Afinal, o que é Perversão?


Este texto se propõe a uma investigação estrutural do conceito de Perversão para Freud. Considerando a polissemia que a palavra comporta, reportando a componentes morais, históricos, médicos e à trajetória de Freud na busca de uma definição do sintoma perverso, entendemos que não é irrelevante a tentativa de uma delimitação epistemológica do campo da perversão, que vá além de uma descrição fenomenológica de casos para um estudo teórico da construção deste conceito.



     
Perversão: A origem do interesse científico e a gênese do conceito

Possível passo inicial para essa investigação seria uma breve recapitulação do processo de apropriação científica do termo “Perversão”. Segundo Castro (2004), a busca do conhecimento científico sobre a sexualidade veio responder a uma demanda positivista e jurídica sobre as alienações mentais e as práticas socialmente bizarras no século XIX. Sendo assim, pode-se dizer que a medicina legal, em sua origem, propõe uma visão de juízo moral sobre os comportamentos sexuais, tendo como parâmetro regras fisiológicas, com um forte conteúdo de função social normativa. Segundo Fleig (2008), “(...) o perverso se caracterizaria como aquele cujo comportamento se afastaria do que estaria prescrito pela natureza. No campo sexual, segundo a doutrina da Igreja, a natureza indica sua estrita finalidade: a reprodução”(Id.,2008,p.15).
Dessa forma, qualquer comportamento que desviasse dos objetivos de perpetuação da espécie seriam considerados patológicos. A partir desse momento então a ciência, incorporada pela Medicina e apoiada pelo poder judiciário, passa a definir a moral da época, postulando quais práticas eróticas são naturais e quais são prejudiciais e patológicas (Pereira, 2009). A idéia de “defeito moral” produz por fim a figura do sujeito perverso, retratada a partir principalmente de uma convergência entre crueldade e desvio da genitalidade. Pode-se dizer que essa figura, entregue pela medicina ao campo jurídico, veio responder a uma demanda social de culpabilização (Frota Neto e Rudge, 2009). O perverso incorpora o papel social de bode expiatório, ao torno do qual se produz uma coesão entre os outros sujeitos, calcada na afirmação das diferenças entre ele – o perverso - e todos os outros.
Foucault (1976) ressalta que esse período inicial da teorização sobre as perversões, e pode-se dizer que mais precisamente a obra de Krafft-Ebing, teve sua importância por situar as práticas sexuais pela primeira vez como objeto do rigoroso discurso científico. Trata-se de um período significativo, mas que ainda é marcado por uma perspectiva que traz a sexualidade como uma instância de “caráter patológico em potencial” e não como parte constitutiva do sujeito, já que o discurso estaria focado apenas nos comportamentos desviantes das normas vigentes. Aí já estão demarcados alguns pontos de divergência entre o conhecimento médico sobre o assunto e a posterior construção psicanalítica.
 
A origem da construção do saber psicanalítico sobre a perversão: uma primeira visão

Seguido de uma rápida gênese científica do termo, buscaremos agora uma gênese do conceito psicanalítico de perversão. Segundo Castro (2004), “num primeiro momento de construção teórica freudiana, a expressão perversão sexual designava a qualidade aberrante da própria sexualidade”, o que, em algum nível, encontrava-se em consonância com a visão médica vigente. Vamos observar como a escuta psicanalítica do sintoma perverso foi aos poucos modificando esse entendimento até que Freud chegasse à noção de perversão como condição básica da sexualidade.
Podemos entender em Freud duas concepções distintas sobre o termo perversão: a primeira está ligada à estrutura básica da sexualidade infantil e a segunda irá se reportar ao momento da Castração e do Complexo de edipo, fortes componentes culturais na constituição do sujeito psíquico.
Partindo da primeira concepção, expressa nos três ensaios sobre a sexualidade (1905), podemos caracterizar a neurose como o negativo da perversão. A idéia principal desse primeiro momento do desenvolvimento da teoria é que a Perversão estaria configurada a partir de um predomínio das pulsões parciais (pré-genitais) sobre a genitalidade. Dessa forma, o sujeito que desviava do comportamento sexual da norma (genital e direcionado aos fins de reprodução), produzindo um investimento libidinal em um objeto de desejo perverso, não teria feito a entrada no Complexo de Édipo, o que por fim permite dizer que o Perverso não experimentaria o medo da castração.
Também na obra Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905), Freud traz a existência da atividade sexual infantil, sendo ela modelo para a sexualidade adulta, bem como a condição da criança de “perversa polimorfa”, que aos poucos seria moldada de acordo com padrões e normas ditadas pela cultura. Essa noção da cultura sobrepondo-se à perversão remete à origem do termo como sendo uma fuga da norma social.
A noção de pulsão é essencial para o entendimento da sexualidade em Freud. Ela pode ser descrita como uma descarga de energia que flui continuamente impulsionando o sujeito na busca de sua satisfação. O objeto, segundo Freud (1996[1915]), “É o que há de mais variável na pulsão e, originalmente, não está ligado a ela, só lhe sendo destinado por ser peculiarmente adequado a tornar possível a satisfação”. Por isso não existe um objeto único ao qual o sujeito deverá ligar-se para satisfazer suas fantasias, havendo, portanto, uma normalidade subjacente a diversas práticas sexuais que poderiam ser consideradas “depravadas”.

 

O Fetichismo: A posterior elaboração sobre o processo da Desmentida

Com o texto do Fetichismo, em 1927, Freud apresenta uma leitura diferente do que designa a perversão e neste momento há a ruptura ainda mais brusca com a visão médico-jurídica, pois ela vai além da idéia de uma fixação sexual infantil que não teria sido recalcada. O texto talvez seja ponto crucial para o entendimento da visão freudiana sobre o assunto, pois traz o conceito que designa a forma como o sujeito perverso lida com a castração: a Verleugnung ou a Desmentida, em tradução do alemão para o português.
A Desmentida, ou Recusa, refere-se ao momento da descoberta da criança sobre a diferença dos sexos e a constatação da falta do membro masculino nas meninas e ao mesmo tempo da inexistência de um falo real, que no seu imaginário teria um dia existido na mãe como objeto de plena satisfação e que lhe fora tão prezado, devido à própria posição fálica assumida pela mãe.  
Ao buscar um substituto para esse pênis que não existe, o sujeito então nega a sua inexistência, nega a própria falta. Produz-se aí a posição que Lacan denomina como a clivagem do eu, pois o sujeito se constitui a partir de duas verdades que são conflitantes mas que não anulam-se: “Ela tem o falo/ Ela não tem o falo”. O verbo recusar ou desmentir já assinala a presença de um saber negado pela criança, ou seja, o que existe não é uma ausência de recalque, mas uma tentativa de esconder a falta que muitas vezes a revela.
Freud (1927) traz que a intensidade do investimento libidinal ao objeto fetiche é tantas vezes tão exacerbada justamente por configurar um esforço muito grande (e constante) para manter esta falta tapada, pois a premissa inicial, de que a mãe não tem o falo, está sempre presente e concomitante à essa substituição.
A Desmentida surge também com um caráter de defesa e proteção narcísica do próprio sujeito: se a mãe é castrada, é por que alguém a castrou; é possível, portanto que ele também venha a sofrer a castração. Ao estabelecer um substituto do pênis materno que “tape” a sua falta, o sujeito distancia a possibilidade da sua própria castração. Além disso, defende-se também da angústia de ser engolido, pois a mãe enquanto castrada poderia apropriar-se da criança colocando-a na posição do objeto fálico perdido.
A saída dessa recusa da renúncia à satisfação pulsional se dará de forma a substituir o pênis percebido como faltante na mulher por um fetiche. Por isso, conforme seu artigo de 1927, Freud irá considerar o Fetichismo como um paradigma que explica o funcionamento da perversão. A construção do fetiche se funda no mecanismo de deslocamento e manutenção da contradição marcando o perverso numa posição de mestre do seu saber e do seu gozo.
Estabelecer e nomear a forma através da qual o sujeito defende-se da castração (da falta, a partir do conceito lacaniano) é o que permite situar a Perversão não mais como um agrupamento de comportamentos sexualmente “desajustados”, mas sim como uma estrutura de funcionamento psíquico, da mesma forma que o são a neurose e a psicose. Como consequência, é possível uma leitura mais abrangente dos sintomas, já que estes carregariam consigo uma verdade do paciente a ser desvelada, verdade esta que possui certa lógica interna e que não pode ser denominada apenas como um defeito moral ou desvio de conduta.
Fica demarcada aí a principal diferença entre os dois períodos da construção psicanalítica sobre a perversão: este segundo, mais definitivo, seria baseado na afirmação de que o perverso está sim inserido no complexo de Édipo, inclusive a entrada do sujeito em tal estrutura psíquica se dá por essa via, mesmo que exista uma resolução diferente do complexo em comparação à neurose. Se há entrada no complexo, fica claro que há também o medo da castração, sendo este o fator impulsionador da escolha do objeto de fetiche ou das outras formas de estabelecimento do sintoma através do processo da Desmentida.




O Conceito de Véu e as variadas modalidades perversas

Ao descrever a Verleugnung para o fetiche, o texto possibilita que se construa uma visão mais ou menos universal do mesmo processo em outras formas de sintoma perverso, pois independente da maneira como este se apresenta, a posição subjetiva perversa se fundaria sempre a partir da Desmentida.
Lacan (1956-1957/1995) adicionou ao conceito freudiano de Verleunung o conceito de véu. O véu seria um anteparo, colocado sobre aquilo que falta, e que se configura como um elemento com duas funções: ele é ao mesmo tempo o que esconde a falta, mas também é o que designa, que dá uma “imagem” àquilo que a princípio não existe. Com relação ao véu (ou cortina) Lacan diferencia duas posições em que o sujeito pode situar-se. Ou ele coloca-se mesmo diante do véu, sujeito que vê aquilo que o véu esconde, ao mesmo tempo em que mostra (e vê-se também constantemente capturado por essa imagem), ou pode situar-se atrás do véu. Nessa segunda posição, há uma identificação direta do sujeito com a mãe (e com o que lhe falta), já que coloca-se atrás do véu que cobre o nada com o qual se identifica.
Julien (2004) descreve e situa as modalidades de perversão, as formas do sintoma perverso, de acordo com o critério dessa diferença de posição com relação ao véu. O Fetichismo é a modalidade que talvez seja mais facilmente relacionada ao sujeito que coloca-se diante do véu: o objeto de fetiche, em suas variadas formas (pés, cabelo, calcinha ou até o curioso “brilho do nariz” descrito por Freud no texto sobre o Fetichismo), é colocado sobre a falta fálica e o anteparo da sua imagem é o próprio sujeito, captado por ela.

O Voyeurismo também faz parte do grupo de perversões em que o sujeito situa-se diante do véu. O Voyeur é aquele que abre uma fenda nesse véu, fenda esta que permite que ele tenha acesso direto à intimidade do outro, sendo que a introdução em seu mundo privado é o que permite o contato do perverso com o desejo e o gozo alheio, em uma posição de objeto. O sujeito coloca-se como a própria fenda, buscando uma posição de cumplicidade do Outro, que ele fique interessado e participe deste ritual de demonstração.
Por fim, Julien traz a homossexualidade feminina também como modalidade em que o sujeito situa a cortina à sua frente e entre ele e o falo faltante. Freud descreve o caso de uma jovem homossexual intitulado como “Psicogênese de um caso de homossexualidade feminina” (1920). Essa jovem, durante o complexo de Édipo que se estendeu até a aolescência, desejava engravidar e ter um filho do seu pai. O que acontece, no entanto, é a gravidez de sua mãe no mesmo período, e o nascimento de um irmão mais novo. A menina, decepcionada pelo investimento do pai em outra mulher que não ela, volta-se à figura da mãe (incorporada posteriormente pela mulher mais velha à qual se vincula). Ela passa a ser a criança desta senhora, como substituição à sua falta fálica.
No grupo das perversões em que o sujeito situa-se atrás do véu, identificando-se com a mãe e com seu falo que não há, Julien coloca o transvestismo, o sadismo, o exibicionismo e a homossexualidade masculina.
O transgenerismo diz respeito a uma identificação do sujeito com a mãe que tem o falo, o que o levaria a utilizar roupas femininas. É mais uma maneira de esconder a falta do objeto. Pode-se descrever a imagem do travesti desta forma: é uma “mulher” que possui o pênis no real, sendo que o órgão passa a carregar consigo o valor também de elemento fálico simbólico.
O sujeito sádico também identifica-se com a mãe fálica, pois é ele que possui o instrumento do poder fálico que vem a subjugar o outro. É importante ressaltar aqui que, segundo Deleuze, o Sadismo não deve ser definido por uma relação de complementaridade com o Masoquismo, nem como seu inverso (Julien, 2004). Dessa forma, quebra-se o mito de que existe o sadomasoquismo, já que essas duas instâncias são independentes.
Da mesma forma, o exibicionismo não estaria em relação complementar ao voyeurismo. Para o entendimento do exibicionismo também é trazido o conceito de fenda, já que o sujeito entreabre o campo de visão do outro, oferecendo à sua visão aquilo que ele possui: o falo. Nesse momento ele está identificado com a mãe não-castrada e revela ao outro aquilo o que é suposto que ele não tenha.
A homossexualidade masculina, por fim, se daria quando o sujeito, ao fim do complexo de Édipo, e à altura em que deve substituir a mãe por outro objeto de desejo, produz uma inversão: passa a identificar-se com a mãe e dirigir-se a objetos que tomariam o lugar antes ocupado pelo seu próprio eu, sobre os quais a partir deste momento ele pode investir o mesmo amor que a mãe até então investira nele próprio.




Reflexão: A importância da escuta clínica como princípio para o estabelecimento de um diagnóstico estrutural

A descrição dos tipos de perversão fazem pensar que essas classificações talvez ainda situem-se muito na lógica do que é sexual (e desviante da norma). Como estabelecer um diagnóstico de perversão em sujeitos que em todos os outros âmbitos de sua vida psíquica possuem um funcionamento neurótico e situam-se como tal? Refere-se que o neurótico também pode possuir “traços perversos”, pois às vezes há, na neurose, traços masoquistas ou voyeuristas, por exemplo, e o que diferenciaria um funcionamento neurótico do perverso seria a rigidez com que o perverso coloca sua escolha objetal como condição para o gozo. Mas mesmo assim, se for uma rigidez restrita ao campo sexual, não pode dizer respeito apenas a uma “modalidade de gozo”? Essa modalidade de gozo, mesmo quando rígida, relaciona-se sempre com a forma como o sujeito lida com a lei e com o saber? Esse questionamento parece interessante porque a perversão como tal, dentro da própria teoria psicanalítica, não se situa só a partir da descrição de comportamentos sexuais específicos, mas também por esses outros fatores, que só serão desvendados a partir da escuta clínica e não pela descrição fenomenológica de um tipo de comportamento que o sujeito possa vir a ter.
Esse ponto parece ainda mais evidente com relação à homossexualidade, pois se pode pensar que talvez no caso das outras categorias descritas, a rigidez denote mesmo um amor narcísico, devido a um direcionamento da libido à imagem de objetos (objeto fetiche, porrete, calcinha, cinta-liga) que tem como objetivo maior a proteção da potência fálica do próprio sujeito. No caso da homossexualidade, no entanto, há um investimento libidinal e um interesse no outro, que pode situar e ser situado como sujeito. Além disso, o sujeito homossexual pode admitir a existência de lacunas do seu saber sobre o desejo do outro. Pode-se dizer que muitas vezes a relação homossexual se dá, também, nos mesmos moldes “heterossexuais-neuróticos” (mais facilmente aceitáveis como “sadios”), com a única diferença de se tratar de pessoas do mesmo sexo. Penso que a atenção sobre esse ponto seja interessante para não correr-se o risco de estabelecer uma patologização do desejo e da sexualidade em suas inúmeras formas de expressão.



Referências Bibliográficas:

Fleig, M. (2008). O desejo perverso. Porto Alegre, RS: CMC. Foucault, M. (2007). História da Sexualidade. 18 ed. São Paulo: Graal Freud, S. (1905). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Em: S., Freud. Obras Psicológicas completas: Edição Standard Brasileira. Vol VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996. _____. Fetichismo (1927). Em: S., Freud. Obras Psicológicas Completas: edição standard brasileira. Volume XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996b. Frota Neto, E. H.; Rudge, A. M. (2009). Da perversão à expiação: uma mudança de perspectiva. Rev. latinoam. psicopatol. fundam., São Paulo, v. 12, n. 1, mar. 2009 Julien, P. (2004). Psicose, perversão, neurose : a leitura de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Companhia de Freud Lacan, J. (1956-1957/1995). O Seminário, Livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: J. Zahar Lira Staccioli Castro, S. (2004).Aspectos teóricos e clínicos da perversão. Dissertação de Mestrado não-publicada, Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica, RJ. Pereira, M. E. C. (2009). Krafft-Ebing, a Psychopathia Sexualis e a criação da noção médica de sadismo. Rev. latinoam. psicopatol. fundam., São Paulo, v. 12, n. 2, jun. 2009

Tricotilomania e Saúde Mental


Tricotilomania é um transtorno mental que envolve uma vontade irresistível de puxar o cabelo. Este comportamento ocorre até o ponto de queda de cabelo visível. As áreas mais comuns para puxar o cabelo são o couro cabeludo, cílios, sobrancelhas e cabelos, mas pode envolver qualquer parte do corpo.Tricotilomania é um tipo de transtorno do controle dos impulsos. Transtornos de controle de impulso são transtornos mentais que envolvem a falha repetida de resistir aos impulsos, ou impulso para agir de forma que sejam perigoso ou nocivo.  

Pessoas com esses transtornos saber que eles podem se machucar ou machucar os outros, agindo sobre os impulsos, mas não podem parar-se.Em crianças, a tricotilomania ocorre igualmente em homens e mulheres. Em adultos, é mais comum em mulheres do que em homens.





Quais são os sintomas de tricotilomania?

 Uma pessoa com tricotilomania não pode controlar ou resistir à tentação de puxar o cabelo do corpo dele ou dela. Outros sintomas que podem ocorrer com esta desordem incluem:

    
Um sentimento de tensão antes de puxar o cabelo ou ao tentar resistir à tentação de puxar o cabelo
    
Um sentimento de alívio, satisfação e / ou prazer após agindo sobre o impulso de puxar o cabelo
    
Presença de manchas nuas onde o cabelo foi puxado para fora
    
Presença de outros comportamentos associados, tais como inspeção da raiz do cabelo, enrolando o cabelo, puxando o cabelo entre os dentes, mastigando o cabelo, ou comer cabelo (chamado tricofagia)Muitas pessoas que têm tricotilomania tentar negar que têm um problema e pode tentar esconder sua perda de cabelo, usando chapéus, cachecóis e cílios postiços e sobrancelhas. 


O que causa a tricotilomania?

 A causa exata da tricotilomania ainda não é conhecida, mas parece envolver tanto os fatores biológicos e comportamentais. A investigação descobriu uma ligação potencial entre transtornos de controle de impulso, como a tricotilomania, e certas substâncias químicas do cérebro chamadas neurotransmissores. Neurotransmissores ajudam as células nervosas no cérebro enviar mensagens uns aos outros. Um desequilíbrio desses produtos químicos pode afectar a forma como o cérebro controla os impulsos. Ele também acredita que o estresse pode desencadear o comportamento impulsivo, e que algumas pessoas continuam o comportamento fora de hábito.Em alguns casos, as pessoas com tricotilomania também têm outros transtornos, como depressão ou ansiedade. Isto sugere que pode haver uma ligação entre esses transtornos eo desenvolvimento de tricotilomania. Além disso, o risco de desenvolver a tricotilomania é ligeiramente maior em pessoas que têm parentes com a doença, o que sugere que uma tendência para a doença pode ser herdada. 

Como é Tricotilomania diagnosticada?

 Se os sintomas de tricotilomania estão presentes, o profissional começará a avaliação através da realização de uma história médica completa e exame físico. Não existem testes para diagnosticar a tricotilomania, embora os testes podem ser usados ​​para afastar qualquer causa médica para a perda de cabelo.Se tricotilomania é suspeita, o profissional fisiologista deve encaminhar a pessoa a um Psicanalista, psiquiatra ,psicólogo, profissionais de saúde que são especialmente treinados para diagnosticar e tratar doenças mentais. Estes profissionais usam a primeira anamnese especialmente concebida e ferramentas para encontrar os fatores emocionais envolvidos no gatilho que disparam estes impulsos.


O medo muda seu corpo.

Quando sentimos medo ou nos deparamos com uma situação repentina de perigo, o corpo humano sofre uma mudança incrível. O estressor - por exemplo, ver seu filho preso embaixo de um carro - estimula o hipotálamo. Essa região do cérebro é responsável pela manutenção do equilíbrio entre o stress e o relaxamento em seu corpo. Quando recebe um aviso de perigo, ele envia um sinal químico a suas glândulas supra-renais, ativando o sistema simpático, que deixa o corpo em um estado de excitação. 
Essas glândulas liberam adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina), hormônios que criam o estado de prontidão, que ajuda uma pessoa a enfrentar melhor o perigo. Juntos, esses hormônios aumentam os batimentos cardiacos, a respiração, dilatam as pupilas, diminuem a velocidade da digestão e - talvez o mais importante - permitem que os músculos se contraiam.


Escalada
Seja enfrentando um perigo repentino ou fazendo escalada, seu sistema simpático cria um estado de hiperexcitação para ajudá-lo a encarar o risco

Todas essas mudanças em nosso estado físico normal nos preparam para enfrentarmos o perigo de frente. Juntas, tornam-nos mais ágeis, permitem que captemos mais informações e nos ajudam a usar mais energia. Mas o efeito da adrenalina nos músculos é responsável por essa força surpreendente. A adrenalina age nos músculos, permitindo que eles se contraiam mais do que quando o corpo está em estado calmo ou neutro.
Quando a adrenalina é liberada pela medula supra-renal - região interior das glândulas supra-renais que estão localizadas bem acima de seus rins - ela permite que o sangue circule com mais facilidade nos músculos. 
Isso significa que uma quantidade maior de oxigênio é transportada para seus músculos pelo sangue extra, o que permite que eles funcionem a níveis elevados. Os músculos esqueléticos - aqueles presos aos ossos por tendões - são ativados pelos impulsos elétricos do sistema nervoso. Quando são estimulados, os músculos contraem-se, o que significa que eles diminuem. Isso é o que acontece quando você levanta um objeto, corre ou dá um soco. A adrenalina também facilita a conversão da fonte de combustível do corpo, o glicogênio, para seu combustível, a glicose. Esse carboidrato dá energia aos músculos, e uma explosão repentina da glicose também permite que eles fiquem mais fortes.

Então, isso significa que temos forças sobre-humanas que se revelam quando nos deparamos com o perigo? Essa é uma maneira de liberá-las.
Algumas pessoas criam teorias de que nós normalmente usamos apenas uma pequena porcentagem da capacidade de nossos músculos. Quando estamos frente a frente com o perigo, ultrapassamos os limites de nossos músculos e simplesmente agimos. O aumento súbito da adrenalina, responsável pelo aumento repentino da força, facilita uma pessoa a levantar um carro. Em outras palavras, quando enfrentamos um estresse extremo, usamos involuntariamente nossos músculos além dos limites de seu uso voluntário normal.
Essa teoria é apoiada pelo que acontece quando uma pessoa é eletrocutada. A pessoa que recebe um choque pode ser arremessada longe. Mas isso não se deve ao choque elétrico.

 Ao contrário, é a contração inesperada e violenta dos músculos da pessoa, como resultado da carga elétrica que passa pelo corpo. Isso demonstra o potencial da contração muscular que não é utilizado sob circunstâncias normais. De forma bem semelhante que as pessoas não conseguem se jogar do outro lado do quarto, elas normalmente também não conseguem levantar um carro - os recursos não estão disponíveis sem uma ameaça.

Pensando sob esta ótica, se uma pessoa fisiológica através destas variantes entre medo e resposta fisica consegue erguer um carro....Através de nosso próprios medos não distorceriamos os significantes de certas coisas cotidianas?? Pense nisso!

Disgrafia

A Disgrafia é uma dificuldade do aprendizado que como a dislexia afeta um número considerável de crianças e jovens no Brasil e no mundo. Ela é vista como um empecilho para o desenvolvimento das habilidades relativas a escrita, especialmente nas crianças. E por ser um transtorno da escrita ela pode acabar prejudicando o desenvolvimento educacional e pessoal do estudante se não for tratada a tempo.
É importante saber que a disgrafia pode ser de dois tipos: a disgrafia motora e disgrafia perceptiva. A disgrafia motora é caracterizada pelo disgráfico saber o que quer escrever mas não consegui realizara ação. Já a disgrafia perceptiva, envolve a habilidade da pessoa ser capaz de perceber a diferença entre símbolos da escrita, e por isto, ela está mais ligada a disortografia. Diferentemente da disgrafia, a disortografia não afeta a escrita das palavras mas sim a posição e ordem de seus elementos. Este é o caso da criança que frequentemente troca as letras das palavras.
Entre os principais sintomas da disgrafia estão:
  • Lentidão na escrita;
  • Letra ilegível;
  • Traços irregulares;
  • Problemas com organização espacial;
  • Problemas com a separação correta das palavras.

Outros sintomas da disgrafia

 

A disortografia é um pouco diferente da disgrafia 

Os disgráficos frequentemente costumam inverter as sílabas das palavras, omitir letras, escrever letras espalhadas, além disto, eles também costumam segurar o lápis ou a caneta de forma diferenciada enquanto escrevem. Assim para um disgráfico escrever um texto ou copiar frases em uma folha de papel, pode ser uma tarefa não só estressante mas também cansativa. Então, fica mais fácil entender como por causa do contínuo fracasso em realizar tarefas causado pela disgrafia, uma criança pode desenvolver insegurança, baixa autoestima e desinteresse pelos estudos.

Tratamento da disgrafia

 

Exemplo de disgrafia

Para se resolver o problema da disgrafia é recomendável a busca por um acompanhamento individual complementar. Esta solução inclui um programa educativo individual ou P-E-I. Que como o próprio nome indica é desenvolvido para cada criança. O tratamento da disgrafia incluir a estimulação linguística global, através de um acompanhamento multidisciplinar.

Quem participa do acompanhamento multidisciplinar para disgrafia?

 

Alguns dos profissionais especialistas que podem participar desse acompanhamento multidisciplinar são: psicólogos, pedagogos, psicanalistas,  neurologistas e fonoaudiólogos. Na escola, os disgráficos também podem se beneficiar de avaliação com uma maior ênfase na expressão oral. Neste processo é muito importante contar com apoio de professores e familiares. É também importante que estes professores e membros da família procurem evitar repreender a pessoa dísgrafa e façam de tudo para exercer uma influência positiva em sua evolução.

Pessoas Egocêntricas

O Egocentrismo é a característica que define as personalidades dos que consideram que tudo gira ao seu redor.
Sua formação está diretamente relacionada a um estágio infantil, na qual a criança com cerca de 3 anos passa pelo período chamado "teimoso", pois ainda não compreende que faz parte de uma sociedade, imaginando assim que todo o mundogira em torno de si mesmo. A não atualização deste estágio ao longo da vida, faz com que o adulto então permaneça infantilmente egocentrado.
O Egocetrismo remete ao indivíduo que prioriza a si (seus desejos, pensamentos e necessidades) diante da realidade, tornando-se imersos em uma fantasia apropriada a esse padrão de aceitação e não enxergando a realidade da vida social e das necessidades de outros indivíduos em relação as suas.



A seguir,  alguns traços comuns de uma pessoa egocêntrica que podem nos ajudar a identificar uma pessoa que sofre deste distúrbio de personalidade narcisista.

* Eles colocaram a sua felicidade antes de qualquer outra pessoa.

* Eles não mostram sentimentos de simpatia, compaixão e compreensão para com os outros ou a sociedade.

* Eles tendem a abandonar alguém para satisfazer suas próprias necessidades.

* Eles costumam fazer amigos por um bom tempo.

* Eles precisam ser constantemente elogiados e suas ações precisam ser atendidas com a aprovação em todos os momentos.

* Eles são indiferentes a muitas coisas na sociedade e as pessoas.

* Não encoraja a outros para que possa se destacar em qualquer campo.

* "Puxa para baixo" as pessoas com ações e palavras duras.

* Não costumam reconhecer os seus erros e raramente se desculpam por eles.

* Geralmente são materialistas, porque objetos inanimados podem ser controlados e manipulados.

* Eles precisam estar no centro das atenções e ser o centro das atenções o tempo todo.

* Eles não escutam e apresentam várias características egoistas em um relacionamento.

* Eles não contribuem em atividades de grupo ou projetos que envolvam trabalho em equipe.

* Eles costumam vangloriar-se sobre as suas realizações e têm uma tendência a maximizar ao máximo algo pequeno para transforma-lo em grande.


* Eles se preocupam mais com a sua autoimagem do que qualquer outra coisa.


Como lidar com pessoas egocêntricas

É desnecessário dizer que a convivência com pessoas egocêntricas não é fácil justamente pela maneira de como estas pessoas tratam os outros.  Vejamos algumas maneira de lidar mais facilmente com estas pessoas. 


* Ao interagir com pessoas egocêntricas, tente fazê-lo em um grupo para que haja outras pessoas presentes pois isso os dificultará a tentativa de atrair a atenção, pelo numero de pessoas.  


* Perceba pausas em sua fala para incluir os seus pontos de vista.

* Se possível, tente entender seus padrões de comportamento, tentando identificar as necessidades básicas para estes comportamentos aparecerem e antes disso impedi-los, por falência de causa. 


* Não perca a calma ou paz de espírito por ficar afetado com o que eles fazem. Experimente e mantenha sempre o foco em sua vida e em suas ações, exatamente como em um jogo.

* Não se entregue às exigências. Não os deixe dominar. Pausadamente e de maneira adequada alguns limites podem e deve ser impostos, tanto quanto um pai faria. 



Lembrando-se sempre de que se trata de uma pessoa com transtornos de funcionamento mental vindos de uma fase infantil, certamente ficará menos difícil este convívio.

Sindromes da Insensibilidade


     O embotamento afetivo ou a diminuição das demonstrações de afeto é uma alteração geralmente mais notada pelos familiares do que pela própria pessoa. 

O cônjuge observa um “esfriamento” que é muitas vezes interpretado como desamor. A capacidade e disposição para o prazer na inter-relação humana se restringem. Isso inclui desde a vida sexual até os relacionamentos familiares, as amizades e os mantidos nas diferentes esferas sociais. 




Alexitimia - é uma das denominações que têm sido usada para expressar etimologicamente a idéia de distanciamento em relação aos próprios sentimentos. O indivíduo passa a não mais discriminar seus sentimentos e emoções. Há uma associação de características alexitímicas tanto com o risco de infarto como com hipertensão arterial, inclusive em pessoas jovens.
Depressão Essencial – existe uma amputação do mundo afetivo em relação aos outros campos de ações da pessoa. O indivíduo passa a viver uma “vida operativa”, onde o existir cotidiano se resume a pensamentos e ações essencialmente operativos. Ocorre o desaparecimento da expressão de quaisquer emoções e a pessoa assume uma aparência de uma gélida insensibilidade. O trabalho continua sendo desempenhado de modo formalmente correto, embora assumindo um caráter mecânico, de trabalho sem prazer. Não existem sintomas de ansiedade, a tristeza não é manifestada, não há idéias de fracasso ou de suicídio – o que ocorre é uma espécie de enregelamento em que desaparece o prazer. 
 

Normopatia - a pessoa evita qualquer expressão de sofrimento. Os normopatas constroem fortes barreiras psicológicas de qualquer sofrimento psíquico.
A insensibilidade pode levar a pessoa a um modelo paranóico de personalidade. 

Este modelo tende a surgir quando a pessoa se apresenta como detentores da verdade e só pode ser aceito em seu interior o discurso da certeza e da infabilidade. Os que são levados a se identificar com esta pessoa “modelar” e “infalível” também passam a desprezar todos aqueles que não trabalham para esta "grandeza"..
 

Estudando as dinâmicas  destas pessoas, se percebe que lagumas se tornam inflexíveis e mesmo impiedosas com quem não adete plenamente ao ideal de perfeição.   As atividades de racionalidade isolam a afetividade. As atividades computadorizadas oferecem um exemplo.
    A necessidade de respeitar o psiquismo humano em seus aspectos não racionais é essencial para a integridade deste psiquismo e, portanto, para a saúde mental e geral.
    A racionalidade não é um mal. O risco apontado acontece tão-somente quando se implantam princípios de gestão e de organização do trabalho em nossas vidas pessoais, que promovam a exclusão e mesmo o menosprezo à dimensão afetiva

. Embora exista o estímulo da racionalidade necessária aos desempenhos, o problema não reside aí, e sim nas pressões que exacerbam essa racionalidade.

Desumanização


Uma foto rodou o mundo na semana passada. Uma pessoa foi empurrada nos trilhos do metrô de Nova York. A estação da Times Square tinha, segundo relatos, algumas dezenas de pessoas e dentre elas um fotógrafo.  O homem tentava sair dos trilhos, escapar da morte. As pessoas em volta nada fizeram, exceto o tal fotógrafo.
Ele não tentou ajudar o homem. Ele sacou sua câmera e clicou algumas vezes o homem nos trilhos, o trem se aproximando.  Tudo, entre a queda e a morte, não teria levado mais que alguns segundos. Há divergências quantos.
Na estação, os voyeurs não moveram um músculo.  Assistiram pacientemente a morte de uma pessoa. Na estação, um fotógrafo freelancer eternizou o momento, para outros voyeurs na foto que foi estampada no New York Post com a manchete:
ESTE HOMEM ESTÁ PRESTES A MORRER.
 Há alguma diferença entre as atitudes da plataforma. Alguns se contentaram em contemplar os últimos instantes de um "condenado à morte", como, aliás, é morbidamente comum nos corredores da morte nas penitenciárias dos Estados Unidos.
O fotógrafo reagiu. Se mexeu. Mas fez o mesmo que os outros anônimos, deixou o trem passar em cima de uma pessoa. Reagiu em nome do trabalho, afinal ele é fotógrafo, faz disso sua vida. Apesar de chocante, nada espanta. Antes de tudo, antes de si mesmo, antes de qualquer coisa, aquele rapaz é fotografo. E é aquilo que ele pode ser.
Não é de hoje, nem sequer de ontem. Há muito nos definimos, nos enxergamos no mundo, a partir do ponto de vista específico: o do trabalho. Eu sou aquilo que eu faço pra viver.
Umar Abbasi, o fotógrafo, apertou várias vezes o botão da câmera buscando a melhor foto, enquanto Ki-Suck Han vivia seus últimos segundos. Afinal, antes de qualquer outra categoria, qualquer humanidade, Abbasi é fotógrafo. Viu, naquela cena, a grande oportunidade de bem realizar seu trabalho. E o fez.

Déficit de Atenção em Adultos


Raramente diagnosticado até recentemente em adultos, estima-se que 30 a 60% dos casos persista na idade adulta.
 




O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma das condições neurológica e de desenvolvimento mais estudadas. Em termos gerais, desatenção, impulsividade e hiperatividade são os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o qual, acreditava-se anteriormente, acometia apenas as crianças. Hoje já se reconhece que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma condição crônica, que persiste na vida adulta.
Entre a infância, adolescência e fase adulta há uma mudança no quadro clínico e nos sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e, embora a hiperatividade e a impulsividade diminuam com o passar dos anos, as dificuldades de atenção persistem ao longo do tempo.
É comum as crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade terem também um dos pais com esse problema. Isso ocorre porque, infelizmente, como tantas outras características, também essa é uma condição genética em cerca de 80% dos casos.
Desde a primeira descrição desse distúrbio de atenção, no início do Século XX, essa condição clínica recebeu diversas denominações ao longo do tempo. Já foi chamada de Lesão Cerebral Mínima, Disfunção Cerebral Mínima, Síndrome da Criança Hiperativa, Distúrbio Primário da Atenção, e Distúrbio do Déficit de Atenção com ou sem hiperatividade.
 


Desde o início de sua observação até hoje, os estudos sobre o Distúrbio de Déficit de Atenção se referem às crianças em sua expressiva maioria. Os critérios diagnósticos para Distúrbio de Déficit de Atenção, de acordo com o DSM-IV, referem características mais comumente observáveis em crianças e por essa razão os adultos com o diagnóstico de Distúrbio de Déficit de Atenção acabam não preenchendo tais critérios.
 

Em 1980 o DSM-III (classificação norte-americana de transtornos mentais que antecedeu o DSM-IV) passou a utilizar a denominação Distúrbio de Déficit de Atenção e, com essa mudança, o transtorno não foi mais obrigatoriamente associado à hiperatividade, mas sim, às dificuldades de atenção. Hoje, parece mais consensual que nas meninas o tipo clínico mais comum é sem hiperatividade, chamado Transtorno de Déficit de Atenção Predominantemente Desatento e nos homens, mais freqüentemente os quadros com Transtorno de Déficit de Atenção Predominantemente Hiperativo.
Durante muitos anos acreditou-se também que os sintomas de TDAH geralmente desaparecessem espontaneamente no final da adolescência. De fato, existe uma tendência da hiperatividade declinar com o passar dos anos, mas os sintomas de desatenção tendem a persistir. Na verdade também a hiperatividade nem sempre a desaparece, ela apenas evolui de acordo com a idade, havendo uma “domesticação” do comportamento hiperativo. O comportamento hiperativo é substituído por atitudes de estar sempre andando de um lado para outro, de fazer tudo como se estivesse com muita pressa, de não conseguir deixar as mãos paradas e assim por diante.
Hoje em dia alguns autores acreditam que o TDAH persiste em aproximadamente 50 a 70% dos casos na idade adulta, embora o quadro clínico sofra algumas modificações com o passar do tempo (Wender, 1995).
Apesar do TDAH acometer entre 3 e 5 % das crianças, sendo considerada uma das patologias psiquiátricas mais freqüentes nesse grupo etário, pouco se sabe de sua real prevalência em adultos. Embora esse transtorno tenha sido raramente diagnosticado até recentemente em adultos, estima-se que 30 a 60% dos casos tenha seus sintomas persistidos na idade adulta, sendo sua prevalência estimada em 1 a 2%.
 

Quadro Clínico
O Adolescente com TDAH
As diferenças do adolescente com TDAH decorrem do próprio amadurecimento do Sistema Nervoso Central, da faixa etária e da fase da vida mas, em geral, o adolescente com TDAH têm dificuldade de ficar concentrado nas aulas, em leituras, principalmente se não tiver nenhum interesse pelos temas das aulas.
Esse critério, entretanto, deve ser cuidadosamente considerado. Há uma tendência natural em se atribuir a alguma "doença" nossas falhas, como se fosse um deslocamento da responsabilidade sobre o desejável empenho que um estudante deve ter. Pensar na possibilidade de alguma "doença" que compromete a "boa vontade" alivia muito o sentimento do dever.

Outra característica é a grande dificuldade em completar tarefas. Alguns desses adolescentes iniciam várias atividades, mas persistem em poucas. Habitualmente eles são desorganizados, esquecem compromissos, trabalhos, vivem sempre à procura das coisas que não sabe onde deixou, não se lembram onde deixaram seus óculos, chaves, etc.
Esse critério deve ser considerado também com cautela, pois, devido à sabida tendência de buscar em alguma "doença" justificativas para nossas falhas, a falta de perseverança e determinação, a negligência no empenho para resolver compromissos e deveres costumam ter um peso bastante atenuado se atribuirmos um desempenho claudicante ao TDAH.

No TDAH franco e verdadeiro é muito marcante a tendência dos pacientes em fazer várias coisas ao mesmo tempo, muito embora dificilmente consigam completar alguma dessas coisas. Essas pessoas são impacientes e inquietas, em constante busca de novidades e emoções. A ousadia, portanto, pode estar presente na forma da condução perigosa de veículos, na busca por esportes radicais e outros desafios.
 Destemido

Além disso, podem fazer uso abusivo de álcool ou drogas. Em geral os adolescentes com TDAH procuram as drogas porque se sentem passageiramente melhor sob o efeito delas, embora sejam inadequadas como tratamento. Normalmente existe o mesmo distúrbio entre familiares do paciente com TDAH, uma vez que esse problema tem um forte componente genético.
O quadro sintomático do TDAH pode ser dividido em 3 áreas: a atenção, o controle dos impulsos e a atividade motora. O sintoma mais exuberante, notadamente nas crianças, é o comportamental, ou seja, o descontrole impulsivo e a hiperatividade, mas o déficit da atenção costuma ser a manifestação mais duradoura e mais relacionada aos prejuízos sócio-ocupacionais. Como vivemos num mundo onde a produção é o passaporte para a vida em sociedade, os prejuízos sócio-ocupacionais acabam sempre sendo determinantes na busca de ajuda médica.
 

O Adulto com TDAH
O adulto com TDAH se caracteriza por um comportamento desatento, desconcentrado e facilmente distraído. Normalmente ele é pouco persistente no que faz, tendo dificuldade em completar suas tarefas, a ponto de alguns deles nunca terem conseguido ler um livro até o final.
Com um estilo de vida bastante desorganizado, normalmente esses pacientes esquecem de pagar contas em dia, são confusos e caóticos no trabalho, esquecem compromissos, não conseguem estabelecer prioridades. Isso tudo acaba ajudando esses pacientes a se atrasarem com muita freqüência aos compromissos.
 

Em geral eles são impacientes, tomam decisões precipitadas e, muitas vezes, se arrependem daquilo que fazem impulsivamente, são também inquietos, têm dificuldade em ficar quietos e quase sempre estão procurando coisas para fazer. São extrovertidos e falantes, monopolizam as conversas e a atenção dos demais, mas, por outro lado, costumam ser péssimos ouvintes.
Tal como os adolescentes, esses adultos são também impulsivos para dirigir. No trabalho têm um rendimento abaixo do que seriam capazes, mudam freqüentemente de emprego, de relacionamentos e/ou de residência. São muito emotivos, têm freqüentes oscilações do humor e se irritam com facilidade.
 

AtençãoPara entendermos as alterações do TDAH na área da atenção temos de rever a questão da vigilância e da tenacidade. A tenacidade é a propriedade de manter a Atenção orientada de modo permanente em determinado sentido. 

 Vigilância
A vigilância é a possibilidade de desviar a atenção para um novo objeto, especialmente para um estímulo do meio exterior. Essas duas qualidades da atenção se comportam, geralmente, de maneira antagônica, ou seja, quanto mais tenacidade sobre um determinado objeto está se dedicando, menos vigilante estamos em relação à eventuais estímulos a serem apreendidos. 
No TDAH predomina sempre uma atitude de vigilância, sendo muito difícil manterem a tenacidade, dái a dificuldade de concentração. Na pessoa normal esses dois estados da atenção convivem harmoniosamente, usando a tenacidade para estudar, resolver cálculos por exemplo, e a vigilância para dirigir, caminhar pelas ruas, etc.

As alterações da Atenção no TDAH aparecem na forma dos sinais abaixo listados, os quais podem estar presentes também em pessoas normais, porém, atenuadamente:


 Alterações da Atenção no TDAH 
- A pessoa comete erros por puro descuido, não presta muita atenção nos detalhes, negligencia nos deveres escolares, no trabalho, ou em outras atividades;
- Mostra dificuldade em atividades que exijam uma atenção prolongada, tal como nas tarefas ou nos jogos;
- Mostra dificuldade em manter a atenção com a fala das outras pessoas, parece não escutar o que lhe falam;
- A pessoa é pouco persistente, não completa tarefa, não obedece às instruções passo a passo e não completa deveres, ou tarefas no trabalho, por impaciência ou falta de persistência;
- Apresenta um estilo de vida desorganizado, tem dificuldade em ser organizado em trabalhos ou outras atividades, em controlar o talão de cheques, contas, etc;
- Costumeiramente perde objetos ou pertences, como chaves, canetas, óculos, etc;
- Qualquer estímulo desvia sua atenção do que está fazendo, evita e se mostra relutante a envolver-se em tarefas que exigem um esforço mental prolongado, tais como deveres escolares ou trabalhos de casa;
- Muda freqüentemente de uma atividade para outra, quase sempre sem completar a anterior;
- Vive freqüentemente atrasada;
- Sofre a ocorrência de "brancos" durante uma leitura, conversa ou conferência.

HiperatividadeQuanto à hiperatividade, esta se manifesta como uma espécie de reatividade psicomotora exagerada aos estímulos, uma desinibição da resposta motora, ou uma deficiência no controle da psicomotricidade. Nos adultos a hiperatividade pode ser bem menos marcante que nas crianças. Na adolescência, a hiperatividade diminui, enquanto que o déficit de atenção, a impulsividade e a desorganização permanecem como os sintomas predominantes.
Os sinais da hiperatividade observados em adultos e em grau capaz de comprometer a adaptação e o desenvolvimento costumam ser os seguintes:


 Sinais da Hiperatividade Observados em Adultos
- Apresenta uma sensação subjetiva constante de inquietação ou ansiedade, com dificuldade em brincar ou praticar qualquer atividade de lazer sossegadamente;
- Busca freqüentemente situações estimulantes, muitas vezes que implicam risco, podendo correr ou subir em locais inadequados.
- Costuma fazer diversas coisas ao mesmo tempo, como, por exemplo, ler vários livros;
- Está sempre mexendo com os pés ou as mãos ou se revira na cadeira;
- Fala quase sem parar, e tem tendência a monopolizar as conversas;
- Mostra necessidade de estar sempre ocupado com alguma coisa, com freqüência está preocupado com algum problema seu ou de outra pessoa, freqüentemente está muito ocupado ou freqüentemente age como se estivesse "elétrico";
-Não permanece sentado por muito tempo, levanta-se da cadeira na sala de aula ou em outras situações nas quais o esperado é que ficasse sentado.

ImpulsosEm relação ao controle dos impulsos, o que parece acontecer é uma dificuldade na manutenção da inibição social e comportamental normais, uma alteração neurobiológica do autocontrole.

As características do déficit de controle dos impulsos em adultos com TDAH se apresentam da seguinte forma:

 Caracterísiticas comportamentais do TDAH em Adultos
- A pessoa responde antes de ouvir a pergunta toda;
- Age por impulso em relação a compras, decisões em assuntos importantes, em rompimento de relacionamentos, e por vezes se arrepende logo depois;
- Apresenta reações em curto-circuito, com rápidas e passageiras explosões de raiva, tipo "pavio curto";
- Dirige perigosamente;
- É de uma espontaneidade excessiva, chegando às raias da falta de tato e de cerimônia.
- É hiper-sensível à provocação, crítica ou rejeição;
- É impaciente e tem grande dificuldade de esperar;
- Mostra baixa tolerância à frustração;
- Não consegue se conter, reagindo mesmo quando a situação não o atinge diretamente ou quando sua reação pode prejudicá-lo;
- Sofre oscilações bruscas e repentinas do humor, quase sempre de curta duração;
- Tem tendência a explosões histéricas;
- Tem um mau humor fácil.
 

Com essas características comportamentais justifica-se o estresse das famílias desses pacientes, principalmente levando-se em conta o prejuízo nas atividades escolares, ocupacionais, vocacionais e sociais. Isso sem contar, considerando o próprio paciente, os efeitos negativos em sua auto-estima, normalmente muito rebaixada.

As conseqüências existenciais da pessoa com TDAH, principalmente em adultos, seriam:


 Conseqüências Existenciais do TDAH em Adultos
- Adiamento crônico de qualquer tarefa ou compromisso, ou seja, dificuldade de dar a partida;
- Alcoolismo e abuso de drogas;
- Baixa auto-estima e um sentimento crônico de incapacidade e pessimismo;
- Demora tempo excessivo na execução de algum trabalho, devido em parte ao sentimento de insuficiência.
- Difícil sociabilidade, dificuldade em manter os relacionamentos duradouros;
- Tendência a culpar as outras pessoas;

Além disso, são muitos os estudos que mostram um risco aumentado de desenvolverem outros transtornos psiquiátricos na infância nas crianças com essa síndrome, juntamente com a comorbidade (concomitância) de outros transtornos também nos adolescentes e nos adultos. Entre essas eventuais alterações psíquicas as mais temerárias seriam o comportamento anti-social, abuso ou dependência de álcool e drogas, transtornos sérios do humor e de ansiedade.
Outros traços podem fazer parte da personalidade do portador de TDAH. Entre esses traços estaria presente a tendência à caligrafia ruim, dificuldades de coordenação motora, dificuldades no adormecer e de despertar, sendo pessoas que adormecem e despertam tarde, maior sensibilidade a ruídos e ao tato, síndrome pré-menstrual mais acentuada, dificuldade de orientação espacial e na leitura de mapas, deficiência na avaliação do tempo.
DiagnósticoO diagnóstico do TDAH, como sempre deveria ser em medicina, repousa em dois grandes aspectos: o quadro clínico, com a observação de sintomas na idade adulta, juntamente com a história de eventuais sintomas apresentados na infância. Portanto, o diagnóstico é fundamentalmente clínico. Para o diagnóstico de TDAH em adultos alguns autores têm sugerido o seguinte:

 Diagnóstico de TDAH em Adultos
História infantil compatível com o transtorno do adulto;
Ausência de transtorno de personalidade anti-social, esquizotípica ou borderline,
Ausência de transtornos do humor, esquizofrenia e transtornos esquizoafetivos;
Dois dos seguintes sintomas:

4.1 - déficit de atenção,
4.2 - hiperatividade,
4.3 - labilidade emocional,
4.4 - incapacidade de cumprir uma tarefa inteira,
4.5 - temperamento explosivo,
4.6 - impulsividade,
4.7 - intolerância ao estresse

Para o diagnóstico no adulto Brown (1995) propôs critérios baseados nos aspectos nucleares do transtorno, que seriam cognitivos e emocionais:

 Critérios de Brown para o diagnóstico de TDAH em Adultos
- Ativação e organização no trabalho: dificuldade em iniciar tarefas, organizar-se, estimular-se sozinho para rotinas diárias.
- Sustentação da atenção: dificuldades para manter a atenção nas tarefas, distração ou "sonhos acordados" excessivos durante o dia, em especial enquanto está ouvindo ou lendo por obrigação.
- Manutenção da energia e do esforço: dificuldades em manter um nível consistente de energia e esforço nas tarefas, sonolência diurna, cansaço mental.
- Labilidade do humor e hipersensibilidade à crítica: irritabilidade variável e não desencadeada por fatores externos, aparente falta de motivação, rancor exagerado.
- Dificuldades de memória: dificuldades na recuperação de material recente (nomes, datas, fatos) e remoto.
 

Devido (também) a esses problemas, os portadores de TDAH têm baixa auto-estima, sentem-se desmoralizados, fracassados e superados pelos seus pares. A comorbidade com esse transtorno ocorre com dificuldade no aprendizado, depressão, irritabilidade e abuso de substâncias.
De qualquer forma, existe um consenso de que o diagnóstico de TDAH deva ser clínico, ou seja, fundamentalmente baseado na observação dos sinais e sintomas e na importância da história clínica. Em relação à essa última, devem ser entrevistados membros da família, ou pessoas que convivam de perto do paciente (professores, chefes no serviço...), tendo em vista o fato comum da falta de insight desses pacientes.

A performance escolar desses pacientes deve ser sempre investigada com atenção, tendo-se em mente que, embora possa haver baixo rendimento escolar, não é raro que essas pessoas sejam bem dotadas intelectualmente. Também devemos levar em consideração que, como em qualquer outro transtorno médico, existe a possibilidade de uma gama variável de intensidade do quadro clínico, de casos bastante leves ou discretos, até os mais graves e com profundo comprometimento funcional.

O diagnóstico atual de TDAH pelo DSM-IV enfatiza a possibilidade de haver uma  (a) - forma predominantemente desatenta, (b) - uma forma predominantemente hiperativa e (c) - uma forma mista, reconhecendo que os sintomas estão presentes antes dos sete anos de idade. Mas há ainda a possibilidade do diagnóstico de TDAH  "em remissão parcial" para adolescentes e adultos que não preenchem os critérios plenos, devido a uma atenuação da sintomatologia. Os sintomas encontrados nos adultos são, geralmente, bem menos floridos que em crianças.
 

Comorbidade
Num trabalho de Millstein, Wilens, Biederman e Spencer em 1998, foram examinados 149 adultos com TDAH. Em 97% deles foram assinaladas de uma a quatro condições psiquiátricas comórbidas (concomitantes). Esses dados são extremamente importantes, na medida em que permitem deduzir que o tratamento exclusivo da outra condição psiquiátrica comórbida sem o adequado tratamento para o TDAH resultará em resultados insatisfatórios.
Com freqüência se associam ao TDAH os seguintes transtonos emocionais:

a - Distúrbios depressivos, geralmente a distimia ou quadros depressivos intermitentes
b - Distúrbios ansiosos, comumente o distúrbio da ansiedade generalizada, o distúrbio do pânico, quadros
fóbicos, obsessivos e o distúrbio de Tourette.
c - Alcoolismo e abuso de drogas.
d - Distúrbios anti-sociais.
e - Distúrbios delirantes.
Etiologia
Importante para o diagnóstico lembrar que o TDAH é uma condição que acompanha a pessoa desde sempre, é constitucional e inerente à biologia da pessoa, portanto, ninguém adquire TDAH. A pessoa É portadora de TDAH, ela não ESTÁ com TDAH .

A maioria dos trabalhos recentes sobre TDAH encontra evidências de que se trata de um distúrbio neurobiológico. Alguns apontam para um eventual déficit de neurotransmissores, e outros dão ênfase ao déficit funcional do lobo frontal, mais precisamente do córtex pré-frontal.

Entre os neurotransmissores envolvidos no TDAH a dopamina (DA) e a noradrenalina (NA) teriam papel de destaque. Não parece haver participação da serotonina no Distúrbio de TDAH .

A favor dessa hipótese está o fato dos medicamentos que aumentam as quantidades de DA e NA no cérebro serem capazes atenuar os sintomas do TDAH, enquanto os antidepressivos que aumentam a serotonina (como a fluoxetina) não parecem ter bom efeito sobre esses sintomas.

Quanto ao eventual comprometimento do lobo frontal e de estruturas subcorticais (núcleo caudado e putamen) com ele relacionadas no TDAH, as técnicas especiais de neuro-imagem têm revelado alguns resultados promissores. Acredita-se que os lobos frontais tenham uma função executiva, importantes para a capacidade de iniciar, manter, inibir e desviar a atenção.

Portanto, seria tarefa dos lobos frontais o gerenciamento das informações recebidas, a integração da experiência atual com a experiência passada, o monitoramento do comportamento presente, a inibição das respostas inadequadas, e a organização e planejar de metas futuras. Podemos compreender dessa forma muitas das manifestações de TDAH como resultado de uma deficiência funcional do lobo frontal.

Evidenciou-se ainda, uma simetria anormal do córtex pré-frontal de pacientes com TDAH. Normalmente o córtex pré-frontal direito é ligeiramente maior que o esquerdo mas, nesses pacientes, haveria uma redução do córtex pré-frontal direito (Barkley, 1997).

Estudos diversos com gêmeos e com crianças adotadas sugerem fortemente que o TDAH é um distúrbio genético ou, no mínimo, constitucional. Tem sido extremamente comum vermos pacientes com TDAH e histórias familiares com ocorrência do mesmo distúrbio em pais ou irmãos. Recentemente acredita-se que o uso de álcool, fumo e drogas durante a gestação sejam fatores peri-natais importantes para o desenvolvimento de TDAH.
Curso
A maioria dos pais observa pela primeira vez o excesso de atividade motora quando as crianças ainda estão engatinhando, freqüentemente coincidindo com o desenvolvimento da locomoção independente, mas o transtorno é mais comumente diagnosticado pela primeira vez durante as primeiras séries escolares, quando o ajustamento à escola está comprometido.

Um traço marcante do TDAH em adultos é sua evolução cambiante e inconstante, ou seja, ao longo dos anos o quadro clínico muda sua aparência, embora em segundo plano persistam sempre os sinais da tríade mencionada (desatenção, hiperatividade e impulsividade). Na maioria dos casos observados nos contextos clínicos, o transtorno é relativamente estável durante o início da adolescência. Na maioria dos indivíduos, os sintomas atenuam-se durante o final da adolescência e idade adulta.

Assim sendo, tomando-se por base o TDAH em crianças, que é sua situação mais típica, com o passar do tempo costuma haver uma redução de 50% dos sintomas a cada 5 anos e, finalmente, apenas 8% das crianças se manterão sintomáticas (Hill e Schoener, 1996) na idade adulta. Mannuza (1998) encontrou dados semelhantes, constatando 4% para pacientes sintomáticos aos 25 anos de idade.

Outros adultos podem reter alguns dos sintomas, aplicando-se nestes casos um diagnóstico de TDAH em Remissão Parcial ou Residual, como preferem alguns autores. Weiss e Hechtman (1993) examinaram 25 pacientes aos 25 anos de idade e concluíram que 2/3 deles permanecia com um sintoma de TDAH, pelo menos. Esses achados sugerem fortemente que, embora possa ocorrer atenuação dos sintomas com o passar da idade, muitos adultos ainda permanecem sintomáticos.

O diagnóstico de TDAH em adulto aplica-se aos pacientes que não têm mais o transtorno com todos os seus aspectos clínicos característicos, mas que ainda retêm alguns sintomas suficientes para causarem prejuízo funcional.

Adultos portadores de TDAH costumam ter sérios problemas com o trabalho, performance escolar bastante prejudicada e dificuldades nos relacionamentos interpessoais. Freqüentemente eles ficam entediados com as tarefas que exigem organização e planejamento.

Texto baseado predominantemente nos artigos:
- Hiperatividade Déficit de Atenção Adultos de Sérgio Bourbon Cabral

Associação Brasileira de Déficit de Atenção
- Transtornos de Déficit de Atenção em Adultos de Kátia Petribú, Alexandre Martins Valença, Irismar Reis de Oliveira