Postado por CLEBER MARTINS

    Nós e a Música

    Hoje, domingo ensolarado, antes de sair para uma caminhada resolvi ligar a TV e assisti um debate sobre a "ditadura musical" que acontece com o gênero sertanejo no interior de SP.
    Não me cabe opinar a respito do meu gosto pessoal mas compreendi e me parece plaúsivel entender que os gêneros sertanejos, Axé e Funk são oriundos de algo ouvidos por nossos pais.
    O Rock propriamente dito sempre foi algo "contraventor", logo não era popular o suficiente pra "perecer" gerações, coisa que os outros gêneros sim.
    O interessante perceber é que, já que ambos são oriundos destes gêneros, foram ouvidos por nossos pais. Dificilmente nossos pais ou avós não simpatizavam com um dos gêneros ou as vezes a mãe um e o pai outro.

    Diante disso, meu texto se vale para tentar creer que a "Geração Y" e/ou a Passada simpatiza com Funk, sertanejo ou os dois, pois inconscientemente são acalmados com a averbação do gostos familiar, pois nem mesmo a letra é levada em consideração, somente a "massagem auditiva" que se torna prazer ao conectar inconscientemente:
    "Meu Pai/Mãe gostavam disso"
    Na verdade a música está deformada em sua essência, mas mesmo assim permanece esta sensação para gerações posteriores. Obvio que este texto é apenas uma observação minha, mas consider no mínimo Plausível.

    Não se ofenda, não torne este texto político e com ele não emiti meu gosto pessoal..apenas foi minha percepção. Se gostou, caso goste..COMPARTILHE, caso não goste DESCONSIDERE.
    Postado por CLEBER MARTINS

    O Ser do Humano


    É muito comum circular pelas redes sociais fotos de cães e gatos mal tratados ou que precisam de adoção. Estas ações são nobres com estes seres vivos em apuros. Na verdade, nenhum ser vivo mereçe isso...
    Mas o que você está fazendo com o seu semelhante?
    Ser humano não precisa de adoção?
    As crianças não precisam de amparo e alimentação?
    Você não se solidariza, pois elas são mais "difíceis de adestrar"?
    Você finge "cegueira social" pois eles não se contentam apenas com ração e água?
    Você chama atenção para os animais, pois (ainda) não existe "Hoteis para crianças"na qual quando você viaja ele ficaria lá?
    Com tristeza, percebo que o ser humano não compreende (ou foge da compreensão) que o cãozinho de amanhã precisará ser cuidado pela criança de hoje.
    Não maltrate nem desampare nenhum ser vivo, mas NUNCA ESQUEÇA que o ser humano faz parte desta fauna.
    Diga não ao desamparo e a violência infantil.
    Compartilhe este texto e por ele sou responsável (quando reproduzido em sua totalidade, obvio). Feliz 2012. 

    Postado por CLEBER MARTINS
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