Sindrome Irlen : Quem lê mas não entende.


A Síndrome de Irlen (S.I.) é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da
capacidade de adaptação à luz que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A
Síndrome tem caráter familiar, com um ou ambos os pais também portadores em graus e
intensidades variáveis. Suas manifestações são mais evidentes nos períodos de maior demanda de
atenção visual, como nas atividades acadêmicas e profissionais que envolvem leitura por tempo
prolongado, seja com material impresso ou computador¹.
A caracterização desta síndrome foi feita pela psicóloga Helen Irlen, com um estudo prospectivo
envolvendo centenas de adultos considerados analfabetos funcionais pela leitura deficiente e baixa
escolaridade. O estudo, aprovado e financiado pelo Governo Federal Americano, foi apresentado
perante a Associação Americana de Psicologia em Agosto de 1983.
A pesquisadora concentrou seus estudos nos sintomas “visuais” que estes adultos apresentavam,
denominando-os de Síndrome da Sensibilidade Escotópica - fazendo alusão ao escuro – devido à
preferência por locais menos iluminados durante tarefas com maior exigência visual. Além da
fotofobia, cinco outras manifestações podiam estar presentes: problemas na resolução viso-espacial,
restrição de alcance focal, dificuldades na manutenção do foco e astenopia e na percepção de
profundidade².
A fotofobia geralmente se manifesta através de queixas de brilho ou reflexo do papel branco, que
compete com o texto impresso e desvia a atenção do conteúdo a ser lido, comprometendo a atenção.
Luzes fluorescentes são particularmente desconfortáveis e geram irritabilidade. Até mesmo a luz
solar direta, faróis de carros e postes à noite causam incomodo aos portadores da SI e cefaléias por
essa exposição³. Em muitos casos, há hábito de uso constante de óculos de sol.
As alterações da habilidade de resolução viso-espacial produzem sensação de desfocamento e de
movimentação das letras que pulsam, tremem, vibram , aglomeram-se ou desaparecem, impactando
na atenção e compreensão do texto que esta sendo lido. As distorções à leitura foram também objeto
de relatos por parte de outros autores como Meares (1980), Whiting (1985) e Robinson & Miles
(1987)4,5,6.


Ilustram como um portador da Síndrome de Irlen percebe um texto durante a leitura prolongada.
A restrição do foco limita a abrangência visual e reduz o número de letras apreendidas fazendo
com que palavras sejam vistas parceladamente, o que requer uma segunda etapa associativa para
coerência e compreensão. A restrição no alcance focal pode ainda causar dificuldades na
organização do texto em segmentos significativos ou porções sintáticas, sendo esta uma
característica presente em leitores deficientes. Em geral, bons leitores ampliam progressivamente o
campo de visão, passando a reconhecer as palavras familiares pelo conjunto ou lexicalmente de
forma a registrar as pistas visuais necessárias para uma interpretação rápida e correta do significado
do texto naquele ponto.
As dificuldades na manutenção da atenção do foco, pelo fato do texto impresso apresentar-se
menos nítido ou desfocado após um intervalo variável em leitura, produz estresse visual ou
astenopia.
A astenopia, sempre presente em intensidade variável, se caracteriza pelo desconforto visual
associado à sensação de ardência e ressecamento ocular, aumento da necessidade de piscar, olhos
vermelhos e lacrimejantes, necessidade de coçar e apertar os olhos, com mudanças na posição e
distância da cabeça até o papel impresso, sonolência e busca de pausas para “descanso visual”.
As dificuldades com percepção de profundidade, habilidade que possibilita a correta avaliação
tridimensional, tem impacto direto em atividades como dirigir, estacionar, prática de esportes com
bola, de movimento em geral, descer e subir escadas, atravessar portas, passarelas, usar escadas
rolantes entre muitas outras situações cotidianas, nas quais a antecipação visual constitui fator de
segurança e rapidez de ajuste ao ambiente.
Os sintomas físicos da S.I. são essencialmente oculares, ocorrendo lacrimejamento, prurido e
ardência ocular, tendência à esfregar os olhos e/ou tampar/fazer sombra enquanto lê, apertar e/ou
piscar os olhos excessivamente, balançar ou tombar a cabeça, sensação de cansaço após 10 a 15
minutos de leitura - que é feita preferencialmente na penumbra - além de história familiar de
dificuldades com leitura e fotofobia.
A prevalência é alta, pois atinge de 12-14% da população em geral, incluindo bons leitores e
universitários e torna-se proporcionalmente mais frequente quando há concomitância com déficits
de atenção e Dislexia (33 a 46% dos casos). Estudo recente, realizado em escola municipal da rede
publica em Belo Horizonte, detectou ainda uma incidência de 17% entre alunos com dificuldade de
leitura7.
Atualmente estão sendo revistas as relações entre as lesões pós-traumáticas, envolvendo o cérebro,
e os comprometimentos secundários da eficiência visual com exacerbação da fotossensibilidade e
déficits na oculomotricidade, gerando impactos na leitura, aprendizagem, memória e estabilidade
emocional. Sabe-se que também podem ocorrer na Dislexia, Déficits de Atenção e Hiperatividade,
no Autismo e durante o uso de certos medicamentos. Como os sintomas são semelhantes, o
diagnóstico diferencial é indispensável para que a conduta ideal seja adotada o mais precocemente
possível, uma vez que a intervenção gera benefícios nas outras áreas do processamento, como as
auditivas, motoras e cognitivas8.
São sintomas comuns: a confusão entre os números, percepção de distorções visuais em páginas de
texto, leitura de palavras de baixo para cima e inversão de letras e palavras, espaçamento irregular,
dificuldades em manter-se na linha ao escrever, lentidão e baixa compreensão. Entretanto inexistem
outros aspectos que facilitarão na condução de um diagnostico diferencial satisfatório. Na Síndrome
de Irlen, ao contrario da Dislexia, estarão ausentes as alterações na percepção auditiva, escrita
invertida, pronuncia incorreta, dificuldade na aquisição da fala e escrita, escrita espelhada e déficits
na compreensão de ordens verbais, cuja intervenção será supervisionada por fonoaudiólogos. Do
mesmo modo, a prolixidade, impulsividade, falta de autocontrole pessoal ou em grupo, agitação e
hiperatividade física são componentes dos quadros de déficits de atenção e hiperatividade e a
intervenção medicamentosa, quando recomendada, será feita pelo neurologista responsável pela
coordenação destes atendimentos multidisciplinares.
Sejam em comorbidade, ou isoladamente, estes distúrbios provocam uma série de manifestações
semelhantes e por isto, diversos autores preconizam o rastreamento da Síndrome de Irlen em
crianças com dificuldades na leitura, fotossensibilidade e manutenção da atenção aos esforços
visuais prolongados, como uma forma de evitar diagnósticos equivocados de Dislexia, DTA e
TDAH e ainda para minimizar a medicação em pacientes onde a agitação e desatenção são
resultantes do estresse visual e dificuldade em se ajustar às condições de luminância de uma sala de
aula, por exemplo.


Imagens captadas por Ressonância Magnética Funcional de um paciente portador de Síndrome de Irlen onde se observa
a hiperexcitabilidade cortical durante a leitura sob estresse visual e após a interposição de filtros seletivos individuais.
(Copyright Steve Stanley, Australia)


A identificação da Síndrome é feita por profissionais da saúde e educação devidamente capacitados
a identificar (teste de screening ou rastreamento) os portadores da síndrome, através da aplicação de
um protocolo padronizado conhecido como Método Irlen, e classificar o grau de intensidade das
dificuldades visuoperceptuais dos casos suspeitos9. O teste de screening é feito após avaliação da
acuidade visual e sob correção refracional atualizada, quando necessária. Pelo screening
verificamos os benefícios, com a supressão das distorções visuais, pela interposição de uma ou mais
transparências coloridas selecionadas individualmente pelo portador da Síndrome de Irlen.




Aplicação do Método Irlen onde ocorre a indução de estresse em atividades com alta demanda “visuoatencional” e
posterior supressão após a sobreposição de uma lâmina colorida individualmente selecionada.
Uma vez determinada a transparência ideal o portador passa a usá-la sobre o texto durante a leitura
ou cobrindo a tela do computador enquanto lê, obtendo benefícios imediatos no conforto visual,
fluência e compreensão.
A neutralização das distorções facilitará o reconhecimento das palavras lidas, mas obviamente não
permitirá que a pessoa leia palavras que não sabe. Para estes indivíduos, a leitura sempre foi
sinônimo de dificuldade e a rejeição tornou-se um habito incorporado – é preciso considerar que
pode haver anos de atraso em relação aos leitores regulares que puderam adquirir um substancial
vocabulário visual de reconhecimento instantâneo. Obviamente, o aprendizado das palavras será
facilitado por não mais se apresentarem distorcidas – mas a assistência ao aprendizado será
importante e sem ela a leitura permanecerá sendo uma atividade difícil e estressante.
Do mesmo modo, o uso de filtros não será o único fator necessário para o aperfeiçoamento no
desempenho da leitura, porém nos casos de Síndrome de Irlen a opção pelo tratamento significará
um recurso não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, possibilitando a seus usuários uma
potencialização dos benefícios aferidos aos seus esforços acadêmicos e profissionais, além de
facilitar o trabalho da equipe multidisciplinar que os assistem.
É interessante observar que a boa parte dos portadores não tem consciência de suas distorções à
leitura, como estas aparecem após um tempo médio de 10 a 15 minutos de leitura, eles pressupõem
que isto ocorra a todos – sem se dar conta de que a dificuldade é só deles - e mais ainda se
estiverem sob excesso de luzes fluorescentes, contraste, cores fortes, muito volume de texto por
pagina, letras menores e impressão em papel brilhante. O mais preocupante é que esta é exatamente
a situação em que se aplica a prova do ENEM - centenas de estudantes com Síndrome de Irlen não
identificada terão seu desempenho prejudicado pelo estresse visual e hipersensibilidade à luz,
cansaço progressivo e dificuldade em manter a atenção por tempo prolongado, com erros na
transferência de gabaritos e falta de compreensão por déficits na eficiência visual.
Classicamente, os profissionais envolvidos com a triagem, diagnóstico e tratamento dos Distúrbios
de Aprendizagem são os psicólogos, pedagogos, neurologistas, fonoaudiólogos, psiquiatras e
pedagogos, cabendo ao oftalmologista a identificacao e tratamento dos distúrbios visuais, um papel
incorretamente considerado secundário neste trabalho multidisciplinar. Tradicionalmente o
oftalmologista concentra sua atenção na aferição da acuidade visual, correção refracional quando
necessária, e identificação de patologias (catarata, glaucoma, estrabismo, etc). Porém a visão é o
sentido mais importante na aprendizagem, com uma dependência estimada em 80% até os 12 anos
de idade, e os impactos dos déficits neurovisuais são sempre significativos, e no entanto a sua
identificação pelo exame oftalmológico padrão seria insuficiente, pois o oftalmologista atual
privilegia a acuidade da visão e fatores ligados ao trabalho ocular, além de condições ópticas. Mal
comparando, seria como avaliar o computador (hardware), quando o paciente possui déficits no
processamento visual cerebral (software).
É relevante assinalar que o “conceito de visão” que o oftalmologista possui determinará a forma
como aborda as queixas e sintomas visuais dos pacientes com distúrbios de aprendizagem. As
conclusões geradas de seus exames e a forma como investiga as relações entre elas dependerão não
apenas do tipo de exame realizado, mas também de seu conhecimento clínico na área específica, das
queixas fundamentais, do direcionamento de sua anamnese e ainda de sua capacidade de interação
com os demais profissionais da área de saúde e educação, com os quais passará a se relacionar não
mais de forma passiva, mas como interventor e facilitador das decisões trans e multidisciplinares
que afetarão o futuro escolar desta população10.


Referências:
1- Irlen H. The Irlen Revolution. New York, Square One Publishers, 2010
2 - Irlen H. Reading by the colors. New York, The Berkley Publishing Group, 1991
3 - Guimarães MR, Guimarães JR, Guimarães R et all. Selective spectral fiulters in the treatment
of visually induced headaches and migraines: a clinical study of 93 patients. T 29. Headche
Medicine, 1 (2): 72, 2010.
4 - Meares,O. Figure/ground, brightness contrast, and reading disabilities. Visible
Language,14,13-29, 1980.
5 - Whiting,P.R. How difficult can reading be? New insight into reading problems.
J.Eng.Teach.Assoc. 49,49-55. 1985.
6 - Robinson ,G.L. and Miles,J. The use of colored overlays to improve visual processing – a
preliminary survey. The Except.Child. 34, 65-70.1987.
7 - Faria L N. Frequência da Sindrome de Meares-Irlen entre alunos com dificuldades de
leitura observadas no contexto escolar. [Tese Mestrado]. Belo Horizonte:Universidade Federal de
Minas Gerais, 2011.
8 - Tallal P. Auditory temporal perception, phonics and reading disabilities in children. Brain
Lang, 9(2): 182-98, 1980.
9 - Guimarães MR. Distúrbios de Aprendizado Relacionados à Visão. Rev Fund Guimarães
Rosa. 3(4): 16-9, 2009.
10 - Ventura, LO; Travassos, SB; Da Silva, OA; Dolan, MA. Dislexia e Distúrbios de
Aprendizagem. Rio de Janeiro, Cultura Médica, Cap.18 p.159-174, 2011.

Somos ácidos ou alcalinos?





Quando começamos a compreender melhor a verdadeira natureza de nossa vida física iremos construir uma ponte mais sólida entre o nosso interior e o exterior, o emocional e o físico.

O emocional sustentará  nossa vitalidade física.

São nossos hábitos, pensamentos e sentimentos que criam barreiras que obscurecem a nossa verdadeira saúde integral.

Estejamos dispostos a abrir uma visão mais ampla para tornar nossa vida cheia de novas transformações.

A mudança de hábitos e atitudes mudam a nossa realidade influenciada por costumes equivocados que nos foram passados, pelo ambiente no qual vivemos, por padrões de comportamento, enganos e decepções.

Todos nós estamos precisando de cura em algum nível, seja físico ou emocional.

O corpo físico expressa todas as capacidades e deficiências que temos desde a gestação na formação das suas células.
Desarmonias e desequilíbrios se manifestam em nós para serem tratados.

Como perceber:

Somos ácidos ou alcalinos?
Muitas pessoas nunca ouviram falar do equilíbrio entre acidez e alcalinidade.
Compreender que o corpo tem que nivelar o PH do sangue a uma medida ligeiramente alcalina para sobreviver.

Acidez e alcalinidade são medidas do PH em nosso organismo (Potencial de Hidrogênio)

O nosso PH deve permanecer no lado alcalino.

Um organismo ácido está sujeito a uma série de doenças que se desenvolvem no meio ácido.
A doença não prospera em um organismo adequadamente alcalino.

A escala do PH vai de 0 a 14
PH = O          MÁXIMO DE ACIDEZ
PH = 7          NEUTRO
PH = 14        MÁXIMO DE ALCALINIDADE.
Ex.: o PH do estômago é de 1, o da água é de 7 (neutro)
O bicarbonato de sódio é de 12.

O sangue leva todos os nutrientes que ingerimos para o corpo deve ter o PH entre 7, 36 a 7, 42, ou seja, levemente alcalino.

Todos os alimentos da natureza contêm elementos ácidos e alcalinos em sua formação.

Existem muitos alimentos geradores de ácidos que podem comprometer a saúde com a acidose (comum na diabetes).

Dê preferência a 70 % de alimentos alcalinos e 30% de alimentos ácidos

Muitas vezes um alimento de sabor ácido após a sua ingestão, se transforma em alcalino.
Temos como exemplo os limões, considerado como um fruto ácido.

Podemos medir o nosso PH através dos alimentos que ingerimos:
Mesclar alimentos alcalinos com os ácidos.

Alimentos ácidos que produzem acidez

Todos os de origem animal e seus derivados.
Frituras, remédios, antibióticos, anfetaminas, quimioterapia, radioterapia, nicotina, café, álcool, açúcar, chocolate, alimentos congelados, adoçantes, refrigerantes.

Alimentos alcalinos que produzem alcalinidade.

Todas as frutas frescas, secas, folhas verdes, legumes, raízes, feijões, uva passa, melado, couve flor cru, milho verde, cenoura, beterraba, batata doce, nabo, rabanete, abobrinha, banana, amêndoas, castanha do Pará, água mineral alcalina, maçã, pera, quiabo, chuchu ralado cru, abóbora, manga, uva, melão, salsa, melancia, mamão, amora, limão, salsão, alface, escarola, cebola, alho, coentro, rabanete, brócolis, couve-flor, chá verde… Espinafre, soja, pimenta caiena.

Limão: um grande segredo que a natureza reservou para a saúde humana.
O limão pode ser considerado como o rei dos frutos curativos, agindo como antibiótico e antisséptico intestinal.
Alcaliniza o organismo e fortalece o sistema imunológico enfraquecido.

Atitudes emocionais que acidificam o sangue: 
Sentimentos de raiva, inveja, ciúme, excesso de julgamento, críticas, exercícios físicos obsessivos, competições, disputas, violência, injustiças são atitudes emocionais que alcalinizam o sangue…

Atitudes emocionais que alcalinizam o sangue:
 Sentimentos de amor ao próximo, emoções de afetividade e compaixão, contemplar o belo, etc


A psicanálise e o autismo





Segundo os manuais de psiquiatria haveria uma tríade de
comportamentos que caracterizam este grupo de transtornos, esses seriam:
dificuldades na interação social, na comunicação e atividades e interesses
consideravelmente restritas e repetitivas.

As prevalências atuais estimadas são de 0,9% segundo os Centers for
Disease Control and Prevention (2009) para o conjunto dos transtornos globais
do desenvolvimento e, com uma incidência três a quatro vezes maior entre os
meninos (AUSSILLOUX, 2005).

Durante muito tempo, o estudo das causas do autismo foi campo de
conflito entre organicistas e os defensores de uma psicogênese como única
causa. Hoje em dia, embora este conflito ainda seja muito forte, parece haver
uma abertura maior para um diálogo entre as diversas abordagens – sobretudo
entre a psicanálise e as neurociências.

No momento atual, ninguém pode afirmar uma causa única para o
autismo. Assim, pensamos que o autismo infantil precoce pode ser considerado
como uma organização psicopatológica suscetível de se constituir como
resposta a fatores iniciais muito diversos, tanto orgânicos como psíquicos
(Tordjman, 2005).

É neste sentido que Hochmann (2007) fala que o autismo, como a
histeria nos tempos de Freud, pode servir de paradigma em função das
questões que suscita, exigindo um grande dialogo entre os diversos campos do
conhecimento.

Quer dizer que o autismo, em função de sua precocidade e de sua
multiplicidade causal representa um desafio, tanto do ponto de vista da
medicina, da pesquisa, da psiquiatria e da psicanálise.

Embora psicanalistas e psicólogos do desenvolvimento concordem que
as relações precoces entre os humanos fundam as bases para as outras
capacidades sociais (Alvarez e Lee, 2004), há divergências na forma de pensar
O estabelecimento da relação com o outro no processo de desenvolvimento
humano.
A noção de intersubjetivade pode ser utilizada como eixo condutor para
pensar este processo. Sabe-se que tal noção assume diferentes sentidos de
acordo com os diversos contextos teórico-metodológicos considerados.
Trevarthen, psicólogo e pesquisador do desenvolvimento humano,
define a intersubjetividade como a capacidade psicológica de ter e partilhar
objetivos, interesses, emoções e de estar pronto para comunicar os
acontecimentos intrinsecamente psicológicos a outras pessoas (2005).
Ele foi um dos primeiros a propor e investigar a intersubjetividade como
inata. Seus estudos sobre as competências precoces do recém nascido
evidenciaram que o mesmo tem um papel ativo no laço que estabelece com
seus cuidadores.

“Os recém nascidos, com seus cérebros complexos, mas imaturos,
com aptidões cognitivas limitadas e um corpo frágil, se mostram
motivados para comunicar-se com as formas expressivas e rítmicas de
interesse e de emoção oriundas do outro, e o fazem através de um
comportamento diferente do comportamento instintivo, que atrai o
cuidado parental para a satisfação de necessidades biológicas
imediatas.”5 (Trevarthen & J. Aitken, 2003, p. 309)

Os estudos de Trevarthen e de diversos colaboradores indicariam que
esta cooperação expressiva e psíquica entre o bebê e o adulto pode ser
observada nas interações espontâneas desde o nascimento (Gratier, 2007). As
afirmações de Trevarthen sobre a capacidade inata para a intersubjetividade se
apóiam sobre a hipótese de que bases dos sistemas emocionais e de
motivação se organizam muito antes do nascimento (2004).




“Para partilhar o controle mental com outras pessoas, o lactente deve
possuir duas competências. De um lado, ele deve ao menos mostrar
que possui os rudimentos de uma consciência individual e intencional.
É o que eu chamo de subjetividade. De outro lado, para poder
comunicar, o lactente deve poder adaptar ou ajustar seu papel
subjetivo à subjetividade dos outros: é a intersubjetividade.”*
(Trevarthen & J. Aitken, 2003, p. 315)

Neste sentido, ele propõe que um bebê se organiza como um sujeito
desde o seu nascimento e que ele visa estabelecer relações com os outros
seres humanos.

Se os diversos estudos de Trevarthen e colaboradores tendem a
enfatizar o inatismo dos processos fundamentais requeridos pela
intersubjetividade, outros autores tendem a destacar as etapas pelas quais o
processo de sua instalação tem que passar.

Stern (2004, 2005) descreve a intersubjetividade como um processo que
deve ser definido em diversas etapas onde o bebê e os pais têm um papel a
ocupar. Ele fala que inicialmente os pais devem conseguir ler o estado
emocional do recém nascido, que devem também se comportar em resposta a
este estado e que enfim o bebê deve estar na medida de compreender que a
reação parental tem relação com sua experiência emocional. Ou seja, um
processo que vai se construindo. Este processo de construção da
intersubjetividade depende então da dupla adaptação entre os pais e a criança.

Segundo Golse (2004), o processo de acesso à intersubjetivdade pode
ser compreendido como um movimento de diferenciação que vai permitir à
criança experimentar, sentir e integrar que o eu não é o mesmo que o outro.

Se levarmos em conta a obra do Freud, torna-nos difícil pensar na idéia
de um inatismo de uma organização como o EU. Em seu texto sobre o
narcisismo ele coloca que “uma unidade comparável ao Eu não existe desde o
começo no indivíduo; o Eu tem que ser desenvolvido” (p.18),

O que se pretende então é discutir esse conceito a partir de um ponto de
vista psicanalítico, dado que nos parece ser um importante instrumento clínico.

Para discutir a noção de intersubjetividade partindo da psicanálise é
necessário destacar a dimensão inconsciente da subjetividade. Marcelli propõe
que na intersubjetividade “não se trata somente do fato de que dois sujeitos
interessem-se um pelo outro. Pois se fosse assim, a intersubjetividade se
resumiria a uma troca consciente e seria definida simplesmente como uma
relação interpessoal” (2004, p. 55)*.

Assim, seguindo nesta forma de pensar a intersubjetividade, temos “o
encontro de um sujeito, animado de pulsões e de uma vida psíquica
inconsciente, com um objeto, que é também um outro sujeito, e que é também
animado por uma vida pulsional de onde uma parte é inconsciente”*
(Roussillon, 2004b, p. 735).

O conceito de pulsão foi definido por Freud como:

“um conceito limite entre o somático e o psíquico, como o representante
psíquico dos estímulos oriundos do interior do corpo e que atingem a alma,
como uma medida do trabalho imposto à psique por sua ligação com o corpo”
(1915/2010, p. 57).

 Utilizando o conceito de pulsão de Freud, podemos melhor compreender
a idéia de que o recém nascido é mobilizado pela busca da relação. Quer dizer
é para além da satisfação das necessidades biológicas imediatas que o bebê
procura entrar em contato com os outros (1905). De fato, as pulsões – diferente
das necessidades – não são satisfeitas sempre do mesmo modo. Segundo
Freud, já que a pulsão “não ataca de fora, mas do interior do corpo, nenhuma
fuga pode servir contra ela” (1915, p.54).

Lacan propõe pensar a pulsão como algo “que não tem dia nem noite,
não tem primavera nem outono, que ela não tem subida nem descida. É uma
força constante” (1964, p.157). Ou seja, segundo Lacan, em função das
pulsões, a vida psíquica é de um outro registro que aquele segundo a
satisfação das necessidades (1969).

“A pulsão apreendendo seu objeto, aprende de algum
modo que não é justamente por ai que ela se satisfaz.
Pois, se se distingue, no começo, da dialética da
pulsão, o Not e o Bedürfnis, a necessidade e a
exigência pulsional é justamente porque nenhum
objeto de nenhum Not, necessidade, pode satisfazer a
pulsão.(...) Essa boca que se abre no registro da
pulsão – não é pelo alimento que ela se satisfaz.”
(Lacan, 1964, p.159)

Este aspecto radical do funcionamento psíquico humano “que entende
as necessidades como demandas desejando serem satisfeitas faz com que o
bebê, desde que ele entre em contato com o outro, deixe de ser um ser de
necessidade para se tornar um ser do desejo”* (Crespin, 2007, p.22).

Então, mais do que necessidades, é preciso que o bebê tenha também
demandas: que ele saia do registro da necessidade e possa entrar no campo
do desejo. Pode-se dizer que mais do que fome, é preciso que o bebê tenha
apetite.

O trabalho de Laznik (2004, 2006, 2007) permite-nos estabelecer uma
articulação entre a concepção lacaniana das pulsões e a noção de
intersubjetividade de Trevarthen. Retomando o conceito de pulsão proposto por
Freud (1915) e revisitado por Lacan no seu seminário “Os quatro conceitos
fundamentais da psicanálise”, Laznik nos convida a refletir sobre o papel do
circuito pulsional na emergência psíquica do recém nascido, idéia fundamental
para entender o processo de constituição subjetiva, quer dizer, a forma como
abandonamos o estatuto de ser de necessidade para tornarmo-nos seres de
desejo.


Segundo Laznik (2007), a pulsão cumpre sua meta de satisfação por
meio do estabelecimento de um circuito de três tempos. No primeiro tempo o
bebê vai em direção ao objeto oral para se satisfazer. Freud qualificou este
tempo como ativo. O segundo tempo é reflexivo ou auto-erótico. É o que Freud
descreveu como o retorno da pulsão sobre uma parte do corpo próprio. É o
tempo da capacidade de se acalmar chupando o dedo, a mão... No terceiro
tempo, o bebê se faz, ele mesmo, objeto de um outro. O bebê se oferece como
objeto de satisfação para o outro. Seria como quando o bebê coloca o dedo na
boca da sua mãe e se delicia com a brincadeira que ela faz. Freud qualificou
este tempo de reflexivo, mas Laznik o pensa como uma passividade ativa.
“Com efeito, é muito ativamente que ele vai se fazer comer por este outro, para
o qual, ele se faz ele mesmo, objeto” (2004, p.28).

“O bebê não é passivo na situação, claramente ele a procura. É ele que
vai procurar se fazer olhar, se fazer ouvir ou bem, ao nível oral, se
fazer “comer o pezinho”. Este aspecto eminentemente ativo do terceiro
tempo do circuito pulsional havia sido evidenciado por Lacan que o
chamava o tempo do “se fazer”*. (Laznik, 2000, p. 73)

É somente depois do terceiro tempo que se pode falar em satisfação
pulsional (Laznik, 2000). Lacan coloca que é “no momento em que o fecho se
fechou, quando é de um pólo ao outro que houve reversão, quando o outro
entrou em jogo, que o sujeito tornou-se por termo terminal da pulsão” (1964,
p.173).

Este ciclo se desenvolve diversas vezes na relação mãe-bebê, mas é
somente após a instauração do terceiro tempo que os outros dois adquirem
sentido. Como disse Lacan (1964) este sujeito que existe graças ao outro,
aparece quando o circuito da pulsão pode se fechar. É somente com a
dimensão do Outro que a função da pulsão pode existir.

Assim, os movimentos do bebê de procura do seio e de chupar o dedo
para se acalmar podem enfim ser considerados como eróticos. Porque só
podemos falar em registro pulsional no momento onde o gozo do Outro esta

colocado em questão. É este momento de enganchamento ao desejo do outro
que permite ao infans de aceder ao status de sujeito. É neste sentido que
Lacan afirma que o “desejo do homem encontra seu sentido no desejo do
outro, não porque o outro tenha as chaves do objeto desejado, mas porque o
seu primeiro objetivo é ser reconhecido pelo outro” (1953, p.132).

Golse, apoiando-se na revisão da teoria lacaniana feita por Laznik diz
que o terceiro tempo do circuito pulsional pode ser caracterizado como o
momento de ascensão á intersubjetividade (2004, p.449).

Quer dizer que o momento de fechamento do circuito pulsional pode ser
então entendido como o momento de troca intersubjetiva se esta última é
pensada de um ponto de vista psicanalítico, ou seja, orientada pelo desejo
como decorrente da construção do circuito pulsional.

É o momento de enlaçamento ao desejo do outro que permita ao infans
de aceder ao estatuto de sujeito. Deste modo, pensa-se ter descrito o processo
de nascimento psíquico, este processo de emergência do sujeito a partir do
laço que ele estabelece com o desejo do outro.

Como já foi dito, este processo não é inato e nem instintivo, exigindo
uma construção com múltiplas possibilidades. Este enlaçamento pode até
mesmo não acontecer. É por esta razão que é necessário pensar na sutileza
desses mecanismos e na multiplicidade de fatores que, tanto do lado do recém
nascido como do lado dos adultos que se enodam seu desejo ao dele, podem
impedir esta realização (Trouvé, 2002).

O autismo é característica da não realização deste processo. No autismo
o terceiro tempo do circuito pulsional não foi estabelecido. Não há enlaçamento
com o desejo do Outro. Sem negar a possibilidade de um suporte orgânico,
consideramos o autismo como uma falha na constituição subjetiva, como uma
impossibilidade da instalação de elementos fundamentais da construção
psíquica (Trouvé, 2004).

“O autismo parece colocar pela negativa a questão do
sujeito, mais exatamente de sua emergência. O autista
aparece como aquele que está preso, congelado no
processo de assunção subjetiva.” (Ansermet, 1999,
p.69)

É neste sentido que G. Crespin coloca que o autismo pode surgir:

“por fatores originados na criança (limiar de
receptividade do bebê muito diferente do da mãe,
acidentes pré-natais que impeçam o investimento do
bebê), seja com origem nos pais (estado depressivo,
lutos complicados, inscrição do bebê em uma filiação
impossível), ou ainda vinda do meio ambiente
(separações neonatais, anúncios de deficiências).”
(p.43, 2004)

Dentro da mesma idéia, Laznik coloca que independente das causas, o
autismo está ligado a uma falha no estabelecimento deste laço pulsional ao
Outro, sem o qual nenhum sujeito pode advir (2000b).

Mesmo se a questão do autismo não foi muito desenvolvida por Lacan, a
teoria lacaniana pode nos oferecer instrumentos importantes para compreender
esta falha no desenvolvimento. Lacan propõe que haja na constituição do
sujeito dois tempos: o da alienação e da separação.

Diferente da psicose, onde há uma falha na separação, no autismo é o
tempo da alienação que falta. Segundo C. Soler (1990), podemos situar o
autismo “em um antes da alienação: em uma recusa de entrar aí, um parar na
borda”. Quando não há esta alienação, a questão do outro não se coloca e é
neste sentido que se diz que o autista é alguém para o qual o Outro não existe,
e sobretudo alguém para quem o desejo do Outro não faz questão, não causa.


É assim que falamos do autismo quando não há este fechamento do
terceiro tempo do circuito pulsional, dado que é bem neste tempo que a
questão do gozo do Outro se instala. Quer dizer que não há momento de
reversão, de mudança de lugar, onde o bebê se oferece ele mesmo como
objeto para o gozo do Outro, representado em um primeiro momento pelo outro
materno.

Quando não há Outro, não se pode falar de pulsão, de Eros. E “se
retiramos o termo Eros no auto-erotismo, nós nos deparamos com o autismo”
(Laznik, 2006).

No autismo não há troca de olhar entre a criança e o outro, e quase não
há linguagem – e muitas vezes quando ela existe não serve muito à
comunicação. Como Kanner falava, em relação às crianças do seu estudo,
mesmo aqueles que falavam, não empregavam a linguagem com o objetivo de
se comunicar. Podemos relacionar isso com o que propõe Vanier (1993) que
coloca que mesmo se essas crianças estão na linguagem, elas não
apresentam o desejo de se comunicar.

Amelie Nothomb nos ensina sobre esta diferença:

“Os olhos dos seres vivos possuem a mais
impressionante das propriedades: o olhar. Não há
nada mais singular. (...) O que é o olhar? É o
inexprimável. Nenhuma palavra pode se aproximar
dessa substância estranha. Entretanto, o olhar existe.
Há mesmo poucas realidades que existem há este
ponto. Qual é a diferença entre os olhos que tem um
olhar e os olhos que não tem? Essa diferença tem um
nome: a vida. A vida começa ali onde começa o olhar”.
(2000, p.6)

 Evidentemente, ao falar dos olhos que não tem olhar não se trate de
deficiência visual. Bem ao contrário. Aqui se encontra a diferença entre o ver e
o olhar. Os autistas, a priori, não têm nenhum problema de visão, mas,
entretanto eles não conseguem olhar, dado que o olhar implica a instalação de
uma relação com o outro.

 Então há a fala e a visão, mas não a linguagem e o olhar. Assim, no
autismo, temos um corpo que não consegue sair da inscrição de um puro real;
não há inscrição simbólica.

 Para concluir aqui a fala, vemos que muitos psicanalistas (Jerusalinsky,
2008; Laznik, 1995 ; Crespin, 2007 ; Soler, 1990, entre outros) se interessaram
pela questão do autismo pelo que ela pode ser considerada como uma
possibilidade de compreender o processo de constituição psíquica do sujeito,
como se olhássemos do microscópio. Como propõe Ansermet (1999), o estudo
do autismo permite questionar as condições de nascimento subjetivo, para
além das leis do organismo.

Assim, o autismo nos ensina sobre este encontro – ou sobre a
impossibilidade deste encontro – entre a estrutura de um corpo e a inscrição
simbólica realizada através da dialética da relação ao Outro.

Pseudolalia - O transtorno da mentira


A Pseudolalia é uma mentira compulsiva resultante de um longo vício de mentir. A pessoa mente por mentir, perde a noção do que é verdade ou não, convence-se das mentiras como puras verdades.

A pseudolalia pode conduzir a graves distúrbios de personalidade, podendo o pseudolálico acabar por perder a sua individualização e viver em um mundo real criado imaginariamente, comportando-se de uma forma difícil ao contato humano e só com tratamentos profundos pode-se melhorar.


As pessoas perdem lenta e gradualmente a consciência da gravidade da doença que vão adquirindo, porque a sua realidade vai perdendo cada vez mais sintonia com o verdadeiro real. Por fim o vício de mentir é um ato inconsciente e perante a mais simples situação a fuga à verdade brota espontânea e como uma repetição compulsiva e criação de verdades inexistentes.


Existem, além destas, um outro tipo de mentiras: as provenientes do chamado mentiroso compulsivo, que mente sistematicamente e aparentemente sem razão.
Aqui estamos lidando com alguém para quem a mentira assume contornos de dependência, tal como o álcool ou a droga.

A mentira torna-se um vício, já que é dita de forma compulsiva, ou seja, o mentiroso tem consciência que está mentindo mas não consegue controlar esse impulso. O vício compulsivo de mentir é a fuga da realidade

A pseudolalia é uma doença grave.  Segundo psiquiatras e psicanalistas, a prática freqüente de viver uma situação imaginária pode ser o resultado de uma profunda insegurança emocional, além de traumas de infância. A atitude funciona como um mecanismo de defesa para pessoas que apresentam um quadro de carência acentuada.

Estudos comprovam que crianças vítimas de uma educação julgadora, imposições, disciplinas rígidas, e que por vezes vivem dominadas com autoritarismo, são fortes candidatas à doença.
 

Pesquisas também demonstram que uma pessoa que carrega o vício de mentir pode não conseguir se controlar, tornando-se semelhante a quem tem o vício do jogo.



Quando a mentira vira uma doença

Para que mentir? A pergunta que Noel Rosa e Vadico transformaram em canção aflige tanto pais de pequenos mentirosos quanto a mulher que surpreende o marido com desculpas esfarrapadas. Para que mente o menino que insiste em contar aos pais e amigos façanhas inverossímeis? Os psicanalistas afirma que as crianças mentem porque desejam dar aos seus pais a versão que, supostamente, estes gostariam de ouvir.

"Estes pais precisam se examinar para verificar se não estão impondo aos filhos os seus desejos e se interessando pouco pelos desejos dos filhos. O colapso da atividade de brincar é o que agrava a intensidade da mentira. Se, ao invés de mentir, a criança tem a chance de brincar, pode chegar bem perto da satisfação de seus desejos. Hoje, cada vez mais, a adolescência é uma extensão da infância, sem as possibilidades de satisfação desta, na brincadeira. No casamento, a mentira se dá dentro do mesmo processo: ambos tentam ser o que gratifica o outro para que o outro também se sinta gratificado".
Há mentiras que indicam crises de auto-estima. O psiquiatria infantil atende crianças, por exemplo, de classe média que estudam em colégios de luxo e mentem por questão de status. 

"Estas crianças se sentem socialmente humilhadas. A mentira, para elas, é uma defesa". Já o adolescente mente para se proteger de pais invasores ou repressores. A menor R.B., de 17 anos, por exemplo, diz que vai dormir na casa da amiga, mas dorme com o namorado. "Se eu disser a verdade, não poderei sair de casa", justifica-se.

Os psicanalistas vêem então a mentira do adulto como necessidade, às vezes compulsiva, de obter lucro ou prazer. "Há duas espécies de mentira: a que prejudica alguém é diferente da mentira social. A mentira compulsiva é uma doença, mas a verdade compulsiva também é. Não se pode falar a verdade o tempo todo. Por isto, é difícil julgar mentirosos quando se trata da relação amorosa. Mentir, evidentemente, não é o melhor modo de se relacionar. Mas, às vezes, é a única opção. Os contratos humanos expressam a força e também a fragilidade da condição humana".

O mentiroso compulsivo, só deixa de mentir quando aceita sua própria precariedade. "O problema mais grave na mentira é social. A sociedade mantém convenções que são incompatíveis com a condição humana. O sujeito mente porque não suporta o conflito penoso e irremediável entre seus desejos e a frustração imposta pela realidade. Numa sociedade menos hipócrita, este conflito entre o desejo e a realidade permaneceria, mas seria melhor administrado". A resposta à pergunta de Noel Rosa talvez seja simples: o sujeito mente para tornar a realidade menos frustrante.
Agência Unipress Internacional  
Agencia Globo

Limão na prevenção do câncer




 

A grande infelicidade desta distorção celular consiste no fato de que a doença, sobretudo nos cânceres internos, só é diagnosticada tardiamente, quando os recursos terapêuticos já estão cada vez menos efetivos, apesar de extremamente agressivos e violentos para as demais células saudáveis.
Portanto, o tratamento do câncer só costuma ter resultados mais favoráveis quando iniciado nos primeiros estágios da doença. O mais prudente está em praticar hábitos de vida e alimentação que previnam o câncer e as demais doenças.
Existem muitas clínicas naturistas e preventivas, onde as pessoas são orientadas para uma dinâmica de vida com alimentação mais natural, vegetariana e crua.
Nos livros O poder de cura do limão – Um guia de medicina caseira e Alimentação Desintoxicante - Para ativar o sistema imunológico (Conceição Trucom – Editora Alaúde) o tema prevenção encontra-se bem abordado; quando na indicação dos sucos desintoxicantes integrados com o limão, com vários propósitos terapêuticos, dentre eles o de prevenir e combater o câncer, que é uma doença decorrente da baixa imunidade.
O limão, com todas as suas propriedades, principalmente as alcalinizantes e desintoxicantes, evita o câncer, e seu uso em doses bem estudadas pode combatê-lo e até destruí-lo. 


O uso da casca do limão no combate ao câncer

 
As informações a seguir são de propósito esclarecedor; não têm como objetivo diagnosticar, receitar ou tratar qualquer doença. Trata-se de uma coletânea de pesquisas modernas, que nós, leigos, precisamos saber e estarmos bem informados. A decisão para usar ou não é de única responsabilidade do leitor.
Para não correr os riscos da automedicação, sugiro que você aprofunde estas informações e compartilhe tudo com o seu médico.
O d-limoneno é um composto químico, oleoso, encontrado na casca das frutas cítricas como o limão, a laranja, a tangerina, o grapefruit e a bergamota. Trata-se de um monoterpeno que faz parte de quase 100 estudos científicos realizados em animais e seres humanos, para prevenção e tratamento de câncer. Um composto natural que, quando devidamente usado, é atóxico.
O d-limoneno tem mostrado ser ativo contra vários tipos de tumores. Assim, incorporar o d-limoneno na dieta é uma escolha que ajuda a promover e manter o ciclo saudável de vida de células normais. Fazendo isto, segundo estes numerosos estudos, pode-se ajudar a bloquear o câncer em seus três estágios: iniciação, progresso e dependência. Em outras palavras, ele ajuda a prevenir o início do câncer e tratá-lo quando já instalado.
Evidências mostram o benefício de suplementar a alimentação com alimentos vivos, como também os ricos em d-limoneno, mais ativamente encontrado na casca do limão. Desta forma, o consumo diário de sucos de frutas, folhas e vegetais contendo de 1 a 2 limões – casca e polpa - associado com um estilo de vida saudável, pode tornar a vida mais longeva, produtiva e com menor risco de gerar câncer e outras doenças advindas da baixa imunidade.
Em síntese, o uso do óleo essencial (OE) do limão, ou seja, do óleo extraído da casca do limão, rico em d-limoneno e outros monoterpenos, é um auxílio ao tratamento e prevenção de alguns tipos de câncer. Especialmente, nas fases iniciais do desenvolvimento da doença. Os tipos de câncer já iniciados em que este tratamento mostrou melhores resultados são os de próstata, de estômago, de fígado, de intestinos, de pâncreas, de mama, de pulmão e nas leucemias.

Como o d-limoneno age neste sentido? 

 
Segundo estudos do Hospital Universitário de Saint Radbound, Holanda, o d-limoneno age aumentando a atividade de uma enzima desintoxicante (a Glutationa S-Transferase - GST), que tem como função desativar agentes desencadeadores do câncer. Assim, aumentando os níveis de atividade desta enzima, maior a capacidade do corpo em desintoxicar-se; portanto, de prevenir e tratar o câncer.
O d-limoneno também age induzindo a morte natural das células cancerosas e/ou inibindo o seu crescimento celular. Estudos da Universidade de Purdue, EUA, com ratos, demonstraram que a quimioterapia com o uso de monoterpenos como o d-limoneno resulta numa rediferenciação dos tumores malignos em um fenótipo mais benigno.
Monoterpenos são agentes antitumor efetivos, não tóxicos para ingestão e que agem através de uma série de mecanismos; portanto, fazendo parte de um amplo número de remédios naturais para o tratamento do câncer.
Estudos do Departamento de Oncologia da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, demonstraram que o
d-limoneno apresentou uma ação preventiva na indução do câncer mamário, tanto nos estágios de formação quanto nos de progressão da doença. Eles observaram que este monoterpeno, quando ingerido, também causou a regressão da maioria dos cânceres mamários em ratos, e que agiu especialmente na rediferenciação dos tumores de malignos para benignos.
Em pesquisas do Centro Médico de Osaka, no Japão, observou-se que o d-limoneno age inibindo a proliferação de células cancerosas no pâncreas, mostrando um potencial no tratamento deste tipo de doença.
A Universidade Médica de Dalian, na China, mostrou que o uso do d-limoneno no tratamento do câncer gástrico (BGC-823) apresenta resultados positivos, devido à indução de morte destas células.
Desta forma, como os óleos essenciais cítricos (extraídos da casca), são a maior fonte natural de d-limoneno, eles podem ser utilizados como favoráveis recursos no tratamento de vários tipos de câncer.
A dosagem preventiva de d-limoneno é o consumo diário de 2 limões (polpa e casca), que podem estar diluídos com outras frutas, folhas e raízes, como no preparo dos sucos desintoxicantes.

Uma curiosidade

 
O médico oncologista Carl Simonton afirma: A idéia de que o câncer devora vorazmente todo o corpo da vítima é totalmente errada.
Células cancerígenas são tão frágeis que é quase impossível cultivá-las num tubo de ensaio. Se isso finalmente acontece, e o cientista acrescenta no recipiente glóbulos brancos, nunca se vê as células cancerígenas atacarem estes glóbulos. Ao contrário, são os glóbulos brancos que iniciam imediatamente o ataque.
O que quer dizer que um tumor maligno apenas consegue alastrar-se dentro do corpo humano sob condições específicas, as quais são criadas principalmente por emoções destrutivas, como raiva contida, medo e desesperança.
Hoje, cientistas especializados em psiconeuroimunologia sabem que esses estados psicológicos negativos atacam o sistema imunológico através de "mensageiros", ou seja, toxinas, as quais o limão e seus ingredientes ativos sabem como eliminar.
Quando o paciente aprende a arrancar essas emoções de seu subterrâneo psicológico e lidar construtivamente com elas, o câncer não encontra mais substâncias que o alimentem, e tende a desaparecer.
Além disso, medo, raiva e desesperança são muitas vezes gerados por informações falsas e sustentados por um sangue ácido. E quem descobre que as células cancerígenas são vulneráveis pode, acabar com as emoções enganadas cultivadas a respeito da doença. Neste caso, o limão com sua propriedade de alcalinizar o sangue, irá favorecer no desarme das emoções negativas.
Mais curioso ainda é que na Aromaterapia, o óleo essencial do limão é usado justamente para provocar maior contato com as verdades internas e a alegria de viver.

Dica de uso externo: 

 
Óleo imuno-estimulante.
Ingredientes: 4 colheres de sopa (30 ml) de óleo vegetal de linhaça prensado a frio, 4 gotas de óleo essencial de limão, 4 gotas óleo essencial de lavanda, 4 gotas óleo essencial de tea-tree, 4 gotas óleo essencial de tomilho.
Misturar e guardar em frasco âmbar. Massagear o corpo com movimentos delicados e circulares (sentido horário) ou áreas de fragilidade.

Dicas de uso interno: 

 
Estes sucos desintoxicantes são apenas sugestões, use a sua criatividade. Eles devem ser ingeridos diariamente pela manhã em jejum. Em casos de uma desintoxicação mais intensiva ou em tratamentos de baixa imunidade ou doenças crônicas, recomenda-se o consumo 2-3 ou mais vezes ao dia, acrescentando tomar também no intervalo das refeições principais.

Maçã e brotos: bater no liquidificador o suco fresco de 2 limões (polpa e casca) com água de 1 coco verde (ou mineral), 2 maçãs descascadas e sem as sementes e 1 xícara de brotos (alfafa ou feijão). A maçã é um alimento refrescante, relaxante e rejuvenescedor. Opcional: ramos de salsinha (diurética e adstringente). O broto é um alimento biogênico (gera vida), riquíssimo em vitamina C e vitalidade.


Laranja e inhame: passar na centrífuga 2 laranjas, 2 limões (polpa e casca) e 1 cenoura. Bater no liquidificador o suco obtido com 1 xícara de folhas de hortelã e 1 inhame médio cru. Servir imediatamente. O inhame é um alimento que neutraliza sabores e ainda retira impurezas do sangue através da pele, rins e intestinos.


Este texto faz parte do livro: O poder de cura do limão.

Reprodução permitida desde que citada a fonte.
Atenção: Não se automedique. Este texto é para esclarecer. Entretanto, as dosagens, quantidades, horário, freqüência e demais explicações do correto uso do limão e seu óleo essencial é que darão a possibilidade de sucesso nos tratamentos de prevenção e cura. Como qualquer medicamento, o poder de cura do limão não está num uso esporádico e inadequado, mas no seu uso correto e freqüente.