Somos ácidos ou alcalinos?





Quando começamos a compreender melhor a verdadeira natureza de nossa vida física iremos construir uma ponte mais sólida entre o nosso interior e o exterior, o emocional e o físico.

O emocional sustentará  nossa vitalidade física.

São nossos hábitos, pensamentos e sentimentos que criam barreiras que obscurecem a nossa verdadeira saúde integral.

Estejamos dispostos a abrir uma visão mais ampla para tornar nossa vida cheia de novas transformações.

A mudança de hábitos e atitudes mudam a nossa realidade influenciada por costumes equivocados que nos foram passados, pelo ambiente no qual vivemos, por padrões de comportamento, enganos e decepções.

Todos nós estamos precisando de cura em algum nível, seja físico ou emocional.

O corpo físico expressa todas as capacidades e deficiências que temos desde a gestação na formação das suas células.
Desarmonias e desequilíbrios se manifestam em nós para serem tratados.

Como perceber:

Somos ácidos ou alcalinos?
Muitas pessoas nunca ouviram falar do equilíbrio entre acidez e alcalinidade.
Compreender que o corpo tem que nivelar o PH do sangue a uma medida ligeiramente alcalina para sobreviver.

Acidez e alcalinidade são medidas do PH em nosso organismo (Potencial de Hidrogênio)

O nosso PH deve permanecer no lado alcalino.

Um organismo ácido está sujeito a uma série de doenças que se desenvolvem no meio ácido.
A doença não prospera em um organismo adequadamente alcalino.

A escala do PH vai de 0 a 14
PH = O          MÁXIMO DE ACIDEZ
PH = 7          NEUTRO
PH = 14        MÁXIMO DE ALCALINIDADE.
Ex.: o PH do estômago é de 1, o da água é de 7 (neutro)
O bicarbonato de sódio é de 12.

O sangue leva todos os nutrientes que ingerimos para o corpo deve ter o PH entre 7, 36 a 7, 42, ou seja, levemente alcalino.

Todos os alimentos da natureza contêm elementos ácidos e alcalinos em sua formação.

Existem muitos alimentos geradores de ácidos que podem comprometer a saúde com a acidose (comum na diabetes).

Dê preferência a 70 % de alimentos alcalinos e 30% de alimentos ácidos

Muitas vezes um alimento de sabor ácido após a sua ingestão, se transforma em alcalino.
Temos como exemplo os limões, considerado como um fruto ácido.

Podemos medir o nosso PH através dos alimentos que ingerimos:
Mesclar alimentos alcalinos com os ácidos.

Alimentos ácidos que produzem acidez

Todos os de origem animal e seus derivados.
Frituras, remédios, antibióticos, anfetaminas, quimioterapia, radioterapia, nicotina, café, álcool, açúcar, chocolate, alimentos congelados, adoçantes, refrigerantes.

Alimentos alcalinos que produzem alcalinidade.

Todas as frutas frescas, secas, folhas verdes, legumes, raízes, feijões, uva passa, melado, couve flor cru, milho verde, cenoura, beterraba, batata doce, nabo, rabanete, abobrinha, banana, amêndoas, castanha do Pará, água mineral alcalina, maçã, pera, quiabo, chuchu ralado cru, abóbora, manga, uva, melão, salsa, melancia, mamão, amora, limão, salsão, alface, escarola, cebola, alho, coentro, rabanete, brócolis, couve-flor, chá verde… Espinafre, soja, pimenta caiena.

Limão: um grande segredo que a natureza reservou para a saúde humana.
O limão pode ser considerado como o rei dos frutos curativos, agindo como antibiótico e antisséptico intestinal.
Alcaliniza o organismo e fortalece o sistema imunológico enfraquecido.

Atitudes emocionais que acidificam o sangue: 
Sentimentos de raiva, inveja, ciúme, excesso de julgamento, críticas, exercícios físicos obsessivos, competições, disputas, violência, injustiças são atitudes emocionais que alcalinizam o sangue…

Atitudes emocionais que alcalinizam o sangue:
 Sentimentos de amor ao próximo, emoções de afetividade e compaixão, contemplar o belo, etc


A psicanálise e o autismo





Segundo os manuais de psiquiatria haveria uma tríade de
comportamentos que caracterizam este grupo de transtornos, esses seriam:
dificuldades na interação social, na comunicação e atividades e interesses
consideravelmente restritas e repetitivas.

As prevalências atuais estimadas são de 0,9% segundo os Centers for
Disease Control and Prevention (2009) para o conjunto dos transtornos globais
do desenvolvimento e, com uma incidência três a quatro vezes maior entre os
meninos (AUSSILLOUX, 2005).

Durante muito tempo, o estudo das causas do autismo foi campo de
conflito entre organicistas e os defensores de uma psicogênese como única
causa. Hoje em dia, embora este conflito ainda seja muito forte, parece haver
uma abertura maior para um diálogo entre as diversas abordagens – sobretudo
entre a psicanálise e as neurociências.

No momento atual, ninguém pode afirmar uma causa única para o
autismo. Assim, pensamos que o autismo infantil precoce pode ser considerado
como uma organização psicopatológica suscetível de se constituir como
resposta a fatores iniciais muito diversos, tanto orgânicos como psíquicos
(Tordjman, 2005).

É neste sentido que Hochmann (2007) fala que o autismo, como a
histeria nos tempos de Freud, pode servir de paradigma em função das
questões que suscita, exigindo um grande dialogo entre os diversos campos do
conhecimento.

Quer dizer que o autismo, em função de sua precocidade e de sua
multiplicidade causal representa um desafio, tanto do ponto de vista da
medicina, da pesquisa, da psiquiatria e da psicanálise.

Embora psicanalistas e psicólogos do desenvolvimento concordem que
as relações precoces entre os humanos fundam as bases para as outras
capacidades sociais (Alvarez e Lee, 2004), há divergências na forma de pensar
O estabelecimento da relação com o outro no processo de desenvolvimento
humano.
A noção de intersubjetivade pode ser utilizada como eixo condutor para
pensar este processo. Sabe-se que tal noção assume diferentes sentidos de
acordo com os diversos contextos teórico-metodológicos considerados.
Trevarthen, psicólogo e pesquisador do desenvolvimento humano,
define a intersubjetividade como a capacidade psicológica de ter e partilhar
objetivos, interesses, emoções e de estar pronto para comunicar os
acontecimentos intrinsecamente psicológicos a outras pessoas (2005).
Ele foi um dos primeiros a propor e investigar a intersubjetividade como
inata. Seus estudos sobre as competências precoces do recém nascido
evidenciaram que o mesmo tem um papel ativo no laço que estabelece com
seus cuidadores.

“Os recém nascidos, com seus cérebros complexos, mas imaturos,
com aptidões cognitivas limitadas e um corpo frágil, se mostram
motivados para comunicar-se com as formas expressivas e rítmicas de
interesse e de emoção oriundas do outro, e o fazem através de um
comportamento diferente do comportamento instintivo, que atrai o
cuidado parental para a satisfação de necessidades biológicas
imediatas.”5 (Trevarthen & J. Aitken, 2003, p. 309)

Os estudos de Trevarthen e de diversos colaboradores indicariam que
esta cooperação expressiva e psíquica entre o bebê e o adulto pode ser
observada nas interações espontâneas desde o nascimento (Gratier, 2007). As
afirmações de Trevarthen sobre a capacidade inata para a intersubjetividade se
apóiam sobre a hipótese de que bases dos sistemas emocionais e de
motivação se organizam muito antes do nascimento (2004).




“Para partilhar o controle mental com outras pessoas, o lactente deve
possuir duas competências. De um lado, ele deve ao menos mostrar
que possui os rudimentos de uma consciência individual e intencional.
É o que eu chamo de subjetividade. De outro lado, para poder
comunicar, o lactente deve poder adaptar ou ajustar seu papel
subjetivo à subjetividade dos outros: é a intersubjetividade.”*
(Trevarthen & J. Aitken, 2003, p. 315)

Neste sentido, ele propõe que um bebê se organiza como um sujeito
desde o seu nascimento e que ele visa estabelecer relações com os outros
seres humanos.

Se os diversos estudos de Trevarthen e colaboradores tendem a
enfatizar o inatismo dos processos fundamentais requeridos pela
intersubjetividade, outros autores tendem a destacar as etapas pelas quais o
processo de sua instalação tem que passar.

Stern (2004, 2005) descreve a intersubjetividade como um processo que
deve ser definido em diversas etapas onde o bebê e os pais têm um papel a
ocupar. Ele fala que inicialmente os pais devem conseguir ler o estado
emocional do recém nascido, que devem também se comportar em resposta a
este estado e que enfim o bebê deve estar na medida de compreender que a
reação parental tem relação com sua experiência emocional. Ou seja, um
processo que vai se construindo. Este processo de construção da
intersubjetividade depende então da dupla adaptação entre os pais e a criança.

Segundo Golse (2004), o processo de acesso à intersubjetivdade pode
ser compreendido como um movimento de diferenciação que vai permitir à
criança experimentar, sentir e integrar que o eu não é o mesmo que o outro.

Se levarmos em conta a obra do Freud, torna-nos difícil pensar na idéia
de um inatismo de uma organização como o EU. Em seu texto sobre o
narcisismo ele coloca que “uma unidade comparável ao Eu não existe desde o
começo no indivíduo; o Eu tem que ser desenvolvido” (p.18),

O que se pretende então é discutir esse conceito a partir de um ponto de
vista psicanalítico, dado que nos parece ser um importante instrumento clínico.

Para discutir a noção de intersubjetividade partindo da psicanálise é
necessário destacar a dimensão inconsciente da subjetividade. Marcelli propõe
que na intersubjetividade “não se trata somente do fato de que dois sujeitos
interessem-se um pelo outro. Pois se fosse assim, a intersubjetividade se
resumiria a uma troca consciente e seria definida simplesmente como uma
relação interpessoal” (2004, p. 55)*.

Assim, seguindo nesta forma de pensar a intersubjetividade, temos “o
encontro de um sujeito, animado de pulsões e de uma vida psíquica
inconsciente, com um objeto, que é também um outro sujeito, e que é também
animado por uma vida pulsional de onde uma parte é inconsciente”*
(Roussillon, 2004b, p. 735).

O conceito de pulsão foi definido por Freud como:

“um conceito limite entre o somático e o psíquico, como o representante
psíquico dos estímulos oriundos do interior do corpo e que atingem a alma,
como uma medida do trabalho imposto à psique por sua ligação com o corpo”
(1915/2010, p. 57).

 Utilizando o conceito de pulsão de Freud, podemos melhor compreender
a idéia de que o recém nascido é mobilizado pela busca da relação. Quer dizer
é para além da satisfação das necessidades biológicas imediatas que o bebê
procura entrar em contato com os outros (1905). De fato, as pulsões – diferente
das necessidades – não são satisfeitas sempre do mesmo modo. Segundo
Freud, já que a pulsão “não ataca de fora, mas do interior do corpo, nenhuma
fuga pode servir contra ela” (1915, p.54).

Lacan propõe pensar a pulsão como algo “que não tem dia nem noite,
não tem primavera nem outono, que ela não tem subida nem descida. É uma
força constante” (1964, p.157). Ou seja, segundo Lacan, em função das
pulsões, a vida psíquica é de um outro registro que aquele segundo a
satisfação das necessidades (1969).

“A pulsão apreendendo seu objeto, aprende de algum
modo que não é justamente por ai que ela se satisfaz.
Pois, se se distingue, no começo, da dialética da
pulsão, o Not e o Bedürfnis, a necessidade e a
exigência pulsional é justamente porque nenhum
objeto de nenhum Not, necessidade, pode satisfazer a
pulsão.(...) Essa boca que se abre no registro da
pulsão – não é pelo alimento que ela se satisfaz.”
(Lacan, 1964, p.159)

Este aspecto radical do funcionamento psíquico humano “que entende
as necessidades como demandas desejando serem satisfeitas faz com que o
bebê, desde que ele entre em contato com o outro, deixe de ser um ser de
necessidade para se tornar um ser do desejo”* (Crespin, 2007, p.22).

Então, mais do que necessidades, é preciso que o bebê tenha também
demandas: que ele saia do registro da necessidade e possa entrar no campo
do desejo. Pode-se dizer que mais do que fome, é preciso que o bebê tenha
apetite.

O trabalho de Laznik (2004, 2006, 2007) permite-nos estabelecer uma
articulação entre a concepção lacaniana das pulsões e a noção de
intersubjetividade de Trevarthen. Retomando o conceito de pulsão proposto por
Freud (1915) e revisitado por Lacan no seu seminário “Os quatro conceitos
fundamentais da psicanálise”, Laznik nos convida a refletir sobre o papel do
circuito pulsional na emergência psíquica do recém nascido, idéia fundamental
para entender o processo de constituição subjetiva, quer dizer, a forma como
abandonamos o estatuto de ser de necessidade para tornarmo-nos seres de
desejo.


Segundo Laznik (2007), a pulsão cumpre sua meta de satisfação por
meio do estabelecimento de um circuito de três tempos. No primeiro tempo o
bebê vai em direção ao objeto oral para se satisfazer. Freud qualificou este
tempo como ativo. O segundo tempo é reflexivo ou auto-erótico. É o que Freud
descreveu como o retorno da pulsão sobre uma parte do corpo próprio. É o
tempo da capacidade de se acalmar chupando o dedo, a mão... No terceiro
tempo, o bebê se faz, ele mesmo, objeto de um outro. O bebê se oferece como
objeto de satisfação para o outro. Seria como quando o bebê coloca o dedo na
boca da sua mãe e se delicia com a brincadeira que ela faz. Freud qualificou
este tempo de reflexivo, mas Laznik o pensa como uma passividade ativa.
“Com efeito, é muito ativamente que ele vai se fazer comer por este outro, para
o qual, ele se faz ele mesmo, objeto” (2004, p.28).

“O bebê não é passivo na situação, claramente ele a procura. É ele que
vai procurar se fazer olhar, se fazer ouvir ou bem, ao nível oral, se
fazer “comer o pezinho”. Este aspecto eminentemente ativo do terceiro
tempo do circuito pulsional havia sido evidenciado por Lacan que o
chamava o tempo do “se fazer”*. (Laznik, 2000, p. 73)

É somente depois do terceiro tempo que se pode falar em satisfação
pulsional (Laznik, 2000). Lacan coloca que é “no momento em que o fecho se
fechou, quando é de um pólo ao outro que houve reversão, quando o outro
entrou em jogo, que o sujeito tornou-se por termo terminal da pulsão” (1964,
p.173).

Este ciclo se desenvolve diversas vezes na relação mãe-bebê, mas é
somente após a instauração do terceiro tempo que os outros dois adquirem
sentido. Como disse Lacan (1964) este sujeito que existe graças ao outro,
aparece quando o circuito da pulsão pode se fechar. É somente com a
dimensão do Outro que a função da pulsão pode existir.

Assim, os movimentos do bebê de procura do seio e de chupar o dedo
para se acalmar podem enfim ser considerados como eróticos. Porque só
podemos falar em registro pulsional no momento onde o gozo do Outro esta

colocado em questão. É este momento de enganchamento ao desejo do outro
que permite ao infans de aceder ao status de sujeito. É neste sentido que
Lacan afirma que o “desejo do homem encontra seu sentido no desejo do
outro, não porque o outro tenha as chaves do objeto desejado, mas porque o
seu primeiro objetivo é ser reconhecido pelo outro” (1953, p.132).

Golse, apoiando-se na revisão da teoria lacaniana feita por Laznik diz
que o terceiro tempo do circuito pulsional pode ser caracterizado como o
momento de ascensão á intersubjetividade (2004, p.449).

Quer dizer que o momento de fechamento do circuito pulsional pode ser
então entendido como o momento de troca intersubjetiva se esta última é
pensada de um ponto de vista psicanalítico, ou seja, orientada pelo desejo
como decorrente da construção do circuito pulsional.

É o momento de enlaçamento ao desejo do outro que permita ao infans
de aceder ao estatuto de sujeito. Deste modo, pensa-se ter descrito o processo
de nascimento psíquico, este processo de emergência do sujeito a partir do
laço que ele estabelece com o desejo do outro.

Como já foi dito, este processo não é inato e nem instintivo, exigindo
uma construção com múltiplas possibilidades. Este enlaçamento pode até
mesmo não acontecer. É por esta razão que é necessário pensar na sutileza
desses mecanismos e na multiplicidade de fatores que, tanto do lado do recém
nascido como do lado dos adultos que se enodam seu desejo ao dele, podem
impedir esta realização (Trouvé, 2002).

O autismo é característica da não realização deste processo. No autismo
o terceiro tempo do circuito pulsional não foi estabelecido. Não há enlaçamento
com o desejo do Outro. Sem negar a possibilidade de um suporte orgânico,
consideramos o autismo como uma falha na constituição subjetiva, como uma
impossibilidade da instalação de elementos fundamentais da construção
psíquica (Trouvé, 2004).

“O autismo parece colocar pela negativa a questão do
sujeito, mais exatamente de sua emergência. O autista
aparece como aquele que está preso, congelado no
processo de assunção subjetiva.” (Ansermet, 1999,
p.69)

É neste sentido que G. Crespin coloca que o autismo pode surgir:

“por fatores originados na criança (limiar de
receptividade do bebê muito diferente do da mãe,
acidentes pré-natais que impeçam o investimento do
bebê), seja com origem nos pais (estado depressivo,
lutos complicados, inscrição do bebê em uma filiação
impossível), ou ainda vinda do meio ambiente
(separações neonatais, anúncios de deficiências).”
(p.43, 2004)

Dentro da mesma idéia, Laznik coloca que independente das causas, o
autismo está ligado a uma falha no estabelecimento deste laço pulsional ao
Outro, sem o qual nenhum sujeito pode advir (2000b).

Mesmo se a questão do autismo não foi muito desenvolvida por Lacan, a
teoria lacaniana pode nos oferecer instrumentos importantes para compreender
esta falha no desenvolvimento. Lacan propõe que haja na constituição do
sujeito dois tempos: o da alienação e da separação.

Diferente da psicose, onde há uma falha na separação, no autismo é o
tempo da alienação que falta. Segundo C. Soler (1990), podemos situar o
autismo “em um antes da alienação: em uma recusa de entrar aí, um parar na
borda”. Quando não há esta alienação, a questão do outro não se coloca e é
neste sentido que se diz que o autista é alguém para o qual o Outro não existe,
e sobretudo alguém para quem o desejo do Outro não faz questão, não causa.


É assim que falamos do autismo quando não há este fechamento do
terceiro tempo do circuito pulsional, dado que é bem neste tempo que a
questão do gozo do Outro se instala. Quer dizer que não há momento de
reversão, de mudança de lugar, onde o bebê se oferece ele mesmo como
objeto para o gozo do Outro, representado em um primeiro momento pelo outro
materno.

Quando não há Outro, não se pode falar de pulsão, de Eros. E “se
retiramos o termo Eros no auto-erotismo, nós nos deparamos com o autismo”
(Laznik, 2006).

No autismo não há troca de olhar entre a criança e o outro, e quase não
há linguagem – e muitas vezes quando ela existe não serve muito à
comunicação. Como Kanner falava, em relação às crianças do seu estudo,
mesmo aqueles que falavam, não empregavam a linguagem com o objetivo de
se comunicar. Podemos relacionar isso com o que propõe Vanier (1993) que
coloca que mesmo se essas crianças estão na linguagem, elas não
apresentam o desejo de se comunicar.

Amelie Nothomb nos ensina sobre esta diferença:

“Os olhos dos seres vivos possuem a mais
impressionante das propriedades: o olhar. Não há
nada mais singular. (...) O que é o olhar? É o
inexprimável. Nenhuma palavra pode se aproximar
dessa substância estranha. Entretanto, o olhar existe.
Há mesmo poucas realidades que existem há este
ponto. Qual é a diferença entre os olhos que tem um
olhar e os olhos que não tem? Essa diferença tem um
nome: a vida. A vida começa ali onde começa o olhar”.
(2000, p.6)

 Evidentemente, ao falar dos olhos que não tem olhar não se trate de
deficiência visual. Bem ao contrário. Aqui se encontra a diferença entre o ver e
o olhar. Os autistas, a priori, não têm nenhum problema de visão, mas,
entretanto eles não conseguem olhar, dado que o olhar implica a instalação de
uma relação com o outro.

 Então há a fala e a visão, mas não a linguagem e o olhar. Assim, no
autismo, temos um corpo que não consegue sair da inscrição de um puro real;
não há inscrição simbólica.

 Para concluir aqui a fala, vemos que muitos psicanalistas (Jerusalinsky,
2008; Laznik, 1995 ; Crespin, 2007 ; Soler, 1990, entre outros) se interessaram
pela questão do autismo pelo que ela pode ser considerada como uma
possibilidade de compreender o processo de constituição psíquica do sujeito,
como se olhássemos do microscópio. Como propõe Ansermet (1999), o estudo
do autismo permite questionar as condições de nascimento subjetivo, para
além das leis do organismo.

Assim, o autismo nos ensina sobre este encontro – ou sobre a
impossibilidade deste encontro – entre a estrutura de um corpo e a inscrição
simbólica realizada através da dialética da relação ao Outro.

Pseudolalia - O transtorno da mentira


A Pseudolalia é uma mentira compulsiva resultante de um longo vício de mentir. A pessoa mente por mentir, perde a noção do que é verdade ou não, convence-se das mentiras como puras verdades.

A pseudolalia pode conduzir a graves distúrbios de personalidade, podendo o pseudolálico acabar por perder a sua individualização e viver em um mundo real criado imaginariamente, comportando-se de uma forma difícil ao contato humano e só com tratamentos profundos pode-se melhorar.


As pessoas perdem lenta e gradualmente a consciência da gravidade da doença que vão adquirindo, porque a sua realidade vai perdendo cada vez mais sintonia com o verdadeiro real. Por fim o vício de mentir é um ato inconsciente e perante a mais simples situação a fuga à verdade brota espontânea e como uma repetição compulsiva e criação de verdades inexistentes.


Existem, além destas, um outro tipo de mentiras: as provenientes do chamado mentiroso compulsivo, que mente sistematicamente e aparentemente sem razão.
Aqui estamos lidando com alguém para quem a mentira assume contornos de dependência, tal como o álcool ou a droga.

A mentira torna-se um vício, já que é dita de forma compulsiva, ou seja, o mentiroso tem consciência que está mentindo mas não consegue controlar esse impulso. O vício compulsivo de mentir é a fuga da realidade

A pseudolalia é uma doença grave.  Segundo psiquiatras e psicanalistas, a prática freqüente de viver uma situação imaginária pode ser o resultado de uma profunda insegurança emocional, além de traumas de infância. A atitude funciona como um mecanismo de defesa para pessoas que apresentam um quadro de carência acentuada.

Estudos comprovam que crianças vítimas de uma educação julgadora, imposições, disciplinas rígidas, e que por vezes vivem dominadas com autoritarismo, são fortes candidatas à doença.
 

Pesquisas também demonstram que uma pessoa que carrega o vício de mentir pode não conseguir se controlar, tornando-se semelhante a quem tem o vício do jogo.



Quando a mentira vira uma doença

Para que mentir? A pergunta que Noel Rosa e Vadico transformaram em canção aflige tanto pais de pequenos mentirosos quanto a mulher que surpreende o marido com desculpas esfarrapadas. Para que mente o menino que insiste em contar aos pais e amigos façanhas inverossímeis? Os psicanalistas afirma que as crianças mentem porque desejam dar aos seus pais a versão que, supostamente, estes gostariam de ouvir.

"Estes pais precisam se examinar para verificar se não estão impondo aos filhos os seus desejos e se interessando pouco pelos desejos dos filhos. O colapso da atividade de brincar é o que agrava a intensidade da mentira. Se, ao invés de mentir, a criança tem a chance de brincar, pode chegar bem perto da satisfação de seus desejos. Hoje, cada vez mais, a adolescência é uma extensão da infância, sem as possibilidades de satisfação desta, na brincadeira. No casamento, a mentira se dá dentro do mesmo processo: ambos tentam ser o que gratifica o outro para que o outro também se sinta gratificado".
Há mentiras que indicam crises de auto-estima. O psiquiatria infantil atende crianças, por exemplo, de classe média que estudam em colégios de luxo e mentem por questão de status. 

"Estas crianças se sentem socialmente humilhadas. A mentira, para elas, é uma defesa". Já o adolescente mente para se proteger de pais invasores ou repressores. A menor R.B., de 17 anos, por exemplo, diz que vai dormir na casa da amiga, mas dorme com o namorado. "Se eu disser a verdade, não poderei sair de casa", justifica-se.

Os psicanalistas vêem então a mentira do adulto como necessidade, às vezes compulsiva, de obter lucro ou prazer. "Há duas espécies de mentira: a que prejudica alguém é diferente da mentira social. A mentira compulsiva é uma doença, mas a verdade compulsiva também é. Não se pode falar a verdade o tempo todo. Por isto, é difícil julgar mentirosos quando se trata da relação amorosa. Mentir, evidentemente, não é o melhor modo de se relacionar. Mas, às vezes, é a única opção. Os contratos humanos expressam a força e também a fragilidade da condição humana".

O mentiroso compulsivo, só deixa de mentir quando aceita sua própria precariedade. "O problema mais grave na mentira é social. A sociedade mantém convenções que são incompatíveis com a condição humana. O sujeito mente porque não suporta o conflito penoso e irremediável entre seus desejos e a frustração imposta pela realidade. Numa sociedade menos hipócrita, este conflito entre o desejo e a realidade permaneceria, mas seria melhor administrado". A resposta à pergunta de Noel Rosa talvez seja simples: o sujeito mente para tornar a realidade menos frustrante.
Agência Unipress Internacional  
Agencia Globo

Limão na prevenção do câncer




 

A grande infelicidade desta distorção celular consiste no fato de que a doença, sobretudo nos cânceres internos, só é diagnosticada tardiamente, quando os recursos terapêuticos já estão cada vez menos efetivos, apesar de extremamente agressivos e violentos para as demais células saudáveis.
Portanto, o tratamento do câncer só costuma ter resultados mais favoráveis quando iniciado nos primeiros estágios da doença. O mais prudente está em praticar hábitos de vida e alimentação que previnam o câncer e as demais doenças.
Existem muitas clínicas naturistas e preventivas, onde as pessoas são orientadas para uma dinâmica de vida com alimentação mais natural, vegetariana e crua.
Nos livros O poder de cura do limão – Um guia de medicina caseira e Alimentação Desintoxicante - Para ativar o sistema imunológico (Conceição Trucom – Editora Alaúde) o tema prevenção encontra-se bem abordado; quando na indicação dos sucos desintoxicantes integrados com o limão, com vários propósitos terapêuticos, dentre eles o de prevenir e combater o câncer, que é uma doença decorrente da baixa imunidade.
O limão, com todas as suas propriedades, principalmente as alcalinizantes e desintoxicantes, evita o câncer, e seu uso em doses bem estudadas pode combatê-lo e até destruí-lo. 


O uso da casca do limão no combate ao câncer

 
As informações a seguir são de propósito esclarecedor; não têm como objetivo diagnosticar, receitar ou tratar qualquer doença. Trata-se de uma coletânea de pesquisas modernas, que nós, leigos, precisamos saber e estarmos bem informados. A decisão para usar ou não é de única responsabilidade do leitor.
Para não correr os riscos da automedicação, sugiro que você aprofunde estas informações e compartilhe tudo com o seu médico.
O d-limoneno é um composto químico, oleoso, encontrado na casca das frutas cítricas como o limão, a laranja, a tangerina, o grapefruit e a bergamota. Trata-se de um monoterpeno que faz parte de quase 100 estudos científicos realizados em animais e seres humanos, para prevenção e tratamento de câncer. Um composto natural que, quando devidamente usado, é atóxico.
O d-limoneno tem mostrado ser ativo contra vários tipos de tumores. Assim, incorporar o d-limoneno na dieta é uma escolha que ajuda a promover e manter o ciclo saudável de vida de células normais. Fazendo isto, segundo estes numerosos estudos, pode-se ajudar a bloquear o câncer em seus três estágios: iniciação, progresso e dependência. Em outras palavras, ele ajuda a prevenir o início do câncer e tratá-lo quando já instalado.
Evidências mostram o benefício de suplementar a alimentação com alimentos vivos, como também os ricos em d-limoneno, mais ativamente encontrado na casca do limão. Desta forma, o consumo diário de sucos de frutas, folhas e vegetais contendo de 1 a 2 limões – casca e polpa - associado com um estilo de vida saudável, pode tornar a vida mais longeva, produtiva e com menor risco de gerar câncer e outras doenças advindas da baixa imunidade.
Em síntese, o uso do óleo essencial (OE) do limão, ou seja, do óleo extraído da casca do limão, rico em d-limoneno e outros monoterpenos, é um auxílio ao tratamento e prevenção de alguns tipos de câncer. Especialmente, nas fases iniciais do desenvolvimento da doença. Os tipos de câncer já iniciados em que este tratamento mostrou melhores resultados são os de próstata, de estômago, de fígado, de intestinos, de pâncreas, de mama, de pulmão e nas leucemias.

Como o d-limoneno age neste sentido? 

 
Segundo estudos do Hospital Universitário de Saint Radbound, Holanda, o d-limoneno age aumentando a atividade de uma enzima desintoxicante (a Glutationa S-Transferase - GST), que tem como função desativar agentes desencadeadores do câncer. Assim, aumentando os níveis de atividade desta enzima, maior a capacidade do corpo em desintoxicar-se; portanto, de prevenir e tratar o câncer.
O d-limoneno também age induzindo a morte natural das células cancerosas e/ou inibindo o seu crescimento celular. Estudos da Universidade de Purdue, EUA, com ratos, demonstraram que a quimioterapia com o uso de monoterpenos como o d-limoneno resulta numa rediferenciação dos tumores malignos em um fenótipo mais benigno.
Monoterpenos são agentes antitumor efetivos, não tóxicos para ingestão e que agem através de uma série de mecanismos; portanto, fazendo parte de um amplo número de remédios naturais para o tratamento do câncer.
Estudos do Departamento de Oncologia da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, demonstraram que o
d-limoneno apresentou uma ação preventiva na indução do câncer mamário, tanto nos estágios de formação quanto nos de progressão da doença. Eles observaram que este monoterpeno, quando ingerido, também causou a regressão da maioria dos cânceres mamários em ratos, e que agiu especialmente na rediferenciação dos tumores de malignos para benignos.
Em pesquisas do Centro Médico de Osaka, no Japão, observou-se que o d-limoneno age inibindo a proliferação de células cancerosas no pâncreas, mostrando um potencial no tratamento deste tipo de doença.
A Universidade Médica de Dalian, na China, mostrou que o uso do d-limoneno no tratamento do câncer gástrico (BGC-823) apresenta resultados positivos, devido à indução de morte destas células.
Desta forma, como os óleos essenciais cítricos (extraídos da casca), são a maior fonte natural de d-limoneno, eles podem ser utilizados como favoráveis recursos no tratamento de vários tipos de câncer.
A dosagem preventiva de d-limoneno é o consumo diário de 2 limões (polpa e casca), que podem estar diluídos com outras frutas, folhas e raízes, como no preparo dos sucos desintoxicantes.

Uma curiosidade

 
O médico oncologista Carl Simonton afirma: A idéia de que o câncer devora vorazmente todo o corpo da vítima é totalmente errada.
Células cancerígenas são tão frágeis que é quase impossível cultivá-las num tubo de ensaio. Se isso finalmente acontece, e o cientista acrescenta no recipiente glóbulos brancos, nunca se vê as células cancerígenas atacarem estes glóbulos. Ao contrário, são os glóbulos brancos que iniciam imediatamente o ataque.
O que quer dizer que um tumor maligno apenas consegue alastrar-se dentro do corpo humano sob condições específicas, as quais são criadas principalmente por emoções destrutivas, como raiva contida, medo e desesperança.
Hoje, cientistas especializados em psiconeuroimunologia sabem que esses estados psicológicos negativos atacam o sistema imunológico através de "mensageiros", ou seja, toxinas, as quais o limão e seus ingredientes ativos sabem como eliminar.
Quando o paciente aprende a arrancar essas emoções de seu subterrâneo psicológico e lidar construtivamente com elas, o câncer não encontra mais substâncias que o alimentem, e tende a desaparecer.
Além disso, medo, raiva e desesperança são muitas vezes gerados por informações falsas e sustentados por um sangue ácido. E quem descobre que as células cancerígenas são vulneráveis pode, acabar com as emoções enganadas cultivadas a respeito da doença. Neste caso, o limão com sua propriedade de alcalinizar o sangue, irá favorecer no desarme das emoções negativas.
Mais curioso ainda é que na Aromaterapia, o óleo essencial do limão é usado justamente para provocar maior contato com as verdades internas e a alegria de viver.

Dica de uso externo: 

 
Óleo imuno-estimulante.
Ingredientes: 4 colheres de sopa (30 ml) de óleo vegetal de linhaça prensado a frio, 4 gotas de óleo essencial de limão, 4 gotas óleo essencial de lavanda, 4 gotas óleo essencial de tea-tree, 4 gotas óleo essencial de tomilho.
Misturar e guardar em frasco âmbar. Massagear o corpo com movimentos delicados e circulares (sentido horário) ou áreas de fragilidade.

Dicas de uso interno: 

 
Estes sucos desintoxicantes são apenas sugestões, use a sua criatividade. Eles devem ser ingeridos diariamente pela manhã em jejum. Em casos de uma desintoxicação mais intensiva ou em tratamentos de baixa imunidade ou doenças crônicas, recomenda-se o consumo 2-3 ou mais vezes ao dia, acrescentando tomar também no intervalo das refeições principais.

Maçã e brotos: bater no liquidificador o suco fresco de 2 limões (polpa e casca) com água de 1 coco verde (ou mineral), 2 maçãs descascadas e sem as sementes e 1 xícara de brotos (alfafa ou feijão). A maçã é um alimento refrescante, relaxante e rejuvenescedor. Opcional: ramos de salsinha (diurética e adstringente). O broto é um alimento biogênico (gera vida), riquíssimo em vitamina C e vitalidade.


Laranja e inhame: passar na centrífuga 2 laranjas, 2 limões (polpa e casca) e 1 cenoura. Bater no liquidificador o suco obtido com 1 xícara de folhas de hortelã e 1 inhame médio cru. Servir imediatamente. O inhame é um alimento que neutraliza sabores e ainda retira impurezas do sangue através da pele, rins e intestinos.


Este texto faz parte do livro: O poder de cura do limão.

Reprodução permitida desde que citada a fonte.
Atenção: Não se automedique. Este texto é para esclarecer. Entretanto, as dosagens, quantidades, horário, freqüência e demais explicações do correto uso do limão e seu óleo essencial é que darão a possibilidade de sucesso nos tratamentos de prevenção e cura. Como qualquer medicamento, o poder de cura do limão não está num uso esporádico e inadequado, mas no seu uso correto e freqüente.

Hipocondria resumida


 

 
Hipocondria é um dos termos mais antigos do vocabulário médico, tendo-se generalizado a sua utilização, na linguagem corrente, por toda a população não médica, perdendo algumas vezes o seu significado preciso. A palavra hipocondria começou por ser utilizada, em finais do século XVIII, para descrever doenças cuja causa não era perfeitamente conhecida, mas que se pensava terem origem em problemas dos órgãos do hipocôndrio -uma zona do abdômen Atualmente, hipocondria descreve uma doença psiquiátrica na qual existe receio ou convicção, sem fundamento, de que se tem ou se irá ter uma determinada doença, habitualmente grave. Os hipocondríacos se preocupam excessivamente com possíveis doenças físicas ou psíquicas, comparando o que sentem com sintomas diagnosticados noutras pessoas, imaginando que estão a desenvolver doenças semelhantes.Procuram constantemente consultas médicas, submetem se a testes, tratamentos numa busca consciente ou inconsciente por um diagnóstico e sentem-se mal caso a doença imaginada exista ou não. O hipocondríaco não é um doente imaginário, mas alguém que apresenta uma verdadeira doença crônica: uma perturbação perceptiva, cognitiva e psicológica que acaba por originar sofrimento real, disfunções psicofisiológicas, deterioração familiar e social, consultas médicas freqüentes e possibilidades de automedicação e de iatrogenia (alteração para pior no tratamento de um paciente), portanto merece grande atenção e apoio. Estima-se que 10 a 20 por cento da população considerada “normal” possua tais preocupações hipocondríacas em algum momento da sua vida, particularmente em períodos de maior fragilidade emocional, sem que isto constitua uma verdadeira doença.


QUAIS AS CAUSAS DA HIPOCONDRIA?
 
Não se conhece a causa da hipocondria, mas são avançadas quatro teorias principais que tentam explicar esta doença:
1 Teoria da amplificação. É a que encontra maior apoio nas investigações já realizadas. Sugere que a hipocondria resulta de um aumento das sensações corporais normais e de um desvio da atenção do indivíduo, que parece estar “desligado” do exterior e estar seletivamente atento aos seus sintomas corporais mínimos, amplificados, que são encarados como sinônimos de doença.O hipocondríaco vive num estado de permanente escuta, desviando a sua atenção do meio ambiente para si próprio e olhando de modo alarmista e interpretando erradamente cada sensação nova no seu corpo.

2 Teoria psicanalítica. Desenvolvida a partir de Freud, advoga que a hipocondria seria resultado de fatores exclusivamente psicológicos, que as queixas físicas seriam manifestações de conflitos psicológicos relacionados com a agressividade, com a culpa, com a baixa auto-estima e sinal da excessiva preocupação consigo mesmo. Por exemplo, a carência afetiva nas crianças pode levá-las a queixarem-se de dores imaginárias para que os adultos olhem para elas e lhes dêem atenção.Da mesma forma nos idosos que em geral recebem menos atenção da sociedade é comum a queixa de dores e mal estar físico que refletem a necessidade de chamar atenção para sua pessoa.

3 Teoria da aprendizagem social. Defende que o indivíduo aprende o papel de doente. As constantes atenções e cuidados que recebe quando a sua saúde está afetada levam-no a habituar-se a esse conforto e a alimentar esse tipo de situações. Por exemplo,uma criança que numa doença infantil normal recebe excesso de cuidados ou que foi submetida á superproteção acerca de sua saúde pode desenvolver no futuro,por causas diversas, uma preocupação exagerada com esta.Outra possibilidade é que a criança tenha vivido num ambiente de sofrimento devido á doença de familiares,aprendendo,assim,a criar para si um ambiente nefasto.

4 A quarta teoria sugere que a hipocondria seria uma forma especial de uma outra doença psiquiátrica, como a doença depressiva, as perturbações da ansiedade ou certas perturbações da personalidade. Tanto que certos doentes passam a viver num total estado de dependência em relação as outros e á condição que a doença lhes impôs, tornando-se infantis, egocêntricos,tem dificuldade em tomar decisões. Outros preferem se isolar internado-se em um hospital ou tentando um auto tratamento.

O TRATAMENTO
 
A evolução desta doença é crônica e desgastante, com episódios que duram meses ou mesmo alguns anos, seguindo-se períodos de calma, podendo surgir novos episódios conforme a seqüência de acontecimentos negativos de natureza psicológica ou social que ocorrerem na vida do doente. O tratamento da hipocondria deve começar por despistar qualquer possível doença médica que explique os sintomas, também se deve procurar uma outra patologia psiquiátrica associada, como doença depressiva ou de ansiedade, que, se existir deverá ser tratada. Inicialmente, os doentes são seguidos pelos clínicos gerais que, logo que possível, os referenciam a uma consulta de psiquiatria, onde poderá ser feita uma psicoterapia – tratamento psicológico – individual ou de grupo.Nesse período e no subseqüente ao tratamento o apoio familiar é importante para a estabilidade psico-social do individuo.

Psiconeuroimunologia



Apesar de debatida desde a época de Hipócrates, a associação entre as emoções e as doenças tem sido explicada nas úultimas décadas devido aos avanços em biologia celular e molecular,
 A relação entre o  genética, neurociências e em estudos de imagem cerebral. Estes avanços revelaram as diversas conexões entre os sistemas neu- roendócrino, neurológico e o sistema imunológico e, dessa forma,
entre emoções e doenças.  O termo "Psiconeuroimunologia" foi introduzido por Robert Ader,
em 1981, para definir o campo da ciência que estuda a interação entre o sistema nervoso central (SNC) e o sistema imunológico.

 Muitos estudos também têm demonstrado que uma variedade de estressores físicos e psicossociais podem alterar a resposta imune através dessas conexões.

 O eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) e o sistema simpático adrenomedular são os componentes neuroendócrinos e neuro- nais primários da resposta ao estresse. A liberação do cortisol a partir do córtex adrenal, das catecolaminas a partir da medula
 central nervous system     adrenal e da norepinefrina a partir dos terminais nervosos
preparamprepara o indivíduo para lidar com as demandas dos estressores metabólicos, físicos e/ou psicológicos e servem como  mensageiros cerebrais para a regulação do sistema imunológico. Por outro lado, o sistema imunológico produz mensageiros quími- cos (citocinas) que desempenham um papel crucial em mediar as respostas inflamatórias e imunes e também servem como me- diadores entre os sistemas imunológico e neuroendócrino. As citocinas pró-inflamatórias, liberadas na periferia, estimulam o SNC ativando o eixo HPA, conseqüentemente levando à produção de corticosteróide por parte da glândula adrenal. Dessa forma, a resposta ao estresse regula o sistema imunológico quando uma resposta imune não mais é necessária. As interrupções nessa alça regulatória desempenham um papel importante na susceptibili- dade e resistência às doenças auto-imunes, inflamatórias, infec- ciosas e alérgicas.2 A liberação excessiva desses hormônios de estresse antiinflamatórios, tais como o cortisol, no momento equivocado, como ocorre durante o estresse crônico, pode predis- por o hospedeiro a mais infecções devido à imunossupressão re- lativa. Por outro lado, uma ativação insuficiente da resposta hor- monal ao estresse pode predispor a doenças auto-imunes e infla- matórias tais como artrite, lupus eritematoso sistêmico, asma alérgica e dermatite atópica.

O sistema imunológico também desempenha um papel impor- tante no sistema nervoso central em relação à sobrevivência e morte neuronal. As citocinas podem atuar no SNC como fatores de crescimento neuronal e como neurotoxinas, desempenhando, portanto, um papel em doenças como Demência de Alzheimer, neuroAIDS, e trauma cerebral.
As citocinas pró-inflamatórias, tais como interleucina-1 (IL-1), interleucina-6 (IL-6), interferons (IFNs) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF ), que são liberados durante uma infecção, induzem um conjunto de mudanças de comportamento e mal- estar associados à enfermidade, denominados sickness behavior. Este consiste em um conjunto de sintomas não-específicos que incluem: febre, fraqueza, mal-estar, apatia, incapacidade de con- centração, sentimento de depressão, letargia, anedonia e perda do apetite. Estudos em animais e humanos têm mostrado que a infusão de citocinas (sistêmica ou central) induz sintomas de sick- ness behavior. Os mesmos sintomas são descritos em voluntários injetados com moléculas que induzem a síntese de citocinas endó- genas, tais como os liposacarídeos LPS, o fragmento ativo da endotoxina do Gram negativo.
A demonstração de que as molécu- las imunes são capazes de influenciar as respostas comporta- mentais e o eixo HPA levantaram a questão sobre a ligação entre as citocinas e os transtornos depressivos. Embora alguns estudos tenham demonstrado níveis aumentados de citocinas pró-infla- matórias plasmáticas e de proteínas de fase aguda em pacientes com depressão, resultados contraditórios também têm sido descritos. Resultados mais consistentes foram encontrados em estudos clínicos com pacientes não-psiquiátricos, em que citoci- nas administradas durante quimioterapia induzem episódios depressivos que podem ser evitados por meio do uso de antide-
pressivos.3
Outra linha de investigação tem sugerido que genes que codifi- cam citocinas, que se expressam no cérebro, poderiam desem- penhar um papel na depressão.4 Em especial, o gene que codifica um membro chave do sistema IL-1, o receptor antagonista IL-1 (IL-1ra), o qual se expressa em áreas importantes do sistema biológico que, sabidamente, encontram-se desreguladas na depressão.4 A expressão do IL-1ra no SNC é muito mais modesta do que o observado no tecido periférico. Dessa forma, ainda que estejam integrados, os compartimentos central e periférico das citocinas podem ser regulados de uma forma distinta. Licinio & Wong propuseram que, nos transtornos psiquiátricos, o compartimento central das citocinas estaria ativado. Esta ativação central das citocinas, não necessariamente seria desencadeada por um processo inflamatório, mas poderia estar relacionado a outros fatores, tais como estresse, neurodegeneração e uma possível predisposição genética. Estudos futuros necessitam ser realiza- dos para elucidar esta possível via de ativação.4 Há algumas evidências sobre o papel das citocinas na etiologia de alguns sub- tipos de depressão, embora os resultados provenham de alguns estudos que ainda não foram universalmente reproduzidos. Evidências diretas de estudos em animais fornecem medidas das citocinas em áreas específicas do cérebro,5 embora a tecnologia ainda não esteja disponível para realizar tais estudos em seres humanos.

Estudos clínicos futuros deverão examinar um conjunto mais amplo de citocinas em relação às variáveis clínicas e aos mar- cadores laboratoriais da depressão, tais como estudos do sono e testes de desafio do eixo HPA. Estudos longitudinais poderiam também ajudar a elucidar a questão de se as anormalidades nas concentrações de citocinas, encontrada em pacientes com depressão maior, são marcadores de estado ou traço da depressão.


Referências


1. Dantzer R. Cytokines and sickness behavior. Vol 1. Boston: Kluwer
Academic Publisher; 2003.
2. Webster JI, Tonelli L, Sternberg EM. Neuroendocrine regulation of immunity. Annu Rev Immunol. 2002;20:125-63.
3. Musselman DL, Lawson DH, Gumnick JF, et al. Paroxetine for the preven- tion of depression induced by high-dose interferon alfa. N Engl J Med. 2001;344:961-6.
4. Licinio J, Wong ML. Cytokine pathways in the brain. 1st Ed. Vol 1. New York: Kluwer Academic Publ; 2003.
5. Tonelli LH, Maeda S, Rapp KL, Sternberg EM. Differential induction of interleukin-I beta mRNA in the brain parenchyma of Lewis and Fischer rats after peripheral injection of lipopolysaccharides. J Neuroimmunol. 2003;140:126-36.


Agradecimento a Priscila Nunes Pitt

O Especismo Animal e o Amor.





Os defensores e amantes dos animais estão ganhando visibilidade a cada dia. Porto Alegre é uma espectadora privilegiada desse processo, a campanha pelo fim das carroças (pensando nos cavalos), o estudante que se negou a aprender com dissecação, recentemente o mini-zoológico da Redenção foi fechado para não estressar os animais e, como em outros lugares, por aqui existem muitos ativistas que pedem o fim de experiências com animais, e ainda os vegetarianos sempre denunciando a indústria da carne com seus inevitáveis maus tratos. 

De qualquer forma, não é difícil perceber que uma nova sensibilidade para com a vida animal vem mostrando seu rosto. Embora essa tendência esteja em crescimento, os militantes da causa animal ainda são poucos, mas por sorte são bem barulhentos. Digo sorte porque nos põe a pensar, subvertem as certezas e isso sempre é bom.

Essa visão generosa para com os animais não é exatamente uma novidade, os Jainistas já defendem essas idéias há séculos. Essa antiga religião indiana, pelo menos desde 600 a.C., aparentada ao hinduísmo, mas que rejeita as castas e especialmente os sacrifícios, crê que toda forma de vida é sagrada (vegetais idem). Obviamente são vegetarianos, mas alimentam-se de frutos já caídos. Filtram a água para não beber algo vivo, usam um pano na boca para não engolir involuntariamente um inseto e, pela mesma razão, espanam previamente qualquer lugar onde sentam, para assegurar-se não destruir nenhuma pequena forma de vida.

Mas nem precisaríamos ir tão longe, a idéia dos nossos índios sobre a vida animal vira nossa lógica de ponta cabeça. Para eles no começo só existia a humanidade e por escolhas e descaminhos, os animais tomaram outro rumo, decaíram, mas eles seguem “humanos” de certa forma, são nossos parentes distantes. Enquanto no raciocínio ocidental nós viemos dos animais e evoluímos, para eles os animais vieram de nós. Por isso que os casamentos com animais nas mitologias indígenas não nos fazem sentido, mas para eles sim, pois seria outro povo, não outra espécie.

Essa tendência gerou um novo termo: “especismo”, para designar aqueles que tratam os animais como objetos. Especista seria quem se julga pertencer a uma espécie superior (no caso nós os humanos) e por isso se arvoraria o direito de dominar as outras espécies. Para seguir matando, criando animais para abate ou deleite (não esqueçam os caçadores, as touradas, as rinhas…), ou ainda usando-os como cobaias, não seria possível sem essa dita arrogância especista. 

Esse novo termo vem acompanhado de um raciocínio onde se diz que o especismo estaria, para nós e os animais, assim como o racismo está para as raças humanas (para quem acredita que elas existam, pois biologicamente elas não fazem sentido) e o sexismo para a dominação de gênero. Ou seja, eles buscam uma filiação que os vincularia ao lado, e de uma certa forma como um aprofundamento ético, dos que lutam contra o racismo e o sexismo.

E a questão tem mais uma volta, o racismo e o sexismo estão em declínio não por boa vontade e entendimento mais profundo dessa questão, mas por um jogo de forças sociais, onde as mulheres e os prejudicados lutaram, sofreram e não poucos morreram para chegar onde estamos. 

Por outro lado, se conseguirmos uma igualdade de estatutos de direitos com os animais, nós vamos ter que lutar por eles, pois eles não têm uma causa, a menos que seguir vivo seja uma. Ou seja, seria o estabelecimento de uma igualdade “tutorada” pelos que acreditam que isso assim deva ser. É bom lembrar que não existe um direito natural, os direitos são duramente conquistados no eterno jogo de poder e não generosamente outorgados e reconhecidos.

Nestes casos uma frase de Kundera é especialmente preciosa: “A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar em toda sua pureza e em toda liberdade em relação àqueles que não tem nenhuma força". 

O verdadeiro teste moral da humanidadesão suas relações com aqueles que estão a sua mercê: os animais. 

E é aí que se deu a maior derrota do homem, fracasso fundamental de onde todos outros derivam”. Aliás, essa é a posição de Bauman também, embora ele fique no âmbito dos homens, ele que diz que a sua maneira de medir a humanidade de uma civilização é como ela trata os menos favorecidos, os fracos e desvalidos. O espírito é o mesmo, você só seria moralmente elevado se não se aproveitar da impotência alheia.
Mas o que sempre me pergunto frente a esses movimentos, aos quais geralmente tenho simpatias, é se estamos diante de um avanço da sensibilidade humana ou um de retrocesso? Em outras palavras: isso seria uma forma mais ampla de um humanismo revigorado? Ou estaríamos, apesar das boas intenções, frente a um sintoma de desencanto com a humanidade? Ou seja, buscamos na natureza, mais especificamente nos animais, uma causa, um equilíbrio e um valor, porque as bandeiras de sempre andam desbotadas? 

É fato que as tradicionais causas já não empolgam tanto nem tantos, de fato existe um cansaço delas. Paira a idéia de que a humanidade é uma paixão fútil e existe uma desesperança no humano e nas suas instituições e as religiões idem. Onde então buscar uma nova causa que oriente a aspiração ética que trazemos? É isso que mobilizaria essa nova sensibilidade para com os animais?

Talvez a melhor resposta seja a mais simples. De fato estamos todos infantilizados. 
Mas não de qualquer forma, isso decorre duma tentativa de simplificação do mundo, um mundo básico, do certo e do errado, do bandido e do mocinho, e isso os humanos com sua labilidade e complexidade não podem nos dar. Creio que esse movimento usa sem saber a seguinte máxima de Mark Twain: “recolha um cão de rua, dê-lhe de comer e ele não morderá: eis a diferença fundamental entre o cão e o homem.”  

Nossos amigos sabem que correm o risco de ser mordidos se escolherem os humanos e se refugiam no amor fácil dos animais.
Os animais nos mergulham num mundo sem mal entendidos, cuidar e ser amado. Você dá e você recebe. Eles nos refrescam a memória dos cuidados maternos. 
Viemos ao mundo banhados no amor da mãe, ou ele existe ou não nos constituímos. Um amor que não pede nada (na verdade não é nada assim, mas é assim que gostamos de pensá-lo). 
Exercemos com os animais uma maternidade que parece estar no horizonte das conquistas possíveis. E pior, colocamos essa forma de amar e se relacionar como paradigmática das relações humanas. Evitamos a humanidade e sua inevitável complexidade para desembocarmos numa miragem de natureza idealizada. Melhor para os pets, pior para nós.


Referencias Bibiogafia: As Fadas no Divã - Corso, M.